Dedicação, paciência, senso de humanidade e espírito de liderança. Essas são, segundo Soraya Hawthorne, as características que um enfermeiro deve ter para atuar no campo da saúde. Soraya é enfermeira há sete anos e trabalha atualmente em uma Organização da sociedade civil de interesse público (Oscip), nas cidades de Londrina e Ourinhos (SP). ''Sou especialista em Saúde Pública e Saúde da Família e desde a minha formação atuo nessa área. Hoje trabalho como enfermeira na parte de supervisão técnica'', explica. Ela aponta que o mercado de trabalho para o enfermeiro é amplo e está em constante crescimento, mas que em Londrina há um grande número de profissionais e muitas vagas demoram a ser preenchidas, por falta de experiência. ''Acredito que a maior dificuldade nesse campo de trabalho é a falta de oportunidade para os recém-formados'', comenta.
Taciane Sorgi, enfermeira do Hospital Infantil Sagrada Família, explica que uma boa profissional deve estar sempre atualizada, tem que ser rápida nas suas decisões e deve ter união com sua equipe. Antes de escolher o que iria fazer, Taciane acompanhou amigas de sua mãe, de diferentes áreas, em suas rotinas de trabalho. ''Logo me apaixonei pela enfermagem, mas só durante os estágios na faculdade que escolhi a pediatria''.
O campo de atuação para estes profissionais é extenso e o salário pode variar de R$ 1,5 a R$ 4 mil. Enfermeiros podem trabalhar em unidades básicas de saúde, clínicas, hospitais (incluindo diferentes tipos de enfermagem como geriátrica, psiquiátrica, médico cirúrgica, do trabalho), empresas, serviços de auditoria em instituições públicas e privadas, ensino superior e consultorias.
Para Gladys Gonçalves, enfermeira há 28 anos e coordenadora do curso de graduação em Enfermagem da Universidade Norte do Paraná (Unopar), atualmente o mercado de trabalho está aberto para especialidades em Saúde da terceira idade, como enfermagem geriátrica, assistência domiciliar, Programa de Saúde da Família (PSF) e na área de auditoria, na qual o número de profissionais especializados é escasso. ''Antigamente, o enfermeiro era aquele profissional que tinha a função apenas de cuidar dos doentes. Com a evolução, a função foi ampliada e hoje o mercado pede um profissional com uma boa formação acadêmica e especializações na área. A rotina diária é pesada, com plantões noturnos, sem finais de semana e sem feriados quando o trabalho é na área hospitalar'', afirma a coordenadora.
Para Taciane Sorgi, a satisfação pessoal e o reconhecimento são pontos positivos de trabalhar na área da saúde. ''O contato estreito e o vínculo entre o profissional e o paciente, o reconhecimento de uma criança que te abraça na rua com um sorriso, isso não tem dinheiro que pague'', complementa. Ela afirma ainda que sua maior dificuldade é conciliar trabalho e família, principalmente nos finais de semana e feriados. ''Perco momentos de lazer e meu filho de cinco anos me cobra muito isso''. Mas a carga horária desses profissionais, que hoje é de 40 horas semanais, pode diminuir. O Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) defende o projeto de lei 2295/2000, em trâmite na Câmara de Deputados, a favor da carga horária de 30 horas para enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem.



Gra­dua­ção e cur­sos téc­ni­cos for­mam pro­fis­sio­nais pa­ra o se­tor


A Universidade Estadual de Londrina (UEL) oferece desde 1972 a graduação em Enfermagem, com duração de quatro anos. O curso é integral e são ofertadas 40 vagas anualmente. Em 2000, foi adotado o currículo integrado com o uso de metodologias ativas de ensino, nas quais cabe ao professor a condução do processo ensino-aprendizagem. É possível, por meio desse currículo, proporcionar conhecimentos práticos aos estudantes em diferentes cenários como unidades básicas de saúde, hospitais e ambulatórios.
No Centro Universitário Filadélfia (Unifil) o curso tem trinta anos de existência e 70% do corpo docente é formado por mestres e doutores. No período integral, a Enfermagem tem duração de quatro anos e no período noturno tem duração de cinco anos. Segundo a coordenadora, Rosangela Galindo de Campos, o diferencial está na carga horária de estágio que os estudantes devem cumprir. ''São aproximadamente duas mil horas de estágio, com início no primeiro ano. O currículo trabalha a interdisciplinaridade, possibilitando o desenvolvimento de profissionais crítico-reflexivos'', explica. A coordenadora atua na área há 17 anos e aponta que em um mercado tão competitivo, o que destaca o enfermeiro é sua formação.
Na Faculdade Integrado Inesul (Instituto de Ensino Superior de Londrina), o curso de Enfermagem tem quatro anos de duração é pode ser feito nos períodos matutino e vespertino. A organização curricular é integrada e busca interação entre diferentes áreas do conhecimento, teoria-prática e trabalho-ensino.
A Unopar oferece curso de graduação na área, com duração de quatro anos no período integral e de cinco a seis anos no período noturno. O currículo é distribuído entre conteúdos básicos e profissionalizantes, e propõe atividades complementares como estágios voluntários, visitas técnicas, monitoria e programas de iniciação científica, reforçando a humanização da prática. O intuito é formar enfermeiros que atuem nas áreas de assistência, gerência, educação e pesquisa. A coordenadora do curso, Gladys Gonçalves, ressalta a importância da expansão de vagas no período noturno e a necessidade de garantir ao aluno-trabalhador o ensino de qualidade, com acesso a laboratórios e bibliotecas.
Na Faculdade Pitágoras a graduação em enfermagem tem cinco anos de duração e pode ser cursada nos períodos noturno e matutino. Os alunos recebem uma formação voltada para avaliações clínicas, análise crítica e tomada de decisões.
O Centro de Educação Profissional Integrado (CIE) oferece curso técnico em enfermagem nos períodos matutino, vespertino e noturno. O aluno é certificado como Agente Comunitário a partir da conclusão do segundo módulo de ensino, o que permite seu ingresso no mercado de trabalho. Porém, é apenas após a conclusão do sétimo módulo (20 meses) que ele receberá o diploma de técnico em enfermagem, para atuar nas áreas de assistência, prevenção, recuperação e reabilitação. Os requisitos para ingresso são 1º grau completo, 2º grau concluído ou em andamento e no mínimo 18 anos completos até o final do curso.

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