SUAS COMPRAS - Casamento requer amor e... planejamento
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segunda-feira, 18 de maio de 2009
Bia Moraes<br> Colunista da Folha 
Casar é realizar um sonho - mas é preciso que os noivos tenham os pés bem no chão para que o futuro não seja desastroso. Ao decidir pela união formal, o casal precisa compartilhar não só amor, desejos e planos. Dinheiro é parte importante do enlace. Sem planejamento financeiro adequado, a vida a dois começa com dívidas, e o sonho pode virar pesadelo.
Para evitar a situação, o caminho é planejar e poupar. O objetivo é fazer cerimônia, festa e lua-de-mel da melhor forma possível, adequando o casamento as vontades e a situação financeira do casal e suas famílias, para começar a vida a dois sem endividamento. Ideal é começar a guardar dinheiro dois anos antes do casamento. Menos do que isso, dizem os consultores, pode ser pouco tempo para juntar os recursos necessários para tudo que um casamento demanda - incluindo até a entrada em um imóvel próprio. Mais do que dois anos, por outro lado, pode ser um período muito longo para os noivos esperarem.
Breno Lemos, professor de Macroeconomia na PUC-PR, calcula que um tempo muito curto de poupança, como seis meses, exigiria um grande fluxo de renda dos noivos. ''Seria preciso reservar cerca de 4 mil reais por mês. Isso para uma cerimônia modesta'', observa. Além disso, em apenas seis meses, o rendimento de qualquer aplicação financeira seria muito pequeno. ''Já por um ano, o cenário melhora. Qualquer aplicação conservadora dá um retorno de 9,5% líquidos, um bom rendimento'', analisa o especialista. O período entre um ano e meio e dois anos é ainda melhor, conclui.
Ele recomenda ''paciência e muita pesquisa'' para quem pretende casar. Afinal, como em todo setor de grande demanda, a indústria do casamento proporciona aos noivos um leque bem amplo de opções, entre serviços e produtos, como bufê, bolo, doces, fotografia e vídeo, som e música, lembranças, vestido de noiva, viagem de lua-de-mel. A lista é enorme e vai do básico até desejos bastante específicos do casal. ''A chave é mesmo o planejamento'', recomenda Lemos.
Para guardar o dinheiro a ser utilizado para o casório, Breno Lemos recomenda que os noivos se afastem de aplicações financeiras agressivas, que apresentam alta rentabilidade e também alto risco. ''A poupança sem dúvida é um porto seguro, mas a grande vedete do momento são as CDBs, com resgate de um ou dois anos'', comenta o professor. Ele lembra que é preciso pesquisar também para fazer a aplicação. ''Os custos de administração variam de banco para banco'', observa.
Escritor e consultor financeiro, Raphael Cordeiro faz coro na receita. ''Nada de aplicações de alto risco. Já pensou perder o dinheiro na véspera do casamento? Nem pensar'', comenta o autor do livro ''O Sovina e o Perdulário''. Cordeiro também recomenda como ideais o CDB e títulos de renda fixa, que apresentam boa rentabilidade. Títulos públicos também são indicados pelo consultor, pois podem render o equivalente, ou mais, e apresentam menor risco.
Raphael Cordeiro exemplifica com uma situação real. Se os noivos conseguem guardar R$ 1,5 mil por mês, aplicando o dinheiro durante dois anos, podem fazer um belo casamento. O principal, de acordo com o consultor, é estarem os dois em sintonia e planejar juntos. ''O primeiro passo é cada um ter seu orçamento pessoal organizado. Assim, se for necessário, pode-se reduzir despesas para juntar os recursos do casamento desejado'', analisa.
Importante, dizem os especialistas, é começar a vida nova sem dívidas. ''Os noivos podem até ter uma ou outra briga quando estão planejando, mas isso não estraga o relacionamento. Pelo contrário, compartilhar o projeto financeiro do casal é bom, indica que estão no caminho certo. Dá para amar e ter os pés no chão. Muito pior é casar e começar a brigar por causa de dinheiro, justamente na época de começar a vida ao lado da pessoa amada. Isso sim é que estraga o romance do casal'', diz Raphael Cordeiro.
Por isso, o ideal é mesmo juntar e aplicar os recursos, para pagar tudo a vista. ''A capacidade de negociação é muito grande para quem tem o dinheiro na mão. É preciso pesquisar, negociar e pedir descontos reais'', diz Breno Lemos. O casal deve evitar ao máximo contratar serviços ou adquirir produtos para o casamento em parcelas. ''Fica mais caro e joga a dívida para a frente'', aponta Raphael Cordeiro.
Para ele, quem é naturalmente desorganizado com orçamento pessoal e não lida bem com finanças é quem deve procurar uma consultoria, independente de seus rendimentos. ''É um serviço essencial para quem tem dificuldade com números'', observa. ''Porém é desnecessário para quem é organizado e já tem familiaridade com o orçamento''. De acordo com Raphael Cordeiro, o casal deve entrar em sintonia nesse quesito e fazer o orçamento a dois, antes de casar. ''Não adianta um ser bem certinho com as contas e o outro desandar, e não seguir o planejamento. É briga na certa'', afirma. Quem quiser usufruir alguns conselhos práticos e dicas de Cordeiro, pode consultar o blog ''O Guardião do Seu Dinheiro'', dentro do site www.raphaelcordeiro.com.br.


