A identidade visual ou o design dos produtos de uma empresa podem determinar seu futuro no mercado. Inovar e diferenciar são ações necessárias para manter uma marca, e o designer é um dos responsáveis por esse trabalho. O campo de atuação desses profissionais é amplo e inclui prestação de consultorias, chefia de equipes em indústrias produtoras de bens de consumo, gráficas e de tecnologia, empresas prestadora de serviços como agências e instituições de pesquisa.
Paulo Isper é formado em desenho industrial e é sócio diretor da Ideia Brasil, uma agência de design e publicidade. ''Hoje trabalho no planejamento e atendimento da agência. Iniciei a minha carreira trabalhando na pré-impressão de uma multinacional do segmento de embalagens e depois em outra multinacional da linha de alimentos, no departamento de embalagens'', explica. Paulo atua como designer há oito anos e aponta que as oportunidades de emprego nessa área existem, porém faltam profissionais capacitados.
Uriá Fassina tem formação em design gráfico e atualmente cursa o mestrado em comunicação visual da Universidade Estadual de Londrina. Ele aponta que o campo de trabalho para os profissionais, em Londrina, acaba se limitando às agências. ''Profissionais formados que, como eu, se interessam por outras áreas como design editorial, ilustração ou até mesmo tipografia, buscam outros ares.'' A cidade, para ele, não tem conseguido segurar os profissionais de maior destaque que se formam por aqui. O mestrando explica que nessa profissão existe também a possibilidade de atuar apenas como freelancer. Com bons contatos e um portfólio consistente, o designer pode assumir trabalhos vindos de outros centros e até de outros países. ''Porém, é necessário ter algum background financeiro no início, até que exista uma frequência de clientes. Também é preciso certa organização e disciplina para trabalhar em casa''.
A profissão ainda não é regulamentada e existe um debate intenso sobre a questão. Alguns designers alegam que, muitas vezes, especialistas em informática ou funcionários de gráficas acabam exercendo suas funções. Apesar disso, o campo está em expansão na cidade, e a tendência é que os empresários valorizem cada vez mais o trabalho desses profissionais na criação da identidade visual corporativa. Segundo Paulo Isper, essa desvalorização do trabalho é a grande dificuldade no início da carreira, mas o cenário pode mudar quando com os resultados são conquistados. ''Quando uma pessoa vai ao médico dificilmente contesta aquilo que o especialista fala. No design não é assim. As ideias são questionadas, pois muitas pessoas acreditam que alguns elementos são apenas decorativos. Mas na verdade um bom projeto de design é muito estratégico'', comenta.
Para ingressar na profissão, o designer aponta que é necessário ter criatividade, repertório visual e responsabilidade. Já Uriá Fassina assegura que censo crítico e auto-crítico são fundamentais. ''Se nosso papel é projetar interfaces de comunicação, é imprescindível estar em sintonia com seu momento social, artístico e cultural. Em outras palavras, devemos estar atentos ao que acontece e investindo sempre no aprimoramento de repertório visual e da noção estética''.
Além de cursar o mestrado com intuito de seguir carreira acadêmica, Uriá Fassina ministra workshops e projeta soluções visuais. ''Comecei a trabalhar com web e faço muitos trabalhos nessa área até hoje. Existe uma carência no mercado por designers que entendam de programação. Não para se tornarem programadores, mas para entenderem a lógica, os limites impostos e as possibilidades oferecidas pelas tecnologias atuais, para que eles possam pautar corretamente o desenvolvimento dos projetos'', comenta.
Uriá explica que muitas vezes a capacidade dos profissionais é subtilizada, mas que por outro lado, é possível notar uma crescente demanda por designers dotados de uma visão mais ampla. ''Designers são, em geral, pessoas que enxergam relações improváveis em variadas coisas e que se interessam por assuntos aparentemente distintos''.
Essa dinâmica e diversidade foram as características que fizeram com que Paulo Isper escolhesse a profissão. Mesmo admitindo que o trabalho é ''muito duro, noites em claro'', o resultado final vale a pena. ''É muito legal desenvolver uma nova marca para uma linha de alimentos e na semana seguinte trabalhar no lançamento de um novo empreendimento imobiliário'', comenta. Ele cita um de seus cases de sucesso: a criação de embalagens de celulares da marca Samsung. ''Somos a única agência de design do Brasil que criou para Samsung. Todos os outros projetos são criados na Korea. É gratificante participar do nascimento ou do crescimento de um novo produto, de uma nova marca e analisar os resultados''.
O salário de um designer, segundo Isper, pode variar de R$ 600 a R$ 3 mil reais, dependendo da experiência e vivência do profissional. Uriá afirma que um recém-formado ganha em média R$ 1,2 mil reais, após os primeiros meses de experiência. Esse mesmo valor pode ser atingido por freelancers que fizeram contatos durante a graduação e têm alguma experiência.




Universidades oferecem graduação na área


A Uni­ver­si­da­de Nor­te do Pa­ra­ná (Uno­par) tem cur­so de gra­dua­ção no­tur­no com du­ra­ção de qua­tro ­anos em de­se­nho in­dus­trial, com ha­bi­li­ta­ção em de­sign grá­fi­co e de­sign de pro­du­tos. O de­sig­ner grá­fi­co po­de tra­ba­lhar a iden­ti­da­de de uma mar­ca, sua pro­gra­ma­ção vi­sual, de­sen­vol­ver em­ba­la­gens, in­fo­gra­fis­mo, de­sign di­gi­tal e edi­to­rial. Já o de­sig­ner de pro­du­to dá for­ma a ­bens de con­su­mo, pro­je­ta e con­ce­be mo­bi­liá­rios, equi­pa­men­tos, ele­tro­do­més­ti­cos, den­tre ou­tros. O cur­so tra­ba­lha com di­fe­ren­tes lin­gua­gens de re­pre­sen­ta­ção e re­cur­sos de com­pu­ta­ção grá­fi­ca. Os es­tu­dan­tes de­sen­vol­vem pro­tó­ti­pos, la­youts de pe­ças grá­fi­cas e in­ter­fa­ces di­gi­tais.
Na Uni­ver­si­da­de Es­ta­dual de Lon­dri­na (UEL) o cur­so com ha­bi­li­ta­ção de de­sign grá­fi­co é ma­tu­ti­no e tem qua­tro ­anos de du­ra­ção. São ofe­re­ci­das vin­te va­gas anual­men­te. Den­tre as dis­ci­pli­nas cur­sa­das es­tão: fo­to­gra­fia, de­se­nho, teo­ria da cor, re­da­ção e ex­pres­são ­oral, an­tro­po­lo­gia e cul­tu­ra, se­mió­ti­ca, pro­du­ção e aná­li­se grá­fi­ca, psi­co­lo­gia apli­ca­da ao de­sign e éti­ca. O cur­so vi­sa for­mar pro­fis­sio­nais ca­pa­zes de uti­li­zar di­fe­ren­tes tec­no­lo­gias e de­sem­pe­nhar ati­vi­da­des de ca­rá­ter téc­ni­co, cien­tí­fi­co e cria­ti­vo. Os de­sig­ners for­ma­dos na UEL po­dem de­sen­vol­ver pro­je­tos de co­mu­ni­ca­ção e pro­gra­ma­ção vi­sual, iden­ti­da­de de mar­ca e ma­te­rial grá­fi­co co­mo em­ba­la­gens e ma­nuais, agre­gan­do va­lor a pro­du­tos e ser­vi­ços de em­pre­sas. (M.L.H.)

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