Há 20 anos, o Brasil viveu um momento histórico em relação ao consumo. O país passava por um período de inflação alta, com muito trabalho para os remarcadores de preços. Em uma atitude de desespero, o governo tenta - por decreto, acabar com a inflação, criando o Plano Cruzado. Com este plano, o povo ganhou poder de Polícia na fiscalização de preços e o governo até confiscou boi nos pastos para garantir o abastecimento.
Sem eficiência, o Cruzado teve vida curta e a inflação voltou com mais força em pouco tempo. Houve uma segunda tentativa com o Plano Cruzado II, que também não adiantou nada e depois dele veio a hiperinflação, que girava em torno de 60% a 90% ao mês. A ''estabilidade'' só aconteceu mesmo com o Plano Real, em 1994. Portanto, nestas duas décadas, o brasileiro conheceu bem os dois lados da moeda.
Entretanto, nem todos observam as diferenças entre os dois períodos. É o caso, por exemplo, da contadora Maria Aparecida Campelo. ''Naquela época, nós tínhamos inflação mas tínhamos também reajuste de salário; e hoje se diz que os preços são estáveis, mas as mercadorias sobem direto no supermercado; o que está estabilizado mesmo é o salário'', afirma. Outra observação de dona Maria é que, de certa forma, pode até se falar em estabilidade de preços, ''mas isto não significa que ficou mais fácil para o consumidor; eu acho que está tão difícil como no tempo da inflação'', compara. Ela argumenta que só se recupera o poder de compra com melhores salários.
O empresário Marcos Henriques, por sua vez, acredita que a estabilidade de preços é benéfica. ''Eu acho que é importante porque do jeito que as coisas estavam antigamente, você não conseguia administrar as finanças; a gente precisava sempre prever um aumento e nunca sabia ao certo de quanto seria esse aumento'', afirma. E hoje, segundo ele, é possível planejar. ''Na hora que você vai para as compras, já sabe o quanto vai gastar''. Na opinião do empresário, deveria haver uma política de geração de empregos e renda para melhorar o poder de compra do brasileiro, ''que está muito reduzido''.
O publicitário Alexander Silveira se lembra que, por conta da inflação alta, as famílias tinham o hábito de fazer compras para o mês. ''A gente herdou isso de nossos pais, mas agora você consegue fazer uma programação melhor, sem necessidade de estoque'', explica. Silveira diz que, por causa dos preços estáveis, hoje faz as compras para a semana ou quinzena.
Ainda de acordo com o publicitário, o custo Brasil permanece muito alto. ''Você pode até ter uma cesta básica com preço relativamente baixo, mas o restante é muito caro em função da carga tributária''. Ele acredita que a melhora da situação econômica passa, necessariamente, pela vontade política. ''O que eles decidem lá em cima, afeta o nosso bolso aqui em baixo; e não adianta votar errado e achar que está tudo bem'', justifica.

Para economista, estabilidade é forçada
  O professor e economista Isamel Mologni considera que a redução do poder de compras, que vem se acentuando nos últimos anos, ‘‘é um problema muito sério’’. Segundo ele, com base em informações da Fundação Getúlio Vargas, houve uma redução real do poder de compra em 7% de 2002 para cá. ‘‘Por isso, diz o economista, a estabilidade de preços é um pouco forçada, porque o câmbio baixo facilita as importações e a estabilidade não existe do ponto de vista do consumidor’’.
  Mologni diz ainda que a função da estabilidade é gerar crescimento da economia, o que não está acontecendo por conta dos juros altos. Segundo o professor a única saida para o problema é o investimento na produção com a consequente geração de empregos, o que só é possível com a redução de juros. Com base em análises, o professor acredita que deverá ser adotado um novo plano econômico após as eleições, com possível moratória por parte do governo federal ou uma máxi-desvalorização do dólar para ‘‘regular’’ o câmbio.


Altas na Ceasa

A semana começou com alta de preços de quatro produtos na Ceasa de Londrina. Confira:
Abobrinha branca (25%)
R$ 15,00 a caixa/20 kg
Abobrinha verde (25%)
R$ 17,00 a caixa/20 kg
Pepino caipira (33%)
R$ 20,00 a caixa/22 kg
Vagem de primeira (20%)
R$ 18,00 a caixa/19 kg

Palhas de aço
Sem levar em conta a qualidade dos produtos, vale observar as diferenças de preços de duas marcas de palhas de aço em supermercados locais: uma está a R$ 1,09 e a outra a R$ 1,99, com o detalhe de que ambas estão em oferta.

Pão francês
Faltam menos de dois meses para terminar o prazo para as padarias adotarem o novo sistema de vendas do pão francês, que passa a ser exclusivamente por quilo. E uma parte delas nem sequer experimentou o novo sistema.

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