Motores roncando, circuitos naturais desafiadores e pilotos apaixonados por motos bem dispostos a investir. Pelas estradas de terra e matas da região de Londrina, não é difícil encontrar os chamados trilheiros, pessoas que adoram acelerar sobre duas rodas e que não dispensam motos preparadas, equipamentos adequados e belas paisagens que só a natureza oferece.
Entretanto, para se envolver com essa atividade, não basta apenas subir em uma moto que se usa pelas ruas da cidade e colocá-la para enfrentar lama, pedras e outras adversidades. É preciso adequar toda a mecânica e parte estrutural do veículo, além do piloto ter que utilizar equipamentos de segurança para evitar acidentes.
O empresário Carlos Eduardo Andretta, um dos proprietários da Promotos, loja especializada em peças e artigos para trilhas, calcula rapidamente quanto essa ''brincadeira'' pode custar. ''Um iniciante no hobby vai gastar de R$ 1,5 mil a R$ 4,5 mil numa moto arrematada em leilão, por exemplo. Para se proteger, o cliente deve comprar ainda um kit básico de segurança, que consiste em colete (peitoral), bota e capacete, que vai girar em torno de R$ 1 mil'', comenta.
Como a concorrência entre as marcas nacionais e importadas é grande, a diversidade de preços e opções dos produtos ''off-road'' acaba sendo significativa. Andretta explica porque os nacionais são campeões de venda em sua loja. ''Todos querem adquirir itens da linha americana, mas mesmo assim os nacionais ainda estão na frente em vendas porque são mais baratos e com ótima qualidade. Até porque, dependendo da intensidade da trilha, os equipamentos de segurança são trocados anualmente, devido ao elevado grau de desgaste'', ressalta o empresário.
Já quando o assunto são as próprias motos, a necessidade de modificá-las é imprescindível. No Brasil, existem poucos veículos fabricados especialmente para trilhas, o que faz com que os pilotos busquem outras alternativas, alterando completamente os modelos nacionais. ''Uma moto importada nova de trilha, pronta para uso, vale por volta de R$ 26 mil. Por isso, uma boa opção é modificar as que temos por aqui'', diz Cristiano Carvalho, vendedor da Promotos.
O comerciante e trilheiro cambeense Diogo Fornaziero, de 26 anos, iniciou na modalidade aos 15 anos e nesse período já teve 12 motos. O rapaz salienta quais são as primeiras mudanças a serem realizadas na moto de quem quer praticar a aventura. ''São três pontos que devem ser avaliados. A troca do escapamento, da relação (que consiste em três peças: coroa, corrente e pinhão) e dos pneus. O fato é que quanto menos se mexer na moto, mais a pessoa vai sofrer na trilha, pois as condições de pilotagem são completamente diferentes das comuns'', analisa Fornaziero, que é membro do Trail Clube de Cambé - praticantes do motociclismo fora de estrada.
Carlos Eduardo aponta um investimento de R$ 600 para acertar esse três componentes. ''Contando com peças boas, essas três alterações melhoram significativamente o desempenho da moto durante o percurso'', completa o especialista.


Opções fartas de equipamentos e roupas

Produtos nacionais enfrentam concorrência dos chineses

  ­Quem bus­ca in­cre­men­tar a prá­ti­ca do ‘‘off-­road’’ so­bre mo­tos não vai ter pro­ble­mas em en­con­trar rou­pas, equi­pa­men­tos e aces­só­rios. ‘‘Um mer­ca­do que es­tá che­gan­do for­te no se­tor é o chi­nês, com pro­du­tos que va­riam mui­to na qua­li­da­de e nos ­preços’’, diz o em­pre­sá­rio Car­los An­dret­ta, da Pro­mo­tos.
  Na ques­tão de se­gu­ran­ça, pa­ra se pro­te­ger me­lhor em ca­so de que­das, o ne­gó­cio é in­ves­tir em pro­te­to­res de pes­co­ço e co­lu­na cer­vi­cal, de R$ 700 a R$ 1,2 mil, e joe­lhei­ras ar­ti­cu­la­das, que cus­tam de R$ 550 a R$ 1,4 mil. ‘‘Co­mo o le­ma dos tri­lhei­ros é ‘quan­to ­pior a tri­lha, ­melhor’, se pro­te­ger é im­por­tan­tís­si­mo. Ain­da ­mais se o pi­lo­to es­ti­ver co­me­çan­do, o que pro­va­vel­men­te vai lhe pro­por­cio­nar ­bons ­tombos’’, re­tra­ta o tri­lhei­ro Dio­go For­na­zie­ro.
  Va­le lem­brar que al­guns aces­só­rios ins­ta­la­dos nas mo­tos au­xi­liam na pro­te­ção de pe­ças e tam­bém dos pró­prios pi­lo­tos. ‘‘Pro­te­to­res de mão, mo­tor e qua­dro po­dem evi­tar gran­des ­prejuízos’’, pon­tua An­dret­ta. E não são ape­nas os equi­pa­men­tos de se­gu­ran­ça e aces­só­rios pa­ra o veí­cu­lo que en­can­tam os afi­cio­na­dos pe­lo as­sun­to. Ade­si­vos grá­fi­cos e rou­pas pró­prias pa­ra a prá­ti­ca tam­bém são ­itens bem co­mer­cia­li­za­dos. Já um con­jun­to de ade­si­vos pa­ra mu­dar o vi­sual da mo­to­ci­cle­ta po­de che­gar a R$ 300. Tam­bém há rou­pas es­pe­cí­fi­cas, ven­ti­la­das e com um ma­te­rial de ­maior re­sis­tên­cia. Al­gu­mas gri­fes in­ves­tem na li­nha ca­sual, com ber­mu­das e mo­le­tons ex­clu­si­vos. (V.L.)

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