Acém, paleta, músculo dianteiro e peito. No balcão do açougue ou do supermercado, estes são alguns cortes de carne bovina considerados ''de segunda'' e que nem sempre agradam o paladar do consumidor, que geralmente paga mais caro pelos cortes tradicionais. Porém, o especialista em cortes de carnes Marcelo Conceição - que ministra o 1º Simpósio sobre Desossa até o dia 8 de abril na ExpoLondrina - prova que é possível preparar pratos suculentos em casa ou mesmo um bom churrasco sem precisar gastar com uma peça de picanha, contrafilé, maminha ou alcatra.
Seguindo o slogan ''Se o boi é de primeira, não existe carne de segunda'', Conceição dá dicas a donas de casa e apreciadores de carne de como economizar e aproveitar melhor todos os cortes do animal. ''A parte dianteira do bovino é onde estão as carnes mais desvalorizadas, conhecidas como ''de segunda'', e geralmente vistas como de baixa qualidade. Entretanto, se o animal for jovem e de procedência, é possível aproveitá-lo praticamente todo para consumo'', comenta o consultor.
Para saber se o boi foi abatido no período correto, o consumidor deve ficar atento a alguns detalhes. Um das principais características de um animal jovem são os ossos finos e brancos, além da vermelhidão da carne. ''A gordura também deve estar bem clara, o que significa que o animal não foi abatido clandestinamente. Para os cortes da parte dianteira, uma boa gordura será fundamental para que a carne fique saborosa'', explica Marcelo.
Uma das técnicas utilizadas pelo especialista para valorizar alguns cortes ''de segunda'' é prepará-las em medalhão e servi-las no espeto. Peito, acém e ponta da paleta são alguns exemplos que chegam até se confundir com a picanha quando estão prontas para irem à churrasqueira. ''Se compararmos o quilo da picanha com o quilo de peito veremos que pode haver uma economia de 50% tranquilamente. São carnes ótimas para assar com preços muito baixos'', certifica Conceição.
Outro detalhe apontado pelo profissional que deve ser exigido pelo consumidor é a limpeza das peças no açougue ou supermercado. Peixinho, coxão duro, lagarto, alcatra e até mesmo o filé mignon têm que ser devidamente limpados. ''Temos que reivindicar ao açougueiro que a carne esteja impecável, pois até o filé mignon quando não está bem limpo fica com uma aparência ruim. Em alguns casos, se as ''peles'' e nervos não são retirados completamente, a carne pode enrijecer na hora do cozimento'', ressalta.
Para carnes maturadas é importante reparar na textura do produto, se a data de embalo é recente e se há muito sangue ''escorrido'' dentro da embalagem. ''Sangue dentro da embalagem significa que a carne passou por oscilações de temperatura muito bruscas, o que pode realmente fazer que o produto fique com um gosto diferente do normal'', aponta o especialista.
A culinarista Márcia Botelho Chaves tomou nota de diversas dicas dadas por Marcelo e salienta a importância dos consumidores frequentarem simpósios como este. ''Eventos assim ajudam principalmente as donas de casa a conhecerem melhor no que estão gastando. Trocar uma peça de carne por uma outra acaba sendo bem econômico'', completa Márcia.

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