SUAS COMPRAS - Comércio de tecidos sobrevive aos tempos modernos
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sexta-feira, 15 de maio de 2009
Eli Araujo<br> Reportagem Local 
As lojas que vendem tecidos por metro faziam parte do cenário urbano de todas as cidades, independente de tamanho, até o final da década de 1960 e começo de 1970. É o tipo da imagem que permanece na memória de quem hoje está na casa dos 40, 50 anos ou mais. Porém, com o aumento da produção industrial de roupas em larga escala, aos poucos as lojas de tecidos foram sumindo do mapa e hoje são poucas que conseguem se manter em um mercado cada vez mais exigente e em busca do que é mais fácil e mais prático.
O movimento de clientes nas lojas de tecidos que sobrevivem à modernidade é relativamente pequeno se comparado aos setores de eletrodomésticos ou equipamentos digitais, por exemplo. Uma das lojas mais tradicionais de tecidos que se mantém de portas abertas é a Chafic Tecidos, na área central de Londrina.
O gerente João Faria trabalha na loja fundada pela família há mais de 60 anos. Segundo ele, a clientela procede de toda a região, num raio de 100 quilômetros, e inclusive de cidades mais distantes, tais como Guarapuava, no Centro-Sul, Bauru, Marília e Ourinhos, no interior de São Paulo.
Faria explica que há uma parcela de clientes que se mantém fiel às lojas de tecidos por opção ou por necessidade. Neste caso, estão as pessoas com sobrepeso e que preferem encomendar as próprias roupas. E mesmo com a fidelidade ao tecido, o espaço entre uma compra e outra pode variar de uma semana até um ano. Outra característica do público é a idade: a maioria tem mais de 40 anos e ainda tem alguma lembrança da experiência familiar com costura em casa.
O gerente diz que há várias razões para a redução do número de lojas de tecidos no comércio. Uma delas é a mudança de hábitos: a máquina de costura, que tinha o seu espaço garantido no ambiente doméstico, hoje é algo raro de se encontrar. Antigamente se vendia muito tecido porque todo mundo tinha a sua máquina de costura, a mulher sabia fazer uma confecção e a noiva levava a máquina como parte do enxoval, e hoje ela vai se casar e nem sabe direito o que é o equipamento, afirma.
Embora tenha mudado este perfil, as lojas continuam sendo procuradas por pessoas que se preparam para o casamento. O gerente diz que neste público estão as mães que fizeram compras quando se casaram e que conhecem tecidos que duram até 20 anos, quando bem cuidados. A cliente compra bastante nesta ocasião, gasta cerca de R$ 2 mil a R$ 3 mil, e só volta depois de um ano para comprar outras coisinhas. Então é preciso uma clientela muito grande para se atingir um certo volume de vendas, argumenta.
Outro motivo apontado pelo gerente é que uma loja de tecido exige um investimento muito alto e com retorno apenas a longo prazo. É preciso muito capital para se montar um estabelecimento igual a esse; não é como um supermercado que tem um giro rápido, afirma. Ele diz que a empresa compra tecidos para pagar em 30, 60 ou 90 dias, mas há peças que demoram até 15 ou 20 anos para serem comercializadas. Segundo ele, a exceção é quando um tecido está associado a algo da moda, como a novela Caminhos das Índias, atualmente.
O gerente da Chafic também associa a redução no número das lojas de tecidos ao desenvolvimento urbano. Em sua opinião, isto acontece no Norte do Paraná em função da proximidade com o Estado de São Paulo. Ele diz que viaja muito para Minas Gerais, onde o segmento permanece atuante. Quanto ao Paraná, o gerente acha que o comércio de tecidos não se prolonga por muito mais tempo. A menos que esteja enganado, acho que daqui 10 ou 20 anos este tipo de comércio vai desaparecer em Londrina.


