Suas compras - Como entender a linguagem dos rótulos
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 23 de outubro de 2006
Eli Araujo<br>Reportagem local 
Uma pesquisa realizada há pouco tempo por professores da Universidade de Brasília concluiu que a maioria das pessoas não entende o que está escrito nos rótulos das mercadorias. Isto, porém, não deve ser motivo de chateação. É que a linguagem dos rótulos realmente é complexa e, às vezes, até mesmo quem trabalha no dia-a-dia com tais informações precisa recorrer a dicionários ou à internet para entender seu significado. A falta de entendimento, entretanto, não é o único problema para os consumidores. Alguns produtos podem ter letras muito miúdas nos rótulos ou uma combinação de cores que dificulta a leitura.
Para traduzir a linguagem dos rótulos, a Folha de Londrina convidou a doutora Rejane Dias das Neves Souza, professora de Tecnologia de Alimentos na Unopar, e apresentou a ela uma relação dos termos presentes em alguns produtos de grande consumo. O resultado deste trabalho, está sendo publicado, a partir de hoje, em uma série de três reportagens.
O que se pode observar conversando com os consumidores é que a maioria, realmente, não tem o hábito de ler os rótulos. Um exemplo é a consultora de vendas Angelita Rosário Moreira que nunca deu importância ao conteúdo dos rótulos, mas que pretende mudar de atitude a partir de agora. Ela estava perto de uma gôndola de suco em pó em um supermercado e apanhou uma embalagem para ver o que estava escrito. Eu não consigo ler, e olha que eu não tenho problema de vista, afirmou perplexa. E ao ser indagada a respeito de um dos ingredientes, ela brincou: Eu não sei o que é isso, mas se fosse veneno eu estava morta.
O farmacêutico Marcel Lozovoy lida diariamente com bulas que, tradicionalmente são extensas e com letras bem pequenas, mas quando o assunto é rótulo ele admite que só observa o prazo de validade. Eu deveria ver melhor a descrição dos ingredientes, mas quase nunca faço isso porque não consigo entender o que está escrito. Na opinião dele, os rótulos deveriam ser mais explicativos.
A professora Rejane reconhece que não é fácil entender o conteúdo dos rótulos. É realmente difícil porque a gente não tem como transformar isso numa linguagem mais clara para o consumidor, afirma. Mesmo assim, ela admite que houve progresso em termos de legislação porque antes as embalagens apresentavam apenas os números dos ingredientes.
De acordo com a professora, só existe uma forma para as pessoas terem maior familiaridade com estes termos: A única saída é ler, é buscar informações; hoje há informações na internet sobre qualquer terminologia utilizada pelas indústrias, sugere.
Na reportagem de amanhã, além de outros termos apresentados nas embalagens, você ainda vai saber o que significa a expressão contém glúten.


