Uma pesquisa realizada há pouco tempo por professores da Universidade de Brasília concluiu que a maioria das pessoas não entende o que está escrito nos rótulos das mercadorias. Isto, porém, não deve ser motivo de chateação. É que a linguagem dos rótulos realmente é complexa e, às vezes, até mesmo quem trabalha no dia-a-dia com tais informações precisa recorrer a dicionários ou à internet para entender seu significado. A falta de entendimento, entretanto, não é o único problema para os consumidores. Alguns produtos podem ter letras muito miúdas nos rótulos ou uma combinação de cores que dificulta a leitura.
  Para ‘‘traduzir’’ a linguagem dos rótulos, a Folha de Londrina convidou a doutora Rejane Dias das Neves Souza, professora de Tecnologia de Alimentos na Unopar, e apresentou a ela uma relação dos termos presentes em alguns produtos de grande consumo. O resultado deste trabalho, está sendo publicado, a partir de hoje, em uma série de três reportagens.
  O que se pode observar conversando com os consumidores é que a maioria, realmente, não tem o hábito de ler os rótulos. Um exemplo é a consultora de vendas Angelita Rosário Moreira que nunca deu importância ao conteúdo dos rótulos, mas que pretende mudar de atitude ‘‘a partir de agora’’. Ela estava perto de uma gôndola de suco em pó em um supermercado e apanhou uma embalagem para ver o que estava escrito. ‘‘Eu não consigo ler, e olha que eu não tenho problema de vista’’, afirmou perplexa. E ao ser indagada a respeito de um dos ingredientes, ela brincou: ‘‘Eu não sei o que é isso, mas se fosse veneno eu estava morta’’.
  O farmacêutico Marcel Lozovoy lida diariamente com bulas que, tradicionalmente são extensas e com letras bem pequenas, mas quando o assunto é rótulo ele admite que só observa o prazo de validade. ‘‘Eu deveria ver melhor a descrição dos ingredientes, mas quase nunca faço isso porque não consigo entender o que está escrito’’. Na opinião dele, os rótulos deveriam ser mais ‘‘explicativos’’.
  A professora Rejane reconhece que não é fácil entender o conteúdo dos rótulos. ‘‘É realmente difícil porque a gente não tem como transformar isso numa linguagem mais clara para o consumidor’’, afirma. Mesmo assim, ela admite que houve progresso em termos de legislação porque antes as embalagens apresentavam apenas os números dos ingredientes.
  De acordo com a professora, só existe uma forma para as pessoas terem maior familiaridade com estes termos: ‘‘A única saída é ler, é buscar informações; hoje há informações na internet sobre qualquer terminologia utilizada pelas indústrias’’, sugere.
  Na reportagem de amanhã, além de outros termos apresentados nas embalagens, você ainda vai saber o que significa a expressão ‘‘contém glúten’’.

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