Suas compras - O sabor do frango caipira
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 02 de outubro de 2006
Eli Araujo<br>Reportagem local 
O fato de o Brasil ter se transformado em pouco mais de meio século em um País com maior número de seus habitantes morando em centros urbanos, não tirou de uma parte da população a afinidade com o campo. Tanto que algumas pessoas fazem questão de manter vivas algumas tradições, especialmente quando o assunto é alimentação. Por isso, por maior que seja a oferta do frango de granja, tem gente que não consegue sair do supermercado sem um frango caipira original.
Se eu compro frango caipira? Meu Deus! Eu compro frango caipira direto, praticamente toda semana. A afirmação, meia com espanto, é da dona de casa Madalena Nunes de Souza, que precisa manter um estoque do produto em casa para não perder um antigo costume da família. Ela cita os motivos da preferência: O frango capiria tem outro sabor; a cor, a textura, tudo é diferente, e até no cozimento fica bem melhor. Madalena prepara o frango caipira nas mais variadas formas porque as meninas (filhas) exigem. Entre alguns pratos, ela se lembrou da galinhada, do frango refogado e do frango com polenta.
A professora Maristela Alencar gosta muito do frango caipira, mas não precisa comprar o produto nos supermercados porque a família dela tem uma chácara e aproveita o espaço para criar algumas aves. Ela garante, entretanto, que aprecia o frango caipira não apenas pela disponibilidade. Eu gosto porque ele é mais magro, mais firme e muito mais saboroso que o frango de granja. Maristela acredita que o frango caipira tem estas características por ser criado solto, enquanto o frango de granja tem a carne mole pelo tipo de alimentação que recebe. A professora se mostra também uma pessoa prevenida. Toda vez que visita seus pais faz questão de trazer alguns exemplares para estocar em casa.
O zootecnista Wellington Garcia faz uma associação entre o consumo de frango caipira com o jeito de vida no campo e o consumo de frango de granja com o estilo de vida na cidade. Nós já consumimos muito frango caipira, mas hoje, como estamos urbanizados, nosso consumo maior é o de frango de granja.
Garcia, que estava em um supermercado fazendo compras, reconhece - como profissional da área - que há necessidade da utilização de recursos genéticos para promover o crescimento rápido deste frango e evitar que ele pegue doenças. A gente não pode dizer que o frango de granja não tem antibiótico, é lógico que tem, mas a função dele é apenas a de promover o crescimento. O zootecnista não faz restrições ao consumo do frango de granja, até porque, segundo ele, na questão das proteínas os dois são iguais
Nutricionista recomenda tirar a pele e a gordura
A nutricionista Beatriz Ulate não vê nenhum problema no consumo da carne de frango, de granja ou caipira, desde que sejam retiradas a pele e a gordura. Ela, entretanto, recomenda o frango de granja especialmente para as pessoas que tenham problemas cardiovasculares porque o produto apresenta menor teor de colesterol.
Beatriz afirma que hoje, pelo uso da ração, se pode produzir o frango de granja com menos teor de gordura, enquanto no frango caipira tem mais gordura porque ele come livremente. Ela cita também que o frango caipira, por ser criado solto, tem uma musculatura mais rígida e por isso sua carne tem mais sabor.
A nutricionista diz ainda que a preocupação dos criadores em oferecer um frango de granja com menos gordura vai de encontro aos interesses dos consumidores. Enquanto um frango caipira demora alguns meses para ficar no ponto de abate, o frango de granja leva apenas 5 ou 6 semanas. Com esse tempo não dá para o frango engordar muito; e para o produtor, tempo é dinheiro, afirma. (E.A.)


