SUA CARREIRA
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quarta-feira, 03 de fevereiro de 2010
Mie Francine Chiba<br> Especial para a FOLHA 
Para quem se identifica com a profissão, ser um técnico em prótese dentária, mais conhecido como protético, pode ser uma boa opção de trabalho. Profissionais da área dizem que há pouca mão de obra qualificada no mercado e quem se forma logo consegue emprego com uma boa remuneração. ''A profissão é excelente. Em termos de remuneração, para um curso técnico, o salário é bom'', ressalta a diretora do Curso Técnico em Prótese Odontológica do Centro de Educação Profissional C&S, Eliana Bianchini, também técnica em prótese dentária.
O protético é parceiro nas atividades do dentista. Ele não tem contato direto com os pacientes, mas é o técnico em prótese dentária quem confecciona as próteses a partir dos moldes entregues pelos dentistas, sejam as peças fixas, as totais, as parciais removíveis, os aparelhos ortodônticos ou as próteses sobre implantes. O protético é grande responsável pela reabilitação dentária.
De acordo com Edmilson Nogueira, protético há 40 anos e dono de laboratório há 20, o dia a dia da profissão é sempre um desafio. ''Todo dia tem uma novidade, porque cada boca é um sistema diferenciado. Cada caso é um caso, e cada caso é uma emoção.''
Para ser um protético, na opinião de Eliana Bianchini, é preciso primeiro de tudo, ser uma pessoa paciente. Depois, ele tem que ter habilidade manual para escultura. ''Mesmo se o aluno entra na escola achando que não é bom, ele acaba descobrindo essas habilidades aqui na escola. Não vi ainda aluno sair daqui sem habilidade com uma das funções que habilitamos na escola.''
O conhecimento teórico também faz muita diferença na profissão. Conhecer a anatomia dentária, por exemplo é importante. ''O aluno tem que saber nome dos dentes, suas classes, para que na hora de fazer um enceramento ele consiga esculpir um dente'', completa Eliana. Ser detalhista, perfeccionista, ter concentração e senso estético também são características desejáveis para quem quer se tornar um técnico de prótese dentária.
O protético pode tanto trabalhar em um laboratório de próteses dentárias como ser autônomo e ter seu próprio laboratório. Alguns também podem atuar diretamente em clínicas odontológicas. No Paraná, há 180 laboratórios cadastrados no Conselho Regional de Odontologia (CRO). Sete deles ficam em Londrina.
Emprego
Segundo profissionais da área, falta mão de obra no mercado de trabalho. ''Os que vem até nós conseguem ingressar normalmente no mercado de trabalho'', observa a diretora do C&S. Érika Morioka formou-se técnica em prótese dentária há três anos. Quando começou o curso, ela havia acabado de voltar do Japão, entre suas indas e vindas ao país, que durou 12 anos. Como ainda não havia feito uma faculdade, resolveu fazer um curso técnico. Fez estágios, e logo que terminou o curso conseguiu uma colocação em um laboratório. ''Hoje pretendo fazer isso mesmo'', diz, decidida.
O piso salarial, de acordo com Eliana Bianchini, é a primeira vantagem para quem trabalha em um laboratório de próteses dentárias: em torno de R$ 1,1 mil. O protético não tem horário. Em alguns períodos, como o final de ano, por exemplo, é preciso fazer horas extras. ''Mas é um trabalho que não exige muito de você, não te massacra'', diz Eliana, sobre a segunda vantagem em ser um protético. Já se o técnico tem o seu próprio laboratório, ele pode fazer seus próprios horários. ''Você mesmo faz sua agenda de dentistas. Se quer trabalhar das oito da manhã às seis da tarde, você só pega o tanto de trabalho que dá para fazer nesse período''.
Capacitação para jovens da Guarda Mirim
Sentindo carência de profissionais na área de prótese dentária, o dono da Próteses Dentárias Nogueira, Edmilson Nogueira, resolveu treinar ele mesmo seus ajudantes. Na sua avaliação, hoje há muitos técnicos formados em prótese dentária, mas poucos com conhecimento prático. Atualmente, em parceria com a Guarda Mirim, ele ensina jovens atendidos pela entidade em um curso que, conforme ele, é composto por 10% de aulas teóricas e 90% de aulas práticas. Ele já sai daqui estagiado. E estão sendo úteis para o laboratório: não pagam, mas ajudam, diz Nogueira.
O curso não dá o direito de ter registro como técnico de próteses dentárias no Conselho Regional de Odontologia (CRO), mas segundo o supervisor educacional da Guarda Mirim, Cláudio Melo, os jovens concluem as aulas capacitados para isso. É um curso de aprendiz, explica. Ele afirma que o projeto foi aprovado pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA).
Os jovens participantes, com idade acima dos 14 anos, não teriam condições de pagar um curso técnico. No futuro, pode ser bem recom-pensável, diz Diego Rafael Checon, de 16 anos, sobre o curso. Valdemir dos Santos Araújo, 15 anos, afirma que o curso despertou nele até a vontade de fazer uma faculdade de Odontologia. É tudo muito complexo. Se não tiver paciência, não conseguimos fazer. A parte que acha mais interessante na prótese dentária é ver o acabamento e a instalação. O estudante conta que já viu uma prótese que ajudou a confeccionar ser instalada, e ficou feliz.
Até o momento, o laboratório oferece três módulos de aulas com duração de seis meses cada e direito a apostila. A primeira turma, com dez alunos, já está indo para o segundo módulo. Um novo grupo de cerca de 20 jovens deve começar o curso no início deste mês já com adaptações na estrutura física do laboratório. Agora, o local contará com sala de aula, carteiras e jalecos para acomodar os alunos. (M.F.C.)
Profissão exige curso técnico
Trabalhar como protético exige o certificado de um curso técnico em prótese dentária, que pode ter duração de um ano e meio a dois anos. Em Londrina, de acordo com o Conselho Regional de Odontologia (CRO), duas instituições oferecem o curso. No Centro de Educação Profissional C&S, os alunos aprendem sobre anatomia dentária e as etapas de confecção de todos os tipos de próteses.
Atraído por anatomia dentária, Maycon Leandrini resolveu fazer o curso de prótese o ano passado. Trabalhei quase três anos em uma dental (loja que vende produtos odontológicos) no interior de São Paulo. Lá atendia protéticos, e sempre fui curioso nessa parte, conta. Como na cidade onde morava não havia curso técnico na área, veio a Londrina, onde mora o irmão. Você mergulha no assunto, começa a conhecer mais coisas. Agora vai começar a parte que eu mais gosto, que é a aplicação de cerâmica. Mais tarde, ele pretende até fazer um curso no exterior.
Durante as aulas, conforme conta a diretora do C&S, muitos alunos acabam se identificando com um ou dois tipos de próteses apenas, mas isso já é suficiente para formar um bom protético. Um bom protético acaba pegando uma função só.
Ao final do curso, o aluno precisa apresentar uma pasta com 180 horas de estágio, que pode ser concluída durante o curso ou no prazo de até cinco anos a partir da data da matrícula. Mas antes de começar a atuar como protético, é preciso se registrar no Conselho Regional de Odontologia com o diploma do curso técnico em mãos. (M.F.C.)


