Já houve uma época em que era quase impossível fazer as compras em um supermercado sem o uso da calculadora. Mas hoje é raro ver alguém com a maquininha na mão. Geralmente quem usa são pessoas que se preocupam com centavos, que fazem uma série de cálculos e comparam bem os preços antes de decidir que produtos comprar.
Isto seria até compreensível quando a pessoa mexe com valores o dia inteiro. Mas não é o caso do contador José Joaquim Martins Ribeiro, presidente do sindicato da categoria em Londrina. Segundo ele, o hábito de fazer as compras com regularidade dispensa o uso de calculadoras. ''Na minha família são quatro pessoas e a gente sabe que o consumo da semana é mais ou menos aquele; e como os preços nos mercados são bem próximos uns dos outros, não vejo necessidade de usar a maquininha não''.
Ribeiro afirma que gosta de fazer compras uma vez por semana porque, com a estabilidade de preços, não há necessidade de estocar produtos para o mês inteiro. ''Comprando toda semana, a gente tem em casa um produto de melhor qualidade, ou seja, o produto sai da indústria para o mercado e do mercado para a casa da gente em menos tempo''.
O contador diz ainda que fazia a compra mensal quando havia a hiperinflação. ''Éramos obrigados a estocar produtos, o que não é uma boa; às vezes, a gente perdia alguma mercadoria porque passava do prazo de validade ou porque realmente estragava''.
Na opinião dele, a estabilidade de preços existe, mas ainda não é ''perfeita'' e acredita que a oscilação se deve à interferências do clima na produção. ''Os hortigranjeiros, por exemplo, têm altos e baixos por causa do tempo; há produtos que realmente sobem em certas épocas, mas ai você substitui por outro produto. É isto que a pessoa deve fazer quando percebe um aumento de preço'', justifica.
Ribeiro tem outro motivo para fazer suas compras semanalmente. ''Sou completamente contra o desperdício; em minha opinião, todo desperdício é abominável. Na minha casa a gente é bem regulado e só que compra o que é necessário e está relacionado na listinha''.
O contador diz que prefere fazer as compras em horários alternativos para evitar o excesso de movimento. ''Gosto do mercado em uma hora onde posso fazer a compra com tranquilidade, sem perder muito tempo no caixa, porque eles abusam em determinados momentos''. Mas apesar da preferência, quem define mesmo o horário é a dona Conceição, esposa do contador. ''Se ela quer fazer as compras as onze e meia porque o mercado é mais vazio, tudo bem, ou se ela quer ir à tarde, a gente vai''. Por isso, ele diz, as compras sempre são feitas pelo casal.
E em função de suas atividades profissionais e sindicais, Ribeiro passa a maior parte do tempo fora de casa. Sendo assim, a hora da compra com a esposa passa a ter um significado especial. ''A gente faz da compra um momento de lazer, é hora de papear com a mulher, mostrar produtos, ver novidades e também um momento de colocar a conversa doméstica em dia''. Segundo ele, é neste momento que o casal define alguns detalhes, como por exemplo se vai convidar alguém para o fim de semana, qual será o cardápio ou para onde eles irão.
Ribeiro dá uma sugestão bem simples, mas que também considera muito importante para evitar que as pessoas gastem mais do que ganham. ''As pessoas devem adaptar o seu orçamento às suas compras''. Segundo ele, hoje é possível a família ter uma boa alimentação sem ter furos na contabilidade doméstica. ''Se a pessoa tem baixa renda, deve fazer um esforço maior para não desiquilbrar o orçamento''. Mas ele próprio reconhece que isto não é fácil para quem ganha pouco.

mockup