SUA CARREIRA
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Carlos Eduardo Kiatkoski<br> Especial para a FOLHA 
Vencimento sugerido é de 6 salários mínimos
Prancheta, réguas, esquadros, transferidor, caneta, nanquim. Pode parecer uma lista de materiais escolares, mas na verdade são as ferramentas de trabalho de um arquiteto. Atualmente essas ferramentas foram substituídas por programas de computador, o que faz com que o arquiteto busque cursos para aprimorar seus conhecimentos técnicos e poder operar as ferramentas responsáveis por traduzir suas ideias no papel.
O arquiteto Orlando Pinto Ribeiro afirma que por mais que a tecnologia avance, o uso da prancheta ainda é fundamental na hora do desenvolvimento do projeto. ''O computador facilita a materialização do desenho de maneira precisa, na investigação a respeito do espaço, como vai ficar após a intervenção'', explica. Hoje muitos escritórios buscam profissionais com habilidades em desenho arquitetônico, por se tratar de um processo insubstituível e ter uma linguagem universal.
O curso de gradução em Arquitetura e Urbanismo tem duração de cinco anos, conforme a carga horária mínima exigida. O salário é atrativo: R$ 3.060, o equivalente a seis salários mínimos para trabalho de seis horas. ''O valor se refere a seis horas de trabalho, porém há empresas que optam por pagar por hora'', assegura Ana Carmem de Oliveira, presidenta do Sindicato de Arquitetura do Paraná (Sindarq-Pr).
Uma das maiores preocupações do sindicato, no entanto, se refere a legislação em vigor. ''As leis são aprovadas, mas não são divulgadas'', lamenta a presidente. Em Curitiba, segundo ela, aproximadamente 60% das obras são irregulares e a fiscalização é passiva, ou seja, atua somente se feita denúncia. ''Ninguém se preocupa com esse assunto e o problema não é só de Curitiba'', diz. Ainda segundo a presidente do sindicato a legislação ainda não é divulgada e o mercado não está preparado para a demanda.
Dedicação
A preparação do profissional deve ocorrer já nos primeiros anos de estudo, com disciplinas diretamente aplicadas. É necessária muita dedicação e força de vontade, na avaliação da estudante Carla Andraus. Muitas vezes o estudante precisa sacrificar seus finais de semana para poder entregar um projeto, mesmo com dedicação exclusiva aos estudos. Ela observa que, atualmente, há muita competição com os profissionais de Engenharia, o que força os arquitetos a procurar outras áreas como a decoração de interiores e o paisagismo.
Como outros cursos a arquitetura ainda carece de preparo do aluno para o mercado profissonal. ''Aquilo que se aprende na academia ainda está muito distante da realidade do mercado, o curso não prepara para a realidade da profissão'', comenta Carla. Por isso, uma saída é procurar estágios, que poderão proporcionar a vivência direta com as dificuldades e os prazos. ''Se você não procurar estágio acaba ficando obsoleto'', comenta.


