Curitiba - A criatividade, antes um dos fatores mais importantes para quem almejava ser publicitário, não é mais a característica imprescindível para o profissional. ''A criatividade sempre movimentou o negócio da comunicação, inspirou a conquista de contas'', comenta Alexandre Correia dos Santos, profissional de publicidade, há 19 anos no mercado. Com a evolução dos meios de comunicação, aliado a criação de novas plataformas midiáticas,''os profissionais precisam evoluir e aprender muito também'', afirma Santos.
Mesmo não sendo obrigatório o diploma para profissionais de publicidade atuarem, uma determinação do Conselho Executivo de Normas Padrão (Cenp), responsável por normatizar a propaganda, toda agência deve possuir em seu quadro - como responsável técnico - um bacharel em Comunicação Social. A formação acadêmica é uma parte integrante do crescimento profissional. Mas não deve se resumir apenas a esse aspecto. ''Antigamente, ser bacharel em comunicação tornava um profissional com mais chances de colocação no mercado. Hoje é apenas um degrau, uma etapa'', salienta.
O mercado busca cada vez mais profissionais dinâmicos e preparados para a atuação em todas as frentes de trabalho. Isso não é diferente no que diz respeito ao publicitário. ''Hoje o cliente não espera apenas uma campanha criativa. Anseia e cobra por um planejamento consistente, duradouro, por uma boa pesquisa de mercado e de público-alvo'', complementa o profissional.
A publicidade, ao contrário do que se possa imaginar, não é restrita apenas a criação. Existem outras áreas as quais o profissional está habilitado a trabalhar, e necessárias para o desenvolvimento de uma campanha. A criação, o atendimento e a mídia são as mais procuradas atualmente. ''Felizmente os profissionais têm buscado se enquadrar em diferentes áreas e vem alcançando resultados fabulosos'', ressalta Santos.
O publicitário deve estar preparado para atuar em todas as frentes. Desde os departamentos comuns a uma agência de propaganda (atendimento, web, criação, mídia, planejamento, produção, profissional de mídia de veículos de informação, planejamento, produção) até conhecer as diversas mídias e áreas de comunicação integrada e de marketing dos mais diferentes portes e campos de atuação. O mercado prioriza o profissional especialista nas partes, mas que ao mesmo tempo entende do todo. ''Deve ter uma visão apurada e pró-ativa de um planejamento completo de comunicação, por exemplo, independente da área em que atua. Assertividade e pró-atividade (na medida) também são bons requisitos'', menciona Santos.
Apesar de não fazer parte do grande eixo da propaganda, o Paraná sempre conseguiu repercussão e destaque nacional. Alguns nomes como Renato Cavalher e Luiz Groff, entre outros, representam bem a propaganda do Estado em todo o País.
O Clube de Criação do Paraná (CCPR), há sete anos promove um anuário no qual propagandas e campanhas de destaque são incluídas. O material selecionado compõe, ao fim de cada ano, um livro. Este é distribuído em um evento a todos os associados do clube. ''A idéia é reunir as principais campanhas das agências do Estado e colocá-las dentro de um espaço para que possam ser vistas por outros profissionais'', comenta Célia Camargos, coordenadora geral do CCPR. O anuário serve como material de apoio em faculdades e agências, porque as peças ali impressas são muitas vezes usadas como exemplos de campanhas e ajudam os alunos a entenderem melhor o que é ensinado na academia.


Capacitação abre muitas portas



O salário oferecido para quem inicia a carreira de publicitário é de R$ 1,6 mil porém algumas agências não chegam a pagar esse valor. ''As agências maiores pagam melhor'', comenta Juliana de Oliveira Deslandes, estudante do último ano de Publicidade e Propaganda em Curitiba. Juliana trabalha há quatro anos na área como diagramadora. Hoje a estudante é responsável pela diagramação e criação em uma agência de Curitiba. Juliana é formada em moda e admite que esta formação ajuda em sua carreira. ''Isso faz com que o senso de estética fique mais apurado'', lembra.
Segundo a estudante, somente a faculdade não prepara para o mercado de trabalho, é preciso aprimorar-se. ''Vejo muita gente se formar sem ter a mínima capacidade. São mais técnicos em uma área onde o conhecimento é um importante aliado da criatividade'', critica. Ela cita ainda a presença no mercado dos chamados ''micreiros'', profissionais desqualificados que produzem peças de baixa qualidade.
Quanto aos clientes, na opinião da futura publicitária, necessitam de ajuda qualificada, pois muitos deles não sabem expor o que realmente querem. (C.E.K.)

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