SUAS COMPRAS - Embalagens podem interferir no sabor dos alimentos?
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quarta-feira, 24 de junho de 2009
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
Você também prefere consumir refrigerantes em embalagem de vidro? Não são raros os comentários sobre essa preferência e também não é a toa que o mercado de retornáveis é a nova aposta das indústrias de refrigerantes. Se há dez anos, o velho vidro parecia coisa de museu, atualmente, não há nada mais moderno e ecologicamente correto. Informações da indústria de refrigerantes indicam que os retornáveis têm apresentado crescimento de 30% ao ano, enquanto o aumento do mercado total acompanha a evolução do Produto Interno Bruto brasileiro, estimado em 2% neste ano.
Mas a evolução dos tempos também permitiu o desenvolvimento de outros produtos, como latas de alumínio, cartonados e plásticos. As peculiaridades de cada embalagem são explicadas pela professora Marly Sayuri Katsuda, de Embalagens para Alimentos, da Universidade Tecnológica Federal. Ela explica que as embalagens de vidro conservam o aroma das bebidas e funcionam como uma barreira a gases inerte, isto é, que não interage com os alimentos. Além disso, como barreira a gases, o material impede que o ar entre no interior da embalagem promovendo o desenvolvimento microbiano e reações de oxidação de alguns componentes da bebida.
As embalagens de vidro de cor âmbar funcionam como uma espécie de barreira à luz e, por isso, ideais para armazenamento de vinhos e cervejas. Desta forma, o material garante a estabilidade de pigmentos e vitaminas. ''O vidro tem grande aceitabilidade do público porque oferece um grau de sofisticação demonstrando que o produto apresenta boa qualidade'', afirma Marly. Já as garrafas pet (politereftalato de etila, embalagens poliméricas), apesar de receber corantes na sua composição não oferece a mesma sofisticação e a propriedade barreira que as embalagens de vidro. Elas são reconhecidas pelo consumidor como embalagem apropriada para sucos e refrigerantes.
''Embalagens poliméricas apresentam limitações para a retenção do gás de bebidas carbonatadas'', explica a professora. Já os materiais metálicos oferecem essa barreira comparado ao vidro, além de apresentar excelente condução térmica e, por isso, gelam as bebidas mais rapidamente do que as demais embalagens. ''Já foram feitos testes com consumidores que não conseguiram distinguir diferenças entre as embalagens. Sensorialmente não é possível identificar se uma bebida ficou armazenada em vidro, pet ou lata, acredito que conta mais o 'fator psicológico''', diz.
Ela acrescenta que as embalagens pet só perdem o gás se houver falha na armazenagem ou se houver uso de matéria prima reciclada. Já os metais conseguem reter o gás, desde que não haja falhas na solda. Por isso, as latas geralmente são constituídas de duas peças, o que minimiza o problema de furos e os pontos de vazamento.


