SUA CARREIRA
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sábado, 06 de fevereiro de 2010
Carol Manhani<br> Especial para a FOLHA 
O mercado de trabalho para o engenheiro químico no Brasil está em expansão e ainda deve crescer bastante nos próximos anos. ''Devido a sua grande gama de áreas de atuação, o profissional com boa formação teórica e bons conhecimentos de química e outras ciências exatas, tem espaço garantido nesse promissor mercado de trabalho'', acredita Nehemias Pereira, chefe do departamento de engenharia química da Universidade Estadual de Maringá (UEM).
O engenheiro químico é responsável por elaborar projetos, instalar e operar indústrias além de desenvolver novos processos de transformação química de produtos. Essa é a principal diferença entre o químico e o engenheiro químico. O primeiro trabalha em escala laboratorial, enquanto o engenheiro é responsável por transportar o que é criado em laboratório para a escala industrial, otimizando a produção.
''Além de projetar a indústria, o profissional também pode projetar as máquinas que serão utilizadas em determinado processo como bombas e reatores'', explica a estudante Nicole Pan, que está no 5º ano de Engenharia Química na UEM. Ao contrário do que muitos podem pensar, Nicole avisa, além de química, é preciso gostar muito da área de exatas para fazer a faculdade já que as principais disciplinas envolvem cálculos matemáticos e física.
A formação do engenheiro químico é bem ampla, o que permite que ele trabalhe em diversos setores da indústria. Mara Vascão, coordenadora de garantia de qualidade da Sandoz, diz que ''o profissional pode atuar nas áreas produtivas e de suporte como, por exemplo, garantia de qualidade e engenharia. Ele também pode trabalhar em outras áreas voltadas ao negócio como administração, pesquisa e desenvolvimento, marketing e vendas e até mesmo finanças''.
Entre as indústrias que mais oferecem vagas, o professor Nehemias destaca a atuação em processos industriais principalmente na produção, prospecção e refinação de petróleo, na produção de biocombustíveis e nos processos de tratamento de efluentes industriais. ''Toda indústria, seja alimentícia ou farmacêutica, deveria ter um engenheiro químico. Ele pode trabalhar para melhorar o processo e o rendimento da indústria'', afirma a engenheira química Christiane Bueno.
Ela também destaca que há muitas vagas em concursos para engenheiros químicos. Logo após se formar, Christiane passou no concurso da Aeronáutica, onde trabalha hoje. Para ela, estudar bastante durante a faculdade e estabelecer uma meta foi muito importante para atingir seu objetivo. ''Essa oferta de vagas tem sido constante e é um excelente caminho para o recém-graduado iniciar sua atuação profissional'', acredita o professor Nehemias Pereira.
Como o curso de engenharia química é bastante abrangente, muitos alunos também optam por fazer uma especialização após formados para aprofundar conhecimentos específicos na área em que desejam trabalhar. ''Fiz um curso de pós-graduação para ampliar meus conhecimentos e complementar minha faculdade com os conhecimentos microbiológicos, que são necessários na empresa farmacêutica'', explica Mara Vascão.
Especialização
Nicole Pan, que se forma no final do ano, já decidiu que irá se especializar na área de cosméticos. ''Escolhi essa área para fazer o estágio obrigatório no último ano da faculdade. Ainda durante o curso é importante você já saber o que quer fazer depois de se formar. Se não fizer isso, fica muito perdido'', avalia.
Para o professor Nehemias, fazer uma pós-graduação não é importante apenas para quem quer seguir carreira acadêmica. ''A realização de um curso de mestrado e doutorado irá ampliar os horizontes profissionais. A pós-graduação é um grande diferencial em relação ao profissional apenas graduado'', justifica.
O curso de Engenharia Química é considerado difícil pelos alunos. ''Enquanto todo mundo está no bar, a gente vai para casa estudar. Tem que ter muita força de vontade para continuar e muitas vezes vai dar vontade de largar'', admite Nicole Pan. ''Não é fácil. Tive que estudar bastante, mas tudo valeu a pena pelas oportunidades que existem no mercado de trabalho'', completa Christiane Bueno.
No Paraná, cinco instituições oferecem o curso: Universidade Federal do Paraná (UFPR), Universidade Estadual de Maringá (UEM), Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Pontifícia Universidade Católica (PUC) e Faculdade de Telêmaco Borba (Fateb). O curso de Engenharia Química é integral e tem duração de cinco anos. Segundo o professor Nehemias Pereira, o salário inicial para um recém-formado é de R$ 3 mil a R$ 4,8 mil.


