A mulher chega ao balcão da loja de livros e revistas usados e descreve a capa de uma publicação que saiu há dois ou três anos. Ela procura uma reportagem sobre saúde, recomendada por uma amiga. Ao mesmo tempo, um homem tenta explicar como é o livro solicitado pelo filho, pelo jeito um adolescente. Ele cita o tema e oferece a pista de que o livro é ''bem grosso.''
A rotina de um sebo é a mais variada possível. A todo momento tem gente procurando livros didáticos, infantis ou de outros gêneros, gibis, revistas novas ou antigas, CDs, DVDs, etc.. Alguns sabem exatamente o que procuram, outros nem tanto. Tudo o que as pessoas não encontram nas livrarias ou bancas, elas buscam nos sebos. E o espaço é democrático: são pessoas de todos os níveis econômicos e culturais.
Antônio Basques é pioneiro neste ramo do comércio em Londrina. Ele trabalha no setor há 36 anos. Começou com uma banca de artigos usados, viu que era algo viável, inseriu a família no negócio e hoje tem três lojas na cidade: ''Eu sempre acreditei neste segmento'', afirma o empresário. Ele diz que procura valorizar tudo que é relacionado à cultura, mas reconhece que ''alguns produtos têm giro rápido e outros demoram mais para sair''. Quanto à procedência, faz questão de frisar que ''os produtos são originais; não há pirataria''.
O sebo é um local indicado para quem procura raridades ou variedades. A ''matéria-prima'' da loja vem de pessoas que querem se desfazer de seus pertences por falta de espaço, mudança ou necessidade mesmo. E quem compra são estudantes, professores, profissionais liberais e ''pessoas comuns''. Basques faz questão de lembrar que os frequentadores mais assíduos são identificados como ''ratos de sebo''.
A jovem Priscila Manfré é estudante de Letras e geralmente procura revistas e obras literárias. ''Sempre acho o que quero e o mais interessante é que fica bem mais em conta que na livraria'', afirma. Ela compra livros para estudar e também por necessidade de ''conhecimentos gerais''.
A veterinária Cláudia Jojima estava no sebo com o filho Felipe, de apenas um ano e meio. Ela procurava livros com figuras para o menino ''porque a professora falou que é bom''. Cláudia percebeu o quanto é difícil cuidar do filho e procurar livros infantis ao mesmo tempo. ''Ele não deixa a gente ver direito'', afirma. Mesmo assim, a veterinária ainda folheou algumas obras escritas em japonês.
E foi a variedade de temas que atraiu o casal João Monteiro e Márcia Cristina Braz da Silva a um sebo no centro de Londrina. O casal estava à procura de CDs evangélicos. Eles visitam o local com certa assiduidade, em busca de livros, Bíblias e revistas de conteúdo religioso. ''Aqui a gente sempre encontra o que procura, e além da qualidade, o preço também é razoável, 50 a 70% mais em conta'', diz João.

Torcida
Em dezenas de pontos da cidade há pessoas vendendo produtos com as cores verde e amarelo. As camisetas, tamanhos infantil ou adulto, custam entre R$ 15,00 e R$ 30,00; os bonés, tocas e chapéus, R$ 10,00, e as bandeiras, R$ 25,00.

Kit torcedor
E um supermercado está
‘‘liquidando’’ o kit torcedor: de
R$ 79,90 por R$ 39,90. O kit
contém uma bola de couro e uma camiseta. (Só para ‘‘lembrar’’: a Copa do Mundo ainda nem
começou).

Cesta básica
Os trabalhadores brasileiros tiveram, em maio, o maior poder de compra da história para os itens que compõem a cesta básica. No mês passado, os trabalhadores gastaram, em média, 48,64% do salário líquido recebido para adquirir a cesta, segundo pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-econômicos (Dieese). De acordo com o Dieese, é a primeira vez desde 1982 que o assalariado gastou menos da metade do salário líquido recebido para adquirir a cesta.

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