O que a maioria dos consumidores já sabe, agora é lei. As embalagens de ovos deverão trazer advertências sobre consumo e preparo do produto, segundo norma da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovada na semana passada. Além do prazo de validade, as embalagens devem trazer duas recomendações: ‘‘O consumo deste alimento cru ou mal cozido pode causar danos à saúde’’ e ‘‘Manter os ovos preferencialmente refrigerados’’.
  As empresas terão seis meses para se adaptar às novas regras. A Anvisa baseia sua decisão em um estudo do Ministério da Saúde que aponta o ovo como principal alimento envolvido em surtos de doenças transmitidas por alimentos no país se considerado como agente causador a salmonela. O estudo mostra que, entre 1999 e 2007, o consumo de ovos crus ou mal cozidos foi responsável por 22,6% dos 5.699 casos desse tipo de doença notificados ao Ministério da Saúde.
  A diretora da Anvisa, Maria Cecília Brito, justifica, por meio da assessoria de imprensa da entidade, que o objetivo da medida é ‘‘alertar a população sobre procedimentos que podem ajudar a evitar a transmissão da salmonella pelo ovo. Essa bactéria é muito comum na casca e no interior deste alimento cru e pode causar infecções alimentares’’.
  Ainda conforme a assessoria, Maria Cecília afirma que as novas normas não deverão provocar uma redução no consumo do produto. ‘‘O ovo é um alimento muito importante do ponto de vista nutricional, não é preciso diminuir o consumo do alimento, apenas alguns cuidados devem ser tomados’’, esclarece.
  Os proprietários de granjas, porém, estão preocupados. ‘‘Vemos um pouco de exagero nesta exigência (da Anvisa). Os casos de infecção alimentar por meio da ingestão de ovo têm um percentual muito baixo. A maioria é por falta de higiene de quem manipula os alimentos. Além disso, mais de 50% dos casos de intoxicação alimentar são causados por vírus e não por salmonella’’, afirma o veterinário Américo Sazaka, que trabalha para várias granjas do Estado. Ele diz, por exemplo, que o manipulador do alimento pode trazer a salmonella ‘‘debaixo da unha’’.
  Segundo Sazaka, o setor teme uma queda no consumo, levando em conta que as inscrições na embalagem podem assustar quem tem o hábito de comprar ovo. ‘‘Dá margem para que o ovo apareça como culpado por todos os casos de intoxicação alimentar. E isso não é verdade’’, diz o veterinário. Ele destaca que a inspeção sanitária nas granjas é rigorosa. ‘‘O pintinho que chega (na granja) já vem com análise de salmonella negativa’’, reforça.
  O veterinário adianta que o setor avícola pretende se mobilizar para questionar a exigência da Anvisa junto ao governo. A reportagem tentou, mas não conseguiu localizar representantes da Associação de Avicultura do Paraná (Avipar) para dar entrevista sobre o assunto.

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