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terça-feira, 30 de março de 2010
Eli Araujo<br> Reportagem Local 
O Brasil passa por uma importante fase de desenvolvimento e com boas chances de melhorar sua posição no ranking das maiores economias do planeta nos próximos anos, segundo a previsão de especialistas. Para alcançar este objetivo, a produção de energia elétrica é fundamental, não há como se desenvolver, em qualquer atividade, sem energia. ''A energia elétrica assumiu esta importância porque a população precisa de conforto, e como o país vive um momento acelerado de desenvolvimento, precisa de energia para produzir'', afirma o professor e engenheiro eletricista Marcel Eduardo Viotto Romero.
E é exatamente para suprir esta demanda que a Engenharia Elétrica desponta como uma área promissora em um mercado que exige alta qualificação profissional. Mas se engana quem pensa que o trabalho do engenheiro eletricista se limita à elaboração de projetos para a construção civil ou para ampliação da rede pública de energia elétrica. O profissional da área pode atuar em sistemas eletrotécnicos, eletrônicos, computação, telecomunicações, biomedicina, consultoria e até na venda especializada de equipamentos eletroeletrônicos. ''Até mesmo as instituições financeiras procuram os profissionais formados em engenharia elétrica por conta do conhecimento matemático e pela visão de análise que o curso oferece'', explica o também professor e engenheiro eletricista Rodger Vitória Pereira.
Pereira destaca que o trabalho do engenheiro eletricista pode ser observado em quase todas as atividades. Por isso, o profissional desta área deve estar sempre em busca de soluções eficientes que concilie a funcionalidade do produto com a economia de energia. De acordo com Pereira, é o trabalho destes profissionais que faz funcionar os aparelhos de telefone celular ou a fabricação das lâmpadas fluorecentes que economizam até 90% de energia elétrica. ''A forma de vida urbana como a gente conhece hoje é altamente dependente da figura do engenheiro eletricista'', dizem os dois profissionais.
O engenheiro eletricista também pode pesquisar fontes alternativas de energia, uma vez que a produção em hidrelétricas tem o seu limite e as fósseis, tais como o petróleo, são esgotáveis. ''A geração de energia é dinâmica e a gente sabe que não se pode gerar um tipo de energia infinitamente. Por isso, o que vai acontecer no futuro, é a migração para outras matrizes energéticas'', diz Pereira.
Além dos números, dos projetos e da utilização de recursos tecnológicos, outra exigência atual para o engenheiro eletricista é a preocupação com o meio ambiente. De acordo com o professor Romero, os profissionais da área estão se adequando aos novos tempos, procurando causar o menor impacto possível ao meio ambiente e promovendo o desenvolvimento de forma sustentável.
Uma curiosidade: embora as mulheres venham ocupando espaços em várias atividades produtivas, a profissão de engenheiro eletricista ainda é essencialmente masculina. Segundo os dois professores, é raro encontrar uma mulher nas salas de aulas deste curso, mas algumas já se formaram e estão na ativa.
SAIBA MAIS
Características da profissão
1) Habilidades
O engenheiro eletricista deve ter amplo domínio das disciplinas de física e matemática; ter facilidade em lidar com números, cálculos e projeções; raciocínio lógico e abstrato; capacidade de analisar e resolver problemas; gosto para trabalhar com máquinas e equipamentos, e habilidade para trabalhar em equipe.
2) Onde atuar
■ Automação: projetar equipamentos eletrônicos destinados à automação de linhas de produção industrial;
■ Eletrônica: desenvolver circuitos eletrônicos para aquisição de dados e transmissão de dados por radiofrequência;
■ Eletrotécnica: planejar e operar sistemas elétricos, incluindo a geração, transmissão e distribuição de energia; projetar e construir usinas, estações, subestações, redes de geração de energia; ampliar e dar manutenção à redes de alta tensão;
■ Biomédica: especificar e gerenciar a utilização de equipamentos médicos em hospitais, clínicas e laboratórios; projetar, construir e fazer a manutenção destes equipamentos;
■ Instrumentação: projetar e desenvolver equipamentos para a realização de medidas, registro de dados e atuadores;
■ Microeletrônica: projetar, fabricar e testar circuitos integrados (chips) para sistemas de computação, telecomunicações e de entretenimento, entre outros.
■ Telecomunicações: desenvolver serviços de expansão de telefonia e de transmissão de dados por imagem e som; projetar e construir equipamentos para telefonia e comunicações em geral e de processamento digital de sinais.
3) O curso
O curso, geralmente com cinco anos de duração e período integral, pode oferecer uma formação genérica em Engenharia Elétrica ou dar ênfase em eletrotécnica ou telecomunicações.
No Paraná, o curso é oferecido por diversas universidades públicas e particulares nas seguintes cidades: Londrina, Curitiba, Ponta Grossa, Pato Branco, Foz do Iguaçu, Cascavel, Campo Mourão, Maringá e Cornélio Procópio.
4) Remuneração
O salário inicial do engenheiro eletricista está em torno de
R$ 2,5 mil mas pode chegar a R$ 20 mil, dependendo das habilidades, do interesse, da formação e da empresa onde o profissional presta serviço.


