Em meados de 2007, a jornalista Carla Sehn viajou com a família - marido e dois filhos - para curtir férias em Miami e Orlando, nos Estados Unidos. A preocupação com as despesas ficou restrita à hospedagem, alimentação e compras, já que as quatro passagens, ida e volta, que normalmente custariam perto de US$ 4,5 mil, saíram de graça.
E que milagre foi esse? Milagre nenhum. Carla aproveitou as 160 mil milhas que havia acumulado nos três anos anteriores em viagens Brasil afora por conta de seus trabalhos como consultora de comunicação corporativa. E a viagem para os EUA não foi a primeira gratuita: em 2004, ela e o marido foram a Madri da mesma maneira.
Os programas de milhagem foram criados pelas companhias aéreas para recompensar seus clientes pela fidelidade. A ideia surgiu em 1981 nos EUA e se espalhou pelo mundo. No Brasil, TAM, Gol e Azul têm seus programas de fidelidade. A Webjet pretende lançar o seu ainda este ano.
Cada empresa tem suas regras, mas o conceito geralmente é o mesmo: acumula-se uma milha a cada 1.600 metros percorridos em viagem. Outra forma de se acumular milhas é utilizando cartões de crédito. Neste caso, uma milha equivale a cada dólar gasto. Uma vez filiado ao programa, o cliente pode conferir o saldo de pontos na própria fatura do cartão.
''Absolutamente todas as compras que faço - mercado, farmácia, roupa, material escolar, enfim, tudo - é com o cartão de crédito, sempre de olho nas milhas'', afirma a jornalista Carla. ''Às vezes acontece de eu perder um desconto à vista que teria de ser pago com dinheiro ou cheque. Prefiro utilizar o cartão para não perder as milhas que aquela compra vai me proporcionar.''
Há muitas nuances no acúmulo de milhas. É possível, por exemplo, compartilhar milhas entre diferentes companhias aéreas. Em vez de acumular milhas para tirar uma passagem-prêmio, dá para trocá-las por produtos, serviços e acesso a áreas VIP.
Daí a importância de se ficar atento às regras dos programas de fidelidade - em especial quanto aos prazos de validade das milhas - e, sobretudo, contar com a orientação de um bom agente de viagens. ''Não é tão complicado assim. Uma vez inteirado do assunto, o cliente se organiza de forma a não perder boas oportunidades'', afirma a sócia-gerente da CVC Privilège, Mara Piubelli.

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