O quilo da mussarela São Leopoldo estava a R$ 4,40 em um supermercado de Londrina no dia 27 de dezembro do ano passado. E não era nenhuma liquidação de final de ano. Algumas semanas depois, ainda era possível encontrar o produto em torno de R$ 6,00 o quilo no mesmo supermercado. Hoje, entretanto, a situação é bem diferente: o quilo do produto está variando entre R$ 12,90 e R$ 16,00. Não apenas a mussarela, mas boa parte dos derivados de leite acompanhou o preço da matéria prima, sofrendo variações de acordo com a marca, os tipos de produtos e os pontos de venda.
A empresária Silvia Siqueira foi a um supermercado para comprar alguns derivados de leite e estava um pouco assustada com os preços. ''Tenho notado um aumento destes produtos nas últimas semanas e não vejo razão para tantos aumentos; está muito abusivo''. E explica que atitudes toma quando avalia que os preços das mercadorias estão elevados. ''A gente tenta diminuir a quantidade. Ao invés de uma variedade de iogurtes, a gente leva um tipo só; a manteiga a gente troca pela margarina; mas o leite não tem como substituir, a gente tem que levar mesmo''. Ainda segundo ela, é difícil encontrar promoções destes produtos nesta época nos supermercados''.
O bancário Júnior Orlando dos Santos estava comprando leite longa vida, iogurtes e leite em pó. Ele vem observando aumentos regulares de preços ''há dois ou três meses''. Santos comprava um tipo de leite em garrafa por R$ 1,80 e hoje o mesmo leite está a R$ 2,79. ''No geral, todos os preços aumentaram, tanto de leite, quanto de derivados, mas a média dos queijos e iogurtes não parece tão alta quanto do próprio leite''. Só para se ter uma idéia, o litro do leite longa vida subiu 100% em média, no último semestre.
O bancário sugere que o consumidor deixe de comprar o que está mais caro até baixar os preços''. Outra sugestão apontada por ele é a substituição de mercadorias, mas reconhece que isto nem sempre é possível. ''O leite em pó para a minha filha não tem como substituir. A gente tem que comprar todo mês, esteja barato ou caro''.
A cabeleireira Tânia Rocha Rosendo notou que o preço estava ''um pouquinho mais alto'' ao comprar uma bandeja de iogurtes. Ela compra este e outros derivados de leite com uma certa frequência, mas o aumento a fez assumir uma nova condição. ''A gente tem que procurar marcas mais em conta. Não tem como se manter fiel a uma marca se o preço subiu. Às vezes, têm marcas desconhecidas e os produtos são bons''. O aumento nos preços dos derivados de leite fez Tânia ficar mais atenta às promoções, principalmente de queijos e requeijão.

Projeto aumenta produção na entressafra
  O aumento de preços do leite e seus derivados nesta época do ano ocorre em razão da entressafra, que compreende as estações outono e inverno. Mas a - Agroindustrial Cooperativa Central (Confepar), que embala os leite Polly e Cativa, está desenvolvendo um projeto junto a seus associados para aumentar a produção de leite neste período.
  Uma equipe técnica da cooperativa atende cerca de 400 produtores em vários municípios do Paraná. O trabalho consiste em melhorar o manejo e a alimentação do rebanho, que sofre com a redução da pastagem durante o frio. Os primeiros resultados são considerados ‘‘extremamente’’ positivos: há propriedades em que a produção de leite mais que dobrou, mesmo na entressafra, após a adoção da nova tecnologia.
  A assessora de comunicação da Confepar explica que o projeto tem por objetivo aumentar a produção de leite na entressafra, uma época que se caracteriza não apenas pela redução da produtividade, mas principalmente pelo aumento do consumo em até 40%. A cooperativa fez uma parceria com a Embrapa de São Carlos (SP), que é especialista em pecuária leiteira, para desenvolver o projeto. (E.A.)

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