SUAS COMPRAS - Coleção outono/inverno pesa no bolso do consumidor
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quinta-feira, 24 de abril de 2008
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba - As roupas da coleção outono/inverno chegaram às lojas até 15% mais caras para o consumidor final. A indústria repassou um aumento de 5% para o varejo. Os fabricantes tiveram reajuste nos tecidos, aviamentos, energia elétrica, mão-de-obra, além da alta das taxas de juros. O presidente do Sindicato da Indústria do Vestuário de Londrina, Marcos Tadeu Koslovski, disse que as indústrias receberam um aumento de 6% no algodão, devido à grande demanda pelo produto, inclusive da China.
''Cada dia as peças de vestuário vão ficando com mais valor agregado. Como vamos manter o mesmo preço da coleção passada?'', questionou Koslovski. Segundo ele, os materiais sintéticos estão mais baratos neste ano por conta da queda do dólar. O sindicato de Londrina representa 432 indústrias que geram 12 mil empregos diretos.
A nova coleção começou a chegar nas lojas neste mês e a boa notícia é que as peças importadas estão mais baratas em função do dólar. De acordo com informações do Departamento de Moda da loja Havan, este ano, as peças serão confeccionadas principalmente em jeans, tricoline, sarja, cambraia e estamparias como xadrez e listrados. No ano passado, a moda estava mais voltada para malharia.
A Havan informou que os itens que mais pesaram para o reajuste são aviamentos, bordados e mão-de-obra, já que os trabalhadores das indústrias tiveram a data-base no final do ano passado.
As peças masculinas que mais vendem são jeans, camisetas, camisas e jaquetas. Os itens femininos mais procurados são jeans, tricoline, cambraia, camisete, jaquetas e casacos diferenciados.
O supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Cid Cordeiro, explicou que esse repasse que as indústrias estão fazendo mostra o aquecimento do consumo de vestuário. Ele lembrou que no ano passado houve um aumento da tarifa de importação do setor de 20% para 35%. O governo federal também ampliou a fiscalização nas importações. ''O Brasil tinha um volume significativo de importação que entrava no País com preços subfaturados'', destacou.
Cordeiro disse que, em anos anteriores, a indústria não conseguia repassar os reajustes para o comércio porque tinha concorrência grande dos importados. Hoje, a competição é menor devido às medidas de proteção que o governo federal adotou. Isso está facilitando o repasse de preços para o consumidor final.
Ele alertou que o consumidor que comprar agora vai pagar mais caro. Por outro lado, quem esperar as promoções, que acontecem de julho a agosto, vai encontrar preços menores mas, terá opções de compra mais reduzidas. Cordeiro destacou que há promoções que não oferecem redução real de preços.
''A melhor opção de compra é à vista'', disse. Mas, no caso de compras em lojas de departamentos que não oferecem desconto à vista, a compra pode ser feita a prazo no caso das pessoas que têm controle do orçamento. ''O ideal é administrar o orçamento apenas com o rendimento mensal'', destacou.


