Curitiba - Com o inverno já na metade para o final, boas lembranças que vão ficar da estação certamente são os prazeres da língua (ou da gula?). O clima frio é desculpa para ''cair de boca'' num cardápio bem calórico, até porque quase todo programinha de inverno, se não é ir a um restaurante, tem comida no meio. Por isso, a herança da estação para muita gente é a barriguinha saltando das roupas que ficaram apertadas. Para se livrar dos excessos, a sugestão é fazer pequenas mudanças na dieta, incluindo mais porções de alimentos pouco consumidos e até esquecidos no período do frio: os legumes, verduras e frutas.
''É comum comermos menos saladas e frutas frescas no inverno, mas isso não significa que esses alimentos devem ficar fora do cardápio. Vegetais crus são muito importantes para desintoxicar o organismo. Também podemos consumir sopas, nos dias mais frios, completando a ingestão de hortaliças do dia'', orienta a nutricionista Natália Chede, do Gaya Spa Yoga, em Curitiba. Para quem desprezou os vegetais, nos últimos meses, a especialista sugere uma reeducação alimentar aliada à atividade física regular para chegar no verão e até, na primavera, com mais saúde, disposição e um corpo mais bonito.
''Uma perda ideal de peso seria de dois a três quilos, por mês, para que o corpo e o metabolismo possam se estabilizar, sem prejuízos à saúde'', alerta. Na hora de comprar os legumes e frutas, a nutricionista ensina que se deve dar preferência aos alimentos orgânicos e quando, não for possível, escolher os da época. ''Além de isentos de agrotóxicos, os orgânicos são mais nutritivos e possuem elevados níveis de antioxidantes'', recomenda. Alguns exemplos de hortaliças da época são rúcula, agrião, chicória, almeirão, alface crespa e americana, acelga, salsa, salsão, couve mateiga, couve-flor, brócolis, escarola e espinafre. A maioria custa entre R$ 1,00 e R$ 1,50, o maço ou unidade nas feiras livres.
Nos supermercados, o consumidor se arrisca a pagar mais caro e a encontrar um produto de qualidade inferior. Verduras bastante procuradas agora são repolho, beterraba, chuchu, pimentão, rabanete e mandioquinha (batata-salsa), que apesar de serem da época, estão com os preços 20% a 30% mais caros nas feiras de rua de Curitiba. O pepino, o tomate e o alho poró, bastante apreciados na salada, estão com o preço um pouquinho mais salgado, em média, o quilo sai por R$ 2,00, R$ 2,80, e R$ 3,00 (o maço), respectivamente.
''A variedade e as cores são muito importantes na hora de comprar as hortaliças. Ao invés de comprar cinco folhosos, compre apenas dois tipos, além de dois legumes e duas raízes (mandioquinha, inhame, mandioca e batata-doce)'', recomenda Natália, acrescentando que as frutas devem compor os lanches. Segundo a nutricionista, uma refeição colorida garante qualidade e variedade de nutrientes e antioxidantes, além de ser possível substituir uma refeição por uma salada, desde que contenha: vegetais folhosos, dois tipos de legumes, um broto, um grão e uma fonte de gordura saudável (veja sugestões no quadro ao lado).
Mesmo no período mais frio do ano, a designer industrial Camile Arins, 29 anos, não passa um dia sem comer salada, com legumes crus e cozidos. ''Aqui em casa, é hábito comer um pratão de salada primeiro. Só depois, a gente come arroz integral, macarrão, feijão, panquecas. Acho que 50% do meu almoço é de salada'', conta ela. ''Só costumo substituir uma refeição por salada, durante o verão. No inverno, não dá para ficar sem proteína e carboidrato. Quando quero emagrecer, corto as massas e reduzo as porções de tudo que como. Só não de verduras, legumes e frutas'', disse Camile.

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