Suas compras - Consumidor quer simplicidade nos rótulos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 25 de outubro de 2006
Eli Araujo<br> Reportagem local 
A embalagem exerce um papel decisivo na hora da compra. O consumidor não está preocupado apenas com a qualidade do produto, mas também com a forma como ele é apresentado. Entre dois produtos com as mesmas características, o consumidor quase sempre opta por aquele que sente atração visual. Mas apesar de bonitos, a maioria dos rótulos deixa a desejar em termos de clareza e entendimento de seus conteúdos.
O vendedor Ed Teófilo observa bem os rótulos dos produtos, mas admite que não consegue ler o que está escrito. ''As letrinhas são muito miúdas'', diz. Outro problema citado por ele são as combinações de cores que impedem a leitura. ''Aí fica mais difícil ainda''. Teófilo também sente dificuldade com os termos técnicos. ''Não consigo entender a descrição dos ingredientes; sobre gordura trans, por exemplo, eu já vi reportagem, mas a gente não grava, não memoriza''. O vendedor apresenta uma sugestão para que as pessoas consigam assimilar melhor a linguagem dos rótulos. ''Seria mais fácil o uso de termos mais simples, na linguagem popular fica bem melhor para a gente entender'', afirma.
A cabeleireira Juliana Batista diz que olha os rótulos de todos os produtos, sem exceção, e aponta o uso indevido de algumas informações só para valorizar o produto. ''O azeite não tem gordura trans, mas eles colocam isso para fazer marketing''. Quanto ao conteúdo dos rótulos, ela diz que tem apenas conhecimento parcial. ''Como dona de casa, a gente acompanha e até entende uma parte, mas tem muita coisa que a gente não entende, não sabe; a linguagem dos rótulos é muito complicada''. Na opinião dela, ''a embalagem deveria trazer as informações de uma forma mais clara, melhor explicadas''.
O professor João Luiz Gilberto de Carvalho, da área de marketing, concorda com a opinião dos consumidores que acham muito complicado o conteúdo dos rótulos. Ele reconhece a existência de problemas como o uso de termos técnicos, a utilização de letras muito pequenas e a combinação de cores que dificulta a leitura. Quanto a este detalhe, Carvalho afirma que não há nenhuma legislação que regulamente o uso de cores e que algumas combinações não acontecem por acaso. ''Tenho certeza que o propósito é dificultar a leitura'', afirma. De acordo com o professor, as embalagens ainda podem ser classificadas como abusivas ou enganosas. Enganosa é quando mente ou omite informação, e abusiva quando usa imagens que leva o consumidor a entender outra coisa.
Segundo o professor, ''os rótulos devem falar a linguagem do dia-a-dia, colocar sal no lugar de sódio, açúcar no lugar de glicose''. Ele ainda sugere que o conteúdo deve ser de fácil leitura e o uso das cores ser melhorado ''em respeito ao consumidor''.


