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quarta-feira, 24 de março de 2010
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A formação obtida em poucos anos e a necessidade do mercado de trabalho vem aumentando a procura por cursos técnicos que podem ser integrados ao ensino médio ou não. O Censo Escolar 2009 realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) apontou que as matrículas na educação profissional tiveram um aumento de 8,3% entre 2008 e 2009.
O diretor de Educação Profissional da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), professor Ricardo Karvat, disse que a maior concorrência por cursos técnicos na instituição é em Curitiba. Segundo ele, o mercado tem uma carência muito grande desses profissionais e, por isso, os alunos não sentem dificuldades para conseguir emprego depois que terminam o curso.
Ele destacou que os técnicos vêm com a parte prática, ou seja, menos teoria e mais prática. Com isso, quando os alunos conseguem um emprego o treinamento nas empresas tem uma duração menor e é mais fácil. Segundo ele, em Curitiba, há procura por técnicos de todas as áreas e no interior do Estado é muito requisitado o técnico em agropecuária. ''Depende da vocação de cada região'', disse.
Os cursos técnicos da UTFPR são gratuitos. Para ingressar o candidato passa por um processo de seleção. A instituição oferece vagas em várias cidades do Estado. Em Apucarana, são 40 vagas para técnico em Vestuário com duração de quatro anos. Em Campo Mourão, há 80 vagas para Informática e, em Cornélio Procópio são 40 vagas para Mecânica e 40 para Eletrotécnica.
Curitiba tem oferta de cursos para técnico em Gestão de Pequenas e Médias Empresas (40 vagas), Eletrônica (40), Mecânica (40), Segurança do Trabalho (40) e Edificações (30). Em Dois Vizinhos, o curso é de técnico em Agropecuária com 80 vagas e duração de um ano e meio. Na cidade de Londrina, a área é Controle Ambiental com três anos, 30 vagas e voltado para alunos com mais de 17 anos. Medianeira oferece os cursos de Química e Segurança do Trabalho, ambos com 40 vagas. Pato Branco tem o curso de técnico em Geomensura com 40 vagas, Ponta Grossa oferece Agroindústria (40 vagas) e Mecânica (40). E Toledo, tem 40 vagas para técnico em Informática.
O chefe do Departamento de Processos Seletivos da UTFPR, professor Jair Ferreira de Almeida, lembrou que no último exame de seleção a instituição ofereceu 660 vagas para os cursos técnicos e teve 5.560 inscritos, uma média, de quase nove alunos por vaga. Segundo ele, os cursos de Curitiba tiveram a maior concorrência com a proporção de 15 a 17 pessoas para uma vaga.
Ele disse que os estudantes têm facilidade de ingressar no mercado de trabalho e já chegam na faculdade com mais entendimento para as disciplinas técnicas. Almeida acredita os alunos são atraídos pela gratuidade dos cursos, pela imagem conceituada que a UTFPR possui e também pela vantagem de saírem com uma profissão.
Faltam técnicos, não cientistas
Curitiba Os cursos técnicos tiveram uma explosão na década de 80 e agora acontece um retorno da necessidade destes profissionais no mercado. A conclusão é do coordenador da Escola Técnica CBES, Ricardo Efing. Ele acredita que outro chamariz para os alunos é o gasto menor em relação a um curso de graduação. O aluno gasta menos e se forma mais rápido, destacou. Hoje, o curso de técnico em Enfermagem é o mais procurado na instituição. Na CBES os cursos têm mensalidade de R$ 220, duram 24 meses e são de nível pós médio. A instituição oferece os cursos de técnico em Enfermagem, Radiologia e Segurança do Trabalho.
A partir da década de 90, os cursos de graduação tornaram a formação mais importante. Com a entrada do governo federal atual, houve novamente um incentivo e crescimento dos cursos técnicos, disse Efing. Entretanto, as empresas também mudaram o foco da procura por funcionários. O mercado de trabalho está ávido por mão de obra operacional. As empresas estão com falta de funcionários técnicos e não de cientistas, avalia.
O mercado de trabalho absorve mais rápido os profissionais técnicos do que os formados. Percebemos que é menor o índice de alunos que saem dos cursos técnicos e ficam desempregados do que alunos que terminam a graduação, revela Efing. Por outro lado, um curso técnico tem suas desvantagens. O aluno tem pouco aprofundamento dos assuntos trabalhados no curso, por ser uma educação muito mais prática e menos científica, explicou.
Mas quem deseja continuar estudando, nada impede um profissional técnico de cursar uma graduação. Já tive alunos que cursaram um técnico para garantir um emprego e fazer um pé de meia para um curso de graduação, lembra Efing. E como o profissional técnico já está no mercado de trabalho, a graduação ajuda a melhorar a posição dentro da empresa, ao contrário da maioria dos alunos da graduação, que precisa do curso para procurar uma nova colocação no mercado, compara.
O Instituto Federal do Paraná (IFPR) também oferece cursos técnicos gratuitos. A instituição tem 32 cursos nos quatro campi em funcionamento (Curitiba, Paranaguá, Foz do Iguaçu e Londrina) nas áreas de Agroecologia, Aquicultura, Saúde Bucal, Prótese Dentária, Massoterapia, Radiologia, Enfermagem, Informática e Eletromecânica.
O aluno do último ano do curso técnico em Construção Civil da UTFPR, Paulo Kasnodzei, 19 anos, disse que foi atraído para instituição pelo conceito que possui no meio educacional e pela gratuidade do curso. Ele já planeja fazer uma gradução em Engenharia de Produção ou Engenharia Aeronáutica. Fiz estágio remunerado durante oito meses em uma empresa de projeto estrutural. Gostei demais. Era reconhecido quando fazia algo bom, contou. Vale a pena fazer o curso pelo conhecimento e visão de mundo que se adquire, destacou.
Gerusy Gonçalves Gomes, 25 anos, faz o curso de técnico em Radiologia. Ela conta que foi atraída para a área pelo salário hoje em R$ 1.035 mais 40% de insalubridade para quatro horas diárias de trabalho. Preferi o curso técnico porque tem resultado mais rápido. A faculdade de Tecnólogo em Radiologia é mais cara, afirmou. Ela lembra que há muitas oportunidades de trabalho nesse setor no interior do Estado, além da possibilidade de realizar concursos públicos. (A.B.)


