Curitiba - A formação obtida em poucos anos e a necessidade do mercado de trabalho vem aumentando a procura por cursos técnicos que podem ser integrados ao ensino médio ou não. O Censo Escolar 2009 realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) apontou que as matrículas na educação profissional tiveram um aumento de 8,3% entre 2008 e 2009.
O diretor de Educação Profissional da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), professor Ricardo Karvat, disse que a maior concorrência por cursos técnicos na instituição é em Curitiba. Segundo ele, o mercado tem uma carência muito grande desses profissionais e, por isso, os alunos não sentem dificuldades para conseguir emprego depois que terminam o curso.
Ele destacou que os técnicos vêm com a parte prática, ou seja, menos teoria e mais prática. Com isso, quando os alunos conseguem um emprego o treinamento nas empresas tem uma duração menor e é mais fácil. Segundo ele, em Curitiba, há procura por técnicos de todas as áreas e no interior do Estado é muito requisitado o técnico em agropecuária. ''Depende da vocação de cada região'', disse.
Os cursos técnicos da UTFPR são gratuitos. Para ingressar o candidato passa por um processo de seleção. A instituição oferece vagas em várias cidades do Estado. Em Apucarana, são 40 vagas para técnico em Vestuário com duração de quatro anos. Em Campo Mourão, há 80 vagas para Informática e, em Cornélio Procópio são 40 vagas para Mecânica e 40 para Eletrotécnica.
Curitiba tem oferta de cursos para técnico em Gestão de Pequenas e Médias Empresas (40 vagas), Eletrônica (40), Mecânica (40), Segurança do Trabalho (40) e Edificações (30). Em Dois Vizinhos, o curso é de técnico em Agropecuária com 80 vagas e duração de um ano e meio. Na cidade de Londrina, a área é Controle Ambiental com três anos, 30 vagas e voltado para alunos com mais de 17 anos. Medianeira oferece os cursos de Química e Segurança do Trabalho, ambos com 40 vagas. Pato Branco tem o curso de técnico em Geomensura com 40 vagas, Ponta Grossa oferece Agroindústria (40 vagas) e Mecânica (40). E Toledo, tem 40 vagas para técnico em Informática.
O chefe do Departamento de Processos Seletivos da UTFPR, professor Jair Ferreira de Almeida, lembrou que no último exame de seleção a instituição ofereceu 660 vagas para os cursos técnicos e teve 5.560 inscritos, uma média, de quase nove alunos por vaga. Segundo ele, os cursos de Curitiba tiveram a maior concorrência com a proporção de 15 a 17 pessoas para uma vaga.
Ele disse que os estudantes têm facilidade de ingressar no mercado de trabalho e já chegam na faculdade com mais entendimento para as disciplinas técnicas. Almeida acredita os alunos são atraídos pela gratuidade dos cursos, pela imagem conceituada que a UTFPR possui e também pela vantagem de saírem com uma profissão.



‘Faltam técnicos, não cientistas’

Cu­ri­ti­ba – Os cur­sos téc­ni­cos ti­ve­ram uma ex­plo­são na dé­ca­da de 80 e ago­ra acon­te­ce um re­tor­no da ne­ces­si­da­de des­tes pro­fis­sio­nais no mer­ca­do. A con­clu­são é do coor­de­na­dor da Es­co­la Téc­ni­ca ­CBES, Ri­car­do ­Efing. Ele acre­di­ta que ou­tro cha­ma­riz pa­ra os alu­nos é o gas­to me­nor em re­la­ção a um cur­so de gra­dua­ção. ‘‘O alu­no gas­ta me­nos e se for­ma ­mais rá­pi­do, des­ta­cou. Ho­je, o cur­so de téc­ni­co em En­fer­ma­gem é o ­mais pro­cu­ra­do na ins­ti­tui­ção. Na ­CBES os cur­sos têm men­sa­li­da­de de R$ 220, du­ram 24 me­ses e são de ní­vel pós mé­dio. A ins­ti­tui­ção ofe­re­ce os cur­sos de téc­ni­co em En­fer­ma­gem, Ra­dio­lo­gia e Se­gu­ran­ça do Tra­ba­lho.
‘‘A par­tir da dé­ca­da de 90, os cur­sos de gra­dua­ção tor­na­ram a for­ma­ção ­mais im­por­tan­te. Com a en­tra­da do go­ver­no fe­de­ral ­atual, hou­ve no­va­men­te um in­cen­ti­vo e cres­ci­men­to dos cur­sos ­técnicos’’, dis­se ­Efing. En­tre­tan­to, as em­pre­sas tam­bém mu­da­ram o fo­co da pro­cu­ra por fun­cio­ná­rios. ‘‘O mer­ca­do de tra­ba­lho es­tá ávi­do por mão de ­obra ope­ra­cio­nal. As em­pre­sas es­tão com fal­ta de fun­cio­ná­rios téc­ni­cos e não de ­cientistas’’, ava­lia.
O mer­ca­do de tra­ba­lho ab­sor­ve ­mais rá­pi­do os pro­fis­sio­nais téc­ni­cos do que os for­ma­dos. ‘‘Per­ce­be­mos que é me­nor o ín­di­ce de alu­nos que ­saem dos cur­sos téc­ni­cos e fi­cam de­sem­pre­ga­dos do que alu­nos que ter­mi­nam a ­graduação’’, re­ve­la ­Efing. Por ou­tro la­do, um cur­so téc­ni­co tem ­suas des­van­ta­gens. ‘‘O alu­no tem pou­co apro­fun­da­men­to dos as­sun­tos tra­ba­lha­dos no cur­so, por ser uma edu­ca­ção mui­to ­mais prá­ti­ca e me­nos ­científica’’, ex­pli­cou.
Mas ­quem de­se­ja con­ti­nuar es­tu­dan­do, na­da im­pe­de um pro­fis­sio­nal téc­ni­co de cur­sar uma gra­dua­ção. ‘‘Já ti­ve alu­nos que cur­sa­ram um téc­ni­co pa­ra ga­ran­tir um em­pre­go e fa­zer um ‘pé de ­meia’ pa­ra um cur­so de ­graduação’’, lem­bra ­Efing. ‘‘E co­mo o pro­fis­sio­nal téc­ni­co já es­tá no mer­ca­do de tra­ba­lho, a gra­dua­ção aju­da a me­lho­rar a po­si­ção den­tro da em­pre­sa, ao con­trá­rio da maio­ria dos alu­nos da gra­dua­ção, que pre­ci­sa do cur­so pa­ra pro­cu­rar uma no­va co­lo­ca­ção no ­mercado’’, com­pa­ra.
O Ins­ti­tu­to Fe­de­ral do Pa­ra­ná (­IFPR) tam­bém ofe­re­ce cur­sos téc­ni­cos gra­tui­tos. A ins­ti­tui­ção tem 32 cur­sos nos qua­tro cam­pi em fun­cio­na­men­to (Cu­ri­ti­ba, Pa­ra­na­guá, Foz do Igua­çu e Lon­dri­na) nas ­áreas de Agroe­co­lo­gia, Aqui­cul­tu­ra, Saú­de Bu­cal, Pró­te­se Den­tá­ria, Mas­so­te­ra­pia, Ra­dio­lo­gia, En­fer­ma­gem, In­for­má­ti­ca e Ele­tro­me­câ­ni­ca.
O alu­no do úl­ti­mo ano do cur­so téc­ni­co em Cons­tru­ção Ci­vil da ­UTFPR, Pau­lo Kas­nod­zei, 19 ­anos, dis­se que foi atraí­do pa­ra ins­ti­tui­ção pe­lo con­cei­to que pos­sui no ­meio edu­ca­cio­nal e pe­la gra­tui­da­de do cur­so. Ele já pla­ne­ja fa­zer uma gra­du­ção em En­ge­nha­ria de Pro­du­ção ou En­ge­nha­ria Ae­ro­náu­ti­ca. ‘‘Fiz es­tá­gio re­mu­ne­ra­do du­ran­te oi­to me­ses em uma em­pre­sa de pro­je­to es­tru­tu­ral. Gos­tei de­mais. Era re­co­nhe­ci­do quan­do fa­zia al­go ­bom’’, con­tou. ‘‘Va­le a pe­na fa­zer o cur­so pe­lo co­nhe­ci­men­to e vi­são de mun­do que se ­adquire’’, des­ta­cou.
Ge­rusy Gon­çal­ves Go­mes, 25 ­anos, faz o cur­so de téc­ni­co em Ra­dio­lo­gia. Ela con­ta que foi atraí­da pa­ra a ­área pe­lo sa­lá­rio ho­je em R$ 1.035 ­mais 40% de in­sa­lu­bri­da­de pa­ra qua­tro ho­ras diá­rias de tra­ba­lho. ‘‘Pre­fe­ri o cur­so téc­ni­co por­que tem re­sul­ta­do ­mais rá­pi­do. A fa­cul­da­de de Tec­nó­lo­go em Ra­dio­lo­gia é ­mais ­cara’’, afir­mou. Ela lem­bra que há mui­tas opor­tu­ni­da­des de tra­ba­lho nes­se se­tor no in­te­rior do Es­ta­do, ­além da pos­si­bi­li­da­de de rea­li­zar con­cur­sos pú­bli­cos. (A.B.)

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