O consumidor acostumado a comprar leite tipo C já deve ter percebido há algum tempo o fim desta classificação na embalagem. ''Notei há alguns meses mas não sei o motivo'', comenta a dona de casa Márcia Batista Nogueira. Ela consome dois litros de leite diariamente. Segundo Márcia, os filhos preferem o de ''saquinho'' porque o longa vida resseca o intestino. A mesma dúvida é compartilhada pelo garagista Simon Carlos, cuja família consome três litros de leite por dia. ''A minha família gosta de ferver o leite de ''saquinho'', comenta a preferência.
Agora, no pacote, vem apenas a inscrição ''Leite Pasteurizado Homogeneizado''. O leite tipo C saiu do mercado há algum tempo devido a Instrução Normativa 51 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. A lei, de setembro de 2002, vigora no Sul do país desde 2005. A instrução obrigou os produtores de leite e derivados lácteos a se adequarem a novas normas de qualidade de obtenção, produção e beneficiamento do produto, uma vez que o leite C tinha menores exigências de produção. De acordo com a instrução, as metas visam atender ao Código de Defesa do Consumidor, exportar os excedentes de produção, manter o Brasil na lista dos exportadores e diminuir a importação de lácteos.
Na prática, as mudanças significam que o consumidor está ingerindo um leite de melhor qualidade, informa o médico-veterinário e vice-presidente da Associação Norte-Paranaense dos Produtores de Leite, Antônio Francisco Chaves Neto. ''A Instrução Normativa 51 exigiu dos produtores uma maior tecnificação e, talvez, o consumidor não saiba, mas já está tomando um leite melhor''. Um dos procedimentos exigidos atualmente é que o produto seja refrigerado imediatamente após a coleta, a fim de evitar a proliferação de microorganismos. De acordo com Neto, o leite pasteurizado conserva 100% da vitamina B6, 75% da vitamina C, e 95% do ácido fólico. Atualmente, o pacote de leite é comercializado por cerca de R$ 1,60 nos supermercados.
A regulamentação também vale para os leites A e B. De acordo com o presidente do Conselho Paritário dos Produtores/Indústrias de Leite do Estado do Paraná - Conseleite/Paraná, Ronei Volpi, a tendência é que os tipos A e B, que possuem menos microorganismos, também saiam de mercado. ''A questão é comercial. Com um processo de produção mais qualificado, todo o leite terá a classificação de pasteurizado. Quem ganhará com isso é o consumidor, que poderá pagar menos por um produto melhor'', explica.
Conforme Volpi, dados do Conseleite apontam que neste outono, de toda a comercialização de laticínios, 38% é de leite longa vida, enquanto 18% é do pasteurizado. O restante é referente à produção de leite em pó e derivados como queijos, iogurtes, leite condensado e creme de leite.

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