As grandes livrarias não se intimidam com a premissa de que os jovens gostam muito de computador e pouca de leitura. E investem na criação de espaços exclusivos para o público infanto-juvenil. A internet, apontada como ''vilã'' na proliferação de ''bobagens'', tem se tornado uma aliada na divulgação de títulos que interessam especialmente aos jovens. Mas há, entre eles, alguns que já superaram esta fase de forma precoce e buscam leituras de maior conteúdo.
É o caso do estudante Lucas Rezende, 15 anos, que cursa o segundo ano do Ensino Médio. ''Não gosto muito dos livros infanto-juvenis. Já li os da série Harry Potter, mas parei''. O jovem tem optado por alguns autores nacionais. ''Gosto muito de Machado de Assis e Dias Gomes. Li 'Sucupira, Ame-a ou Deixe-a' e agora estou começando a ler 'O Pagador de Promessas'''. Lucas estava em uma livraria à procura de uma biografia de Fidel Castro. ''É uma história interessante'', define. E completa. ''Prefiro os livros com linguagem mais crítica, que sejam mais consistentes'', afirma.
A estudante Nathana Crispim, também de 15 anos, gosta dos livros infanto-juvenis porque ''retratam a realidade das adolescentes'', mas avalia que alguns títulos só tratam de ''futilidades''. Nathana cursa o segundo ano do Ensino Médio e diz que, por falta de tempo, está lendo pouco atualmente. ''Estou em busca de mais conteúdo'', justifica.
A administradora Maria do Carmo Bordin foi passear em uma livraria com as filhas Bruna, 14 anos, e Thais, 12. Bruna, que estuda o primeiro ano colegial, escolhia alguns títulos, mas havia decidido comprar um exemplar da série 'Diário da Princesa'. ''Esse livro conta a história de uma adolescente com a qual eu me identifico bastante''. Ela afirma ainda que adquiriu o hábito da leitura com incentivo da família. ''Comecei a ler Dom Quixote e depois passei a ler, ler e ler. Já li todos os Harry Potter''.
E Thais, que cursa a sétima série, segue o exemplo da irmã. O livro que uma lê fica para a outra e ambas compartilham o mesmo espaço para leitura em casa. ''Agora estou lendo 'A Garota Americana'. Gosto dos livros escritos só para as garotas'', afirma Thais.
Maria do Carmo, mãe das adolescentes, acha que o hábito da leitura deveria ser mais incentivado. ''A cabecinha de uma criança que lê é diferente. Elas estão envolvidas em outro mundo. Acho que às vezes os pais têm dificuldade de lidar com os filhos exatamente pela falta de leitura. As minhas filhas são superponderadas e equilibradas e com certeza é graças à leitura''.

Livrarias criam espaço para atender clientela
  O gerente de livraria Luiz Carlos Maciel afirma que ‘‘as editoras estão cada vez mais preocupadas em atingir o público infanto-juvenil porque sabem que este é um público fiel’’. E explica porque as grandes livrarias criam espaços exclusivos para atender a esta clientela. ‘‘Fica mais fácil para a pessoa visualizar e para decidir se vai comprar um título agora e outro depois’’.
  Ele cita dois fatores que contribuem para aumentar o interesse pela literatura infanto-juvenil: a comunicação entre os jovens nas comunidades virtuais e a adaptação de vários títulos para o cinema. ‘‘Um título faz muito sucesso quando está lincado cinema e literatura. A série ‘O Diário da Princesa’, por exemplo, vende muito bem e tem grande procura por este motivo’’.
  Maciel afirma ainda que os jovens estão muito bem informados e até se antecipam aos lançamentos nas livrarias. ‘‘Eles muitas vezes estão muito adiantados e querem saber se já saiu algum título que nem estamos sabendo, e quando vamos consultar no computador, realmente saiu’’.
  Agora, mesmo se tratando de uma faixa etária específica, os conteúdos são bem distintos para meninos e meninas. ‘‘Os meninos preferem mais os assuntos relacionados a terror ou ficção científica e as meninas preferem os títulos que tratam de relacionamento amoroso ou da vivência em grupo’’, afirma o gerente. (E.A.)

mockup