SUAS COMPRAS - Aumentos freqüentes dos preços irritam consumidores
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 28 de abril de 2008
Eli Araujo<br>Reportagem local 
Os consumidores com menos de 30 anos talvez não se lembrem das maquininhas de remarcação de preços que ficaram famosas no tempo da inflação alta, mas eles já percebem algo de diferente nos supermercados. Os preços de vários produtos, em especial de alimentos, estão sofrendo reajustes com uma frequência jamais vista desde que foi criado o Plano Real há 14 anos. Enquanto para alguns consumidores a culpa é da classe política ou dos especuladores, para outros a única saída é reduzir o consumo para não ''estourar'' o orçamento doméstico.
A artesã Jucelen Gonçalves está tão por dentro do assunto que estabeleceu até uma certa ordem cronológica para os aumentos de preços. ''O arroz vinha subindo gradativamente, o óleo de soja teve uma grande alta e o feijão nem se comenta''. No momento, a atenção dela se volta para a carne bovina. ''Fui ver o preço do filé mignon e fiquei espantada: está mais de R$ 23,00 o quilo; antes, eu pagava R$ 17,00 ou R$ 18,00''.
''Acho que o ovo não poderia ter subido tanto, porque se a pessoa não comer carne, ela vai comer ovo'', completa Jucelen. Para a artesã, a onda de aumentos pode ser atribuída ao reajuste do salário mínimo e à especulação. ''Eu acredito nisso porque antes eles colocavam a culpa no dólar e agora é no biodiesel; mas não tem nada a ver porque a safra foi recorde esse ano''.
A professora Roseli Romanha observa que os aumentos de preços de alimentos aconteciam até recentemente apenas nos períodos de entressafra. ''Agora, os produtos estão subindo independente de ser safra ou não; a gente percebe que os preços estão mais altos cada vez que vai ao supermercado''. Segundo ela, os aumentos de preços interferem no orçamento doméstico, exigindo constantes readequações, inclusive a redução de consumo. ''Tem coisa que a gente deixa de comprar porque se não vai gastar mais do que está ganhando. Se tudo sobe, você tem que diminuir a quantidade do que comprava. Não dá mais para comprar da mesma maneira''. Roseli teme que esta onda de aumentos de preços possa causar uma ''nova crise'' ao País.
A vendedora Shirley Dolce diz que está acompanhando os aumentos de preços do arroz, do feijão, do ovo, da carne bovina e de frango e tem uma noção muito clara de quem é a responsabilidade. ''No meu ponto de vista estes aumentos acontecem porque os políticos usam o dinheiro público em coisas particulares. Os deputados e senadores gastam milhões e quem paga tudo isso é o trabalhador brasileiro que ganha salário mínimo''.
Para ela, é difícil reverter esta situação de aumentos porque os governantes não têm consciência do problema. ''Eles aumentam os preços e a gente não tem como deixar de comprar porque não dá para ficar sem comer. Como vou reduzir meu consumo se tenho criança para tratar? A gente acaba sendo vítima da situação; tem que aceitar e ficar quieto''.


