SUAS COMPRAS - Falta de tempo adia consumo de alimentos
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quarta-feira, 23 de abril de 2008
Eli Araujo<br>Reportagem local 
Nem mesmo a falta de dinheiro é obstáculo quando a pessoa está determinada a comprar algum produto. Hoje em dia, há excesso de crédito no mercado para tudo, praticamente, e com prazos à escolha do cliente. Um carro, por exemplo, pode ser financiado em até oito anos e um imóvel em até 20 ou 30 anos. Mas há muitos casos em que as pessoas têm o dinheiro à disposição e deixam de comprar o que precisam, inclusive gêneros de primeira necessidade, por falta de tempo. Para este grupo, o dia precisaria ter mais de 24 horas para se dar conta de todos os compromissos.
A advogada Rita Maistro Tenório se mostra preocupada com a falta de tempo para fazer tudo o que precisa. ''A sensação que eu tenho é que o dia passa muito rápido; até parece que o tempo está mais curto''. O problema, segundo ela, afeta principalmente as mulheres. ''A gente tem dupla ou tripla jornada; a mulher tem necessidade de trabalhar fora, tem a casa, os filhos. São muitos compromissos na vida moderna''.
Rita afirma que já deixou de comprar várias mercadorias, roupas e calçados, por exemplo, mesmo estando com dinheiro no bolso, e até as compras de alimentos ficam eventualmente comprometida. ''Deixo para ir ao mercado no sábado à noite ou domingo por não ter tempo durante a semana. Outro dia fui ao supermercado às onze da noite, depois da especialização, porque era o único horário disponível''.
A operadora de crédito Gislaine Barreiro afirma que já deixou de comprar vários produtos, não apenas em supermercado, por falta de tempo. ''Quando é alimento, a gente pega o que é necessário, só o que está precisando mesmo; e quando são objetos de uso pessoal, tipo roupas e sapatos, a gente deixa sempre para depois''. Ela acha que o fato dos hipermercados terem algumas lojas anexas facilitam as coisas, mas não resolve o problema por completo. ''Às vezes, a pessoa está com dinheiro, mas não tem tempo de comprar o que precisa''.
Gislaine sente tanta falta de tempo que levanta cada vez mais cedo para dar conta de suas obrigações. ''Acordo às cinco da manhã para fazer ginástica, trabalho das oito às seis, depois vou ao supermercado, e a noite, reservo para minha família''.
Para o representante comercial Amadeu Érnica Junior, a falta de tempo prejudica mais as compras de produtos básicos, que nem sempre estão na ordem do dia. ''O que a gente deixa de comprar são alimentos, roupas e calçados; e quando são bens duráveis - um carro ou um eletrodoméstico, a gente programa melhor essa compra''. Ele afirma que, para ganhar tempo, às vezes, compra o que precisa pela internet. ''É vantajoso porque a gente pode fazer pesquisas de preços em várias lojas ao mesmo tempo, mas o site deve ser de confiança''.
Érnica associa a falta de tempo na vida moderna ao aumento das atividades femininas. ''Antigamente, o marido saía para trabalhar e a mulher ficava em casa cuidando dos filhos; hoje, o marido assume parte das tarefas em casa, mas a mulher também ajuda no orçamento doméstico''. Segundo ele, só existe uma forma de conciliar todos os compromissos com a falta de tempo. ''É fazendo malabarismo puro; tem que fazer das 'tripas coração', porque além de tudo, você ainda tem que arrumar tempo para lazer e uma série de outras atividades''.


