SUAS COMPRAS - De olho na qualidade da água mineral
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terça-feira, 09 de setembro de 2008
Gisele Mendonça<br> Reportagem Local 
Nos dias de calor, o consumo de água mineral cresce mais de 50% e as distribuidoras dobram o número de funcionários para dar conta da entrega dos galões de 20 litros. Grande parte dos consumidores faz a sua escolha pelo menor preço os galões vão de R$ 4,50 a R$ 7, dependendo da marca ou vai pela sugestão do próprio distribuidor, o que mostra que nem sempre a qualidade é levada em conta. Quando liga para o disque-água, você sabe que tipo de produto está comprando?
Para começar, todo consumidor de água mineral deve olhar no rótulo para saber se a empresa mineradora (que extrai a água da fonte) tem registro do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O primeiro órgão supervisiona a qualidade das fontes e o segundo trata das boas práticas para o envase, o transporte e o armazenamento.
Já é um bom começo para colocar dentro de casa uma água que, pelo menos, está sendo monitorada. Mas há outros caminhos para quem quer saber mais. O consumidor pode solicitar, através do próprio distribuidor, um laudo técnico da mineradora sobre a qualidade do produto que está comprando. A empresa tem a obrigação de fornecer. Assim é possível saber se a água foi submetida, por exemplo, à teste bacteriológico.
É preciso observar no resultado se tem ausência de coliformes fecais e coliformes totais, explica a farmacêutica e bioquímica Halha Ostrensky Saridakis, professora do departamento de microbiologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Ela explica que hoje também existe a preocupação com a contaminação pela bactéria pseudomonas. Neste caso, segundo a professora, a água ganha sabor e aroma de tutti frutti e pode adquirir tom esverdeado.
A localização das fontes de onde é extraída a água também deve ser questionada pelo consumidor. Se a fonte for próxima à zona urbana há risco de contaminação por causa das fossas antigas das cidades. Se estiver perto de área agrícola, a preocupação é com defensivos, diz Halha. Ela reforça que o consumidor tem que aprender a exigir, solicitando o máximo de informações sobre o produto.
No geral, diz a professora, é preciso observar se a água não está turva e não tem cheiro e se os galões não estão danificados. Galão danificado pode facilitar a contaminação da água, assim como a exposição ao sol ajuda a multiplicar as bactérias, alerta.
O comerciante Renato Magalhães, há oito anos no setor de água mineral em Londrina, informa que as mineradoras não estão aceitando que as distribuidoras enviem galões danificados para o envase. Fizemos um investimento alto para trocarmos os nossos galões. Como os nossos são novos, às vezes temos que deixar de atender clientes caso o galão que ele vai nos devolver é danificado, soldado, afirma Magalhães, que vende seis marcas de água. Ele comercializa mensalmente cerca de quatro mil galões no inverno e em torno de seis mil galões no verão.
Quanto ao armazenamento, o comerciante diz que na sua empresa os galões ficam dentro de um barracão coberto, longe do sol, e não têm contato direto com o chão. Quando fazem entrega, os próprios entregadores levam material para limpar a superfície dos galões antes de instalar no suporte. O consumidor deve procurar conhecer a empresa da qual compra água. No verão, podem surgir aventureiros no setor, que geralmente não tomam todos os cuidados necessários, diz.
Galões são envasados utomaticamente
Do jeito que sai da fonte, a água mineral é captada por uma bomba e acondicionada em tanques de inox. Os galões que vão receber a água são lavados em temperatura superior a 80 graus e esterilizados. Depois vão para o envase, recebem a tampa e o lacre. Tudo é feito automaticamente. Só há contato manual na hora de colocar o rótulo no galão, explica Rogério Braz, gerente comercial de uma mineradora localizada em Iguaraçu (34 km ao norte de Maringá). A empresa está no mercado há 10 anos e vende uma média de 150 mil galões de 20 litros por mês no auge do verão.
Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Águas Minerais (Abinam), o Paraná tem hoje 32 empresas que extraem e comercializam água mineral. O presidente da entidade, o geólogo e empresário Carlos Alberto Lancia, informa que as empresas são submetidas à fiscalização de rotina dos órgãos competentes. Cada empresa tem que ter o seu próprio laboratório para análise da água, que também deve passar por análises oficiais. (G.M.)
Consumidores são fiéis às marcas
Consumidores ouvidos pela FOLHA costumam ser fiéis às marcas mais conhecidas de água mineral. A consultora de cursos Najla França passou a comprar água há um ano e meio pela preocupação com saúde e qualidade de vida. Tomei água da torneira durante muito tempo, mas resolvi mudar, conta ela, que compra galão de cinco litros de uma única marca a cada seis dias.
A secretária e estudante de nutrição Clyssia Moreira diz que sua família utilizava filtro de barro e há alguns anos passou a comprar água mineral em galão de 20 litros. Acredito que a água seja de boa qualidade, mas na verdade não vejo muita diferença entre a mineral e a água da Sanepar. Na faculdade, fizemos análise das duas e o resultado foi basicamente o mesmo, diz.
Já a professora universitária Emília Barão não abre mão da água mineral nem para cozinhar. Não acho que o tratamento (feito pelas empresas de saneamento) é suficiente para que a água da torneira fique realmente pura, afirma ela, que consome até quatro litros por dia. Na hora de comprar, fica com algumas marcas que considera confiáveis e sempre procura no rótulo informações sobre a fonte. (G.M.)


