SUAS COMPRAS - Mostarda tem público pequeno, mas cativo
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quinta-feira, 30 de abril de 2009
Gisele Mendonça<br> Reportagem Local 
A mostarda é uma planta que produz umas sementes miúdas que quando processadas com demais ingredientes vira o condimento picante que não pode faltar no cachorro-quente, no molho do estrogonofe e demais pratos. Não tem grande apelo de consumo se comparada aos populares maionese e catchup, mas possui um público cativo. Nos últimos anos, novas marcas passaram a investir na fabricação do produto que na maioria das vezes aparece como ''condimento preparado à base de mostarda''.
Poucas marcas (praticamente só as importadas) podem trazer apenas a palavra mostarda no rótulo, já que no geral existe uma mistura de ingredientes. A Cocamar Cooperativa Industrial de Maringá lançou o produto no mercado em 2001, juntamente com a maionese e o catchup, com a marca Purity. A partir de 2004, a fabricação do condimento deixou de ser terceirizada para ser feita pela própria cooperativa.
O produto leva mostarda em pó, água, vinagre, açúcar, amido modificado, sal, canela, corante natural de cúrcuma e benzoato de sódio (conservador). Também existe semente de mostarda escura, mas a empresa optou por utlizar a variedade clara moída depois de uma pesquisa de mercado para investigar, entre outras coisas, a aceitação do consumidor. O corante natural de cúrcuma acentua o amarelo característico das mostardas industrializadas e a consistência é conquistada com a adição do amido.
Embora o produto tenha boa aceitação, as vendas ficam bem abaixo da maionese e do catchup. ''Entre esses três produtos, 80% das nossas vendas correspondem à maionese, 14% ao catchup e em torno de 6% à mostarda. É o terceiro item na ordem de importância, mas não pode faltar para completar o trio'', explica Alessandro Guerra, coordenador de marketing da Cocamar. Ele informa que o público consumidor se concentra na faixa etária entre 16 e 25 anos.
Um outro tipo de consumidor de mostarda são aqueles que buscam as folhas da planta, que têm aparência semelhante ao almeirão e são indicadas para fazer refogados. Não é tão fácil de achar. A comerciante Marina Onishi, de Londrina, oferece o produto em sua loja geralmente aos domingos. ''A procura é pequena. Jovem nem conhece, quem compra são os mais velhos. É uma verdura para quem gosta de coisa amarga. Eu, por exemplo, adoro'', conta Marina, que vende o maço entre R$ 1,50 e R$ 2,00.
O produtor Adilson dos Santos, que fornece a mostarda para Marina e outros sacolões de Londrina, confirma o público seleto. ''Vendo praticamente uma dúzia de maço por semana. Tenho uma variedade de hortaliças e a mostarda é só mais uma'', observa Santos. Questionado pela reportagem sobre o que faz com as sementes da planta, ele afirma nunca tê-las visto.
Segundo o pesquisador Paulo Eduardo Melo, da Embrapa Hortaliças, em Brasília, isso acontece porque o ponto de colheita das folhas para o mercado in natura é anterior ao florescimento da planta. Quando a mostarda floresce e começa a produzir as sementes, as folhas não servem mais para o consumo.
O pesquisador esclarece que as mostardas cultivadas no Brasil, tanto para produção de condimentos quanto para consumo in natura, são da mesma espécie botânica: Brassica juncea. Ele afirma que a planta vendida como folha pode ser usada na produção de condimento, mas isso não é feito porque as cultivares disponíveis para esse fim não têm bom rendimento industrial e as sementes não são tão picantes. Para condimento são utilizadas cultivares especialmente desenvolvidas para a indústria, com sementes mais picantes e maior rendimento.


