Suas compras - Calculadoras ajudam a evitar surpresas
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sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007
Eli Araujo<br>Reportagem local 
Assim como existem as pessoas que compram de forma compulsiva, também existem aquelas que são extremamente rigorosas em suas contas, evitando a todo custo, gastar a mais que o necessário. E para estas o uso da calculadora é indispensável durante as compras em um supermercado, por exemplo.
O bancário André Cardoso conferia, com muita atenção, os preços de duas embalagens fechadas de carne bovina em um supermercado enquanto fazia as contas no celular. O objetivo era saber se compensava mais comprar um certo tipo de carne que estava em promoção ou outro que era mais mole e tinha menos gordura. Depois de fazer as contas direitinho, concluiu que valia mais a pena comprar a carne em promoção. A diferença é de quase R$ 2,00 e em percentuais chega a quase 20%, analisou.
Em termos de valores, pode parecer pouco, mas o bancário usa o tíquete-refeição para fazer parte das compras domésticas, um benefício que segundo ele deve ser bem administrado. A gente tem que comprar dentro do orçamento; não vou dispor mais do que o tíquete oferece, afirma. Cardoso explica que sua esposa também é rigorosa nas compras e que ela usava a calculadora comum quando não havia o recurso no celular.
A secretária Cristina Maria Paiva faz as compras com a calculadora ao lado para evitar surpresas. Não quero me assustar quando passar pelo caixa, brinca, mas garante que não teria como fazer a compra sem fazer as contas simultaneamente. Se você está sem a calculadora, começa a comprar, comprar e comprar e acaba esquecendo o principal. Ou seja, ela ajuda a controlar os supérfluos.
Cristina diz que faz apenas uma compra mensal e que sempre usou a calculadora na hora das compras. Com tanto rigor, ela desconhece o que é gastar além do limite. Com a calculadora não tem como extrapolar. As minhas despesas estão sempre dentro do previsto. Ao ser indagada se consegue levar o orçamento equilibrado até o final do mês, ela não teve dúvidas em responder: Sempre deu.
O médico Chafic Kallas, por sua vez, não tem o hábito de usar calculadoras na hora da compra. A gente já tem uma base e a minha cabeça já é uma calculadora, afirma. O que ele acha mesmo que varia muito em Londrina não são os preços e sim é a qualidade dos produtos. Uma hora é um lugar, outra hora é outro, mas eles não mantêm a qualidade principalmente das carnes, frutas e verduras.
Mesmo sem o uso de calculadora, Kallas diz que suas compras sempre ficam dentro do planejado. Ele considera, entretanto, que a calculadora é importante para quem está com o dinheiro contado. Os supermercados têm muitos atrativos, muitas ofertas e quem tem o orçamento certinho deve evitar surpresas quando passar pelo caixa. Na opinião do médico, as pessoas até usam pouco a calculadora nos supermercados com receio de parecerem muito reguladas ou pão duro. Mas, segundo ele, isto causa menos constrangimento do que a pessoa chegar ao caixa e devolver algumas mercadorias porque faltou dinheiro.
Calcular gastos é sinônimo de bom senso
Para o economista Renato Pianowski de Moraes, a calculadora é um quesito superinteressante na hora da compra, principalmente se a pessoa está com o dinheiro contado. Ir ao supermercado hoje virou passeio e se a pessoa não tomar cuidado, acaba levando coisas a mais e se assusta quando vê o resultado.
Segundo ele, o uso da calculadora pode ser sinônimo de bom senso. Se a pessoa está com o orçamento apertado, ela está coberta de razão, afirma. Ele diz que, ao contrário, há pessoas que não tomam os mesmos cuidados, compram à vontade e pagam suas compras com o cartão de crédito ou cheque pré-datado.
Pianowski destaca, porém, que tão importante quanto à calculadora é a pessoa observar bem os preços quando passa pelo caixa. Ele diz, por experiência própria, que várias vezes comprou um produto em promoção mas a máquina registradora não considerou aquele valor. Nem sempre o que está no cartaz corresponde à verdade, explica.
O economista diz ainda que a pessoa deve estar atenta a outros detalhes, mesmo com a calculadora em mãos. Ele afirma que a embalagem pode encarecer algumas mercadorias e cita o exemplo de produtos que podem ter preços parecidos, mesmo com pesos bem diferentes.
Pianowski também considera difícil alguém ter a noção exata de quanto vai gastar, fazendo uma compra razoável, sem o uso da calculadora. Isto, na prática, não funciona. (E.A.)


