Limpeza de pele, tratamento contra acne, clareamento de manchas, peeling. É cada vez maior a preocupação das pessoas com a estética e a imagem pessoal. Tanta procura dos consumidores estimulou a profissionalização do setor, que já lançou cursos de graduação. E é aí que se evidencia o papel do profissional na área. Em Londrina, há duas possibilidades de cursos superiores: graduação em tecnologia de estética e cosmética, na Unopar e na Unifil, e o curso sequencial em estética e imagem pessoal, na Unopar.
Na Unifil, de acordo com a professora Mylena Dornellas, coordenadora do curso de graduação em Tecnologia de Estética e Cosmética, o aluno é levado a entender o processo de saúde e doença, e até onde ele pode intervir, já que o profissional de estética é responsável não só pela beleza, mas também pela saúde dos clientes. A professora comenta que o esteticista não pode realizar procedimentos invasivos, como a acupuntura, por exemplo. No entanto, o curso prepara o estudante para o domínio das técnicas e tratamentos aliados à tecnologia e os torna habilitados a tratar do embelezamento, promoção, proteção, manutenção e recuperação estética da face e do corpo.
Outro foco dos estudos é a interdisciplinaridade. São trabalhadas habilidades e competências que o levarão a diferentes possibilidades de inserção no mercado, como em clínicas (no pré e pós-operatório, com preparação e cuidados após cirurgias plásticas), academias de ginástica, hotéis, casas de repouso, clínicas dermatológicas, em equipes multiprofissionais.
O curso tecnológico é basicamente prático, mas isso não significa que a parte teórica é deixada de lado. Já no primeiro ano, como a estética está alocada na área da saúde, os alunos têm diversas disciplinas como anatomia, fisiologia, patologia e histologia, além de química e física aplicadas à estética e cosmética. Tais estudos fornecem a base para que o estudante comece a entender como funcionam os processos na estética e cosmética. A carga horária é de 2.670 horas, distribuídas entre disciplinas, estágios supervisionados, atividades acadêmicas complementares e trabalho de conclusão.
De acordo com a professora Mylena, ''é uma profissão que não exige muito investimento para começar'', já que basta uma maca e produtos de qualidade, no caso do trabalho com massagens, por exemplo. Com a regulamentação da estética como profissão, que está em tramitação, a tendência é aumentar ainda mais a importância de estudos superiores na área. ''Hoje o cliente procura pessoas com formação superior. E o profissional deve estar preparado para o exercício da profissão'', salienta.
A expectativa é que a demanda por profissionais dessa área com formação superior crescerá, pelo menos, 30% nos próximos anos, já que o Brasil é o 3º colocado no mercado mundial da beleza, segundo informações do curso. ''Esse mercado tem superavit todo ano, independentemente de crise'', comenta a professora. Com a ida da mulher ao mercado de trabalho, ''elas sempre separam uma parte do dinheiro para cuidados pessoais''.



Há cursos sequenciais e de graduação


Na Unopar, a diferença básica entre as duas opções existentes é que o curso sequencial em estética e imagem pessoal é uma modalidade diferenciada de ensino superior. Ou seja, um é curso superior de formação específica reconhecido pelo MEC, no qual o aluno tem a oportunidade de inserir-se mais rapidamente no mercado de trabalho, de acordo com a professora Maria Sílvia Felix Pereira, coordenadora dos cursos.
Já o curso superior de Tecnologia em Estética e cosmética tem uma carga horária maior, por conta de disciplinas específicas que proporcionam habilidades e competências inerentes a graduação. Além disso, outra diferença é que os sequenciais permitem que os alunos possam somente continuar seus estudos com a pós-graduação lato sensu (especialização), enquanto a graduação habilita também a modalidade stricto sensu (mestrado e doutorado).
O surgimento dos cursos se deu pela verificação da necessidade de proporcionar ao mercado regional em franca expansão profissionais capazes de reciclar e se adaptar às tendências atuais na área da estética, imagem pessoal e cosmética. Apesar de ser destinado para as pessoas de ambos os sexos, a grande maioria é representada por mulheres de diferentes faixas etárias. No entanto, ''atualmente verifica-se uma grande tendência para profissionais do sexo masculino'', comenta a professora Maria Sílvia. (L.A.S.)



Faculdade de ‘autoajuda’

Uma das profissionais formadas pelo curso sequencial em estética e imagem pessoal é Rafaela Germanovix, especialista em procedimentos pós-operatórios pelo Instituto Brasileiro de Eletroterapia e Cosmetologia (Ibeco), ela decidiu fazer estética e imagem pessoal porque já se interessava pelo cuidado com a beleza por trabalhar com maquiagem. Mesmo antes da formatura, em 2007, ela já fazia outros cursos técnicos e hoje trabalha em seu próprio consultório.
Rafaela atua como dermaticista, que ''é profissional de estética que se dedica a estudar o corpo de forma mais aprofundada e holística''. Segundo ela, busca-se cuidar tanto da beleza quanto da saúde, em parceria com profissionais de outras áreas. O curso de dematicista, de acordo com o site do Ibeco, é uma especialização que engloba estética facial, estética corporal e pré e pós-operatório em Cirurgia Plástica.
A dematicista considera Estética e Imagem Pessoal um curso encantador. ''Sempre brinco que é uma faculdade de auto-ajuda, pois mudei muito a minha forma de pensar, passei a me cuidar mais, a me preocupar mais comigo'', diz. As perspectivas futuras da profissão animam Rafaela. ''A estética passou a fazer parte da lista de prioridades de muitas pessoas, pois é uma grande aliada na busca pela qualidade de vida'', observa. (L.A.S.)




O homem da estética


Hemerson Eduardo Davies, cabeleireiro e técnico, é aluno da graduação em Tecnologia de Estética e único homem do curso. Apesar disso, Hemerson conta que não vê preconceito algum. ''É comum em São Paulo. As pessoas me tratam sem discriminação'', comenta. O estudante procurava desde 2001 um curso na área, mas não existia. Quando avaliou a grade curricular da Unifil, o que mais chamou sua atenção é o fato de ser uma graduação mesmo. ''Não é simplesmente um curso de massagem''.
E também não é curso para quem deseja apenas um diploma. A parte de anatomia e fisiologia, por exemplo, são bem enfatizadas. ''Antes, não sabia o que era o corpo humano. Hoje, onde eu tocar, sei de que parte se trata'', diz Hemerson. Durante o aprendizado, são feitos estudos de casos, baseados em erros de esteticistas que prejudicam a saúde por não conhecerem efetivamente as partes do corpo.
Desde que entrou no curso, Hemerson conta que aumentou em 30% o movimento no salão onde trabalha. ''Através das matérias, consigo orientar melhor meus clientes sobre cuidados com a pele, o cabelo, sei manipular muito melhor meus cremes'', relata. Limpeza, higiene, parte administrativa, marketing e contato com o cliente também melhoraram bastante. Isso sem falar no aumento de ofertas de trabalho. ''Tenho certeza de que é o curso do futuro''. (L.A.S.)

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