Assim como existem as pessoas que compram de forma compulsiva, também existem aquelas que são extremamente rigorosas em suas contas, evitando a todo custo, gastar a mais que o necessário. E para estas o uso da calculadora é indispensável durante as compras em um supermercado, por exemplo.
  O bancário André Cardoso conferia, com muita atenção, os preços de duas embalagens fechadas de carne bovina em um supermercado enquanto fazia as contas no celular. O objetivo era saber se compensava mais comprar um certo tipo de carne que estava em promoção ou outro que ‘‘era mais mole e tinha menos gordura’’. Depois de fazer as contas direitinho, concluiu que valia mais a pena comprar a carne em promoção. ‘‘A diferença é de quase R$ 2,00 e em percentuais chega a quase 20%’’, analisou.
  Em termos de valores, pode parecer pouco, mas o bancário usa o tíquete-refeição para fazer parte das compras domésticas, um benefício que segundo ele deve ser bem ‘‘administrado’’. ‘‘A gente tem que comprar dentro do orçamento; não vou dispor mais do que o tíquete oferece’’, afirma. Cardoso explica que sua esposa também é rigorosa nas compras e que ela usava a calculadora comum quando não havia o recurso no celular.
  A secretária Cristina Maria Paiva faz as compras com a calculadora ao lado para evitar surpresas. ‘‘Não quero me assustar quando passar pelo caixa’’, brinca, mas garante que não teria como fazer a compra sem fazer as contas simultaneamente. ‘‘Se você está sem a calculadora, começa a comprar, comprar e comprar e acaba esquecendo o principal. Ou seja, ela ajuda a controlar os supérfluos’’.
  Cristina diz que faz apenas uma compra mensal e que sempre usou a calculadora na hora das compras. Com tanto rigor, ela desconhece o que é gastar além do limite. ‘‘Com a calculadora não tem como extrapolar. As minhas despesas estão sempre dentro do previsto’’. Ao ser indagada se consegue levar o orçamento equilibrado até o final do mês, ela não teve dúvidas em responder: ‘‘Sempre deu’’.
  O médico Chafic Kallas, por sua vez, não tem o hábito de usar calculadoras na hora da compra. ‘‘A gente já tem uma base e a minha cabeça já é uma calculadora’’, afirma. O que ele acha mesmo que varia muito em Londrina não são os preços e sim é a qualidade dos produtos. ‘‘Uma hora é um lugar, outra hora é outro, mas eles não mantêm a qualidade principalmente das carnes, frutas e verduras’’.
  Mesmo sem o uso de calculadora, Kallas diz que suas compras sempre ficam dentro do planejado. Ele considera, entretanto, que a calculadora é importante para quem está com o dinheiro contado. ‘‘Os supermercados têm muitos atrativos, muitas ofertas e quem tem o orçamento certinho deve evitar surpresas quando passar pelo caixa’’. Na opinião do médico, as pessoas até usam pouco a calculadora nos supermercados com receio de parecerem ‘‘muito reguladas ou pão duro’’. Mas, segundo ele, isto causa menos constrangimento do que a pessoa chegar ao caixa e devolver algumas mercadorias porque faltou dinheiro.


Calcular gastos é sinônimo de bom senso

  Para o economista Renato Pianowski de Moraes, a calculadora é um ‘‘quesito superinteressante’’ na hora da compra, principalmente se a pessoa está com o dinheiro contado. ‘‘Ir ao supermercado hoje virou passeio e se a pessoa não tomar cuidado, acaba levando coisas a mais e se assusta quando vê o resultado’’.
  Segundo ele, o uso da calculadora pode ser sinônimo de bom senso. ‘‘Se a pessoa está com o orçamento apertado, ela está coberta de razão’’, afirma. Ele diz que, ao contrário, há pessoas que não tomam os mesmos cuidados, compram à vontade e pagam suas compras com o cartão de crédito ou cheque pré-datado.
  Pianowski destaca, porém, que tão importante quanto à calculadora é a pessoa observar bem os preços quando passa pelo caixa. Ele diz, por experiência própria, que várias vezes comprou um produto em promoção mas a máquina registradora não considerou aquele valor. ‘‘Nem sempre o que está no cartaz corresponde à verdade’’, explica.
  O economista diz ainda que a pessoa deve estar atenta a outros detalhes, mesmo com a calculadora em mãos. Ele afirma que a embalagem pode encarecer algumas mercadorias e cita o exemplo de produtos que podem ter preços parecidos, mesmo com pesos bem diferentes.
  Pianowski também considera difícil alguém ter a noção exata de quanto vai gastar, fazendo uma compra razoável, sem o uso da calculadora. ‘‘Isto, na prática, não funciona’’. (E.A.)

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