Para quem se identifica com a profissão, ser um técnico em prótese dentária, mais conhecido como protético, pode ser uma boa opção de trabalho. Profissionais da área dizem que há pouca mão de obra qualificada no mercado e quem se forma logo consegue emprego com uma boa remuneração. ''A profissão é excelente. Em termos de remuneração, para um curso técnico, o salário é bom'', ressalta a diretora do Curso Técnico em Prótese Odontológica do Centro de Educação Profissional C&S, Eliana Bianchini, também técnica em prótese dentária.
O protético é parceiro nas atividades do dentista. Ele não tem contato direto com os pacientes, mas é o técnico em prótese dentária quem confecciona as próteses a partir dos moldes entregues pelos dentistas, sejam as peças fixas, as totais, as parciais removíveis, os aparelhos ortodônticos ou as próteses sobre implantes. O protético é grande responsável pela reabilitação dentária.
De acordo com Edmilson Nogueira, protético há 40 anos e dono de laboratório há 20, o dia a dia da profissão é sempre um desafio. ''Todo dia tem uma novidade, porque cada boca é um sistema diferenciado. Cada caso é um caso, e cada caso é uma emoção.''
Para ser um protético, na opinião de Eliana Bianchini, é preciso primeiro de tudo, ser uma pessoa paciente. Depois, ele tem que ter habilidade manual para escultura. ''Mesmo se o aluno entra na escola achando que não é bom, ele acaba descobrindo essas habilidades aqui na escola. Não vi ainda aluno sair daqui sem habilidade com uma das funções que habilitamos na escola.''
O conhecimento teórico também faz muita diferença na profissão. Conhecer a anatomia dentária, por exemplo é importante. ''O aluno tem que saber nome dos dentes, suas classes, para que na hora de fazer um enceramento ele consiga esculpir um dente'', completa Eliana. Ser detalhista, perfeccionista, ter concentração e senso estético também são características desejáveis para quem quer se tornar um técnico de prótese dentária.
O protético pode tanto trabalhar em um laboratório de próteses dentárias como ser autônomo e ter seu próprio laboratório. Alguns também podem atuar diretamente em clínicas odontológicas. No Paraná, há 180 laboratórios cadastrados no Conselho Regional de Odontologia (CRO). Sete deles ficam em Londrina.

Emprego
Segundo profissionais da área, falta mão de obra no mercado de trabalho. ''Os que vem até nós conseguem ingressar normalmente no mercado de trabalho'', observa a diretora do C&S. Érika Morioka formou-se técnica em prótese dentária há três anos. Quando começou o curso, ela havia acabado de voltar do Japão, entre suas indas e vindas ao país, que durou 12 anos. Como ainda não havia feito uma faculdade, resolveu fazer um curso técnico. Fez estágios, e logo que terminou o curso conseguiu uma colocação em um laboratório. ''Hoje pretendo fazer isso mesmo'', diz, decidida.
O piso salarial, de acordo com Eliana Bianchini, é a primeira vantagem para quem trabalha em um laboratório de próteses dentárias: em torno de R$ 1,1 mil. O protético não tem horário. Em alguns períodos, como o final de ano, por exemplo, é preciso fazer horas extras. ''Mas é um trabalho que não exige muito de você, não te massacra'', diz Eliana, sobre a segunda vantagem em ser um protético. Já se o técnico tem o seu próprio laboratório, ele pode fazer seus próprios horários. ''Você mesmo faz sua agenda de dentistas. Se quer trabalhar das oito da manhã às seis da tarde, você só pega o tanto de trabalho que dá para fazer nesse período''.


Capacitação para jovens da Guarda Mirim


Sen­tin­do ca­rên­cia de pro­fis­sio­nais na ­área de pró­te­se den­tá­ria, o do­no da Pró­te­ses Den­tá­rias No­guei­ra, Ed­mil­son No­guei­ra, re­sol­veu trei­nar ele mes­mo ­seus aju­dan­tes. Na sua ava­lia­ção, ho­je há mui­tos téc­ni­cos for­ma­dos em pró­te­se den­tá­ria, mas pou­cos com co­nhe­ci­men­to prá­ti­co. Atual­men­te, em par­ce­ria com a Guar­da Mi­rim, ele en­si­na jo­vens aten­di­dos pe­la en­ti­da­de em um cur­so que, con­for­me ele, é com­pos­to por 10% de au­las teó­ri­cas e 90% de au­las prá­ti­cas. ‘‘Ele já sai da­qui es­ta­gia­do. E es­tão sen­do ­úteis pa­ra o la­bo­ra­tó­rio: não pa­gam, mas ­ajudam’’, diz No­guei­ra.
O cur­so não dá o di­rei­to de ter re­gis­tro co­mo téc­ni­co de pró­te­ses den­tá­rias no Con­se­lho Re­gio­nal de Odon­to­lo­gia (CRO), mas se­gun­do o su­per­vi­sor edu­ca­cio­nal da Guar­da Mi­rim, Cláu­dio Me­lo, os jo­vens con­cluem as au­las ca­pa­ci­ta­dos pa­ra is­so. ‘‘É um cur­so de ­aprendiz’’, ex­pli­ca. Ele afir­ma que o pro­je­to foi apro­va­do pe­lo Con­se­lho Mu­ni­ci­pal dos Di­rei­tos da Crian­ça e do Ado­les­cen­te (­CMDCA).
Os jo­vens par­ti­ci­pan­tes, com ida­de aci­ma dos 14 ­anos, não te­riam con­di­ções de pa­gar um cur­so téc­ni­co. ‘‘No fu­tu­ro, po­de ser bem ­recom-pensável’’, diz Die­go Ra­fael Che­con, de 16 ­anos, so­bre o cur­so. Val­de­mir dos San­tos Araú­jo, 15 ­anos, afir­ma que o cur­so des­per­tou ne­le até a von­ta­de de fa­zer uma fa­cul­da­de de Odon­to­lo­gia. ‘‘É tu­do mui­to com­ple­xo. Se não ti­ver pa­ciên­cia, não con­se­gui­mos ­fazer’’. A par­te que ­acha ­mais in­te­res­san­te na pró­te­se den­tá­ria é ver o aca­ba­men­to e a ins­ta­la­ção. O es­tu­dan­te con­ta que já viu uma pró­te­se que aju­dou a con­fec­cio­nar ser ins­ta­la­da, e fi­cou fe­liz.
Até o mo­men­to, o la­bo­ra­tó­rio ofe­re­ce ­três mó­du­los de au­las com du­ra­ção de ­seis me­ses ca­da e di­rei­to a apos­ti­la. A pri­mei­ra tur­ma, com dez alu­nos, já es­tá in­do pa­ra o se­gun­do mó­du­lo. Um no­vo gru­po de cer­ca de 20 jo­vens de­ve co­me­çar o cur­so no iní­cio des­te mês já com adap­ta­ções na es­tru­tu­ra fí­si­ca do la­bo­ra­tó­rio. Ago­ra, o lo­cal con­ta­rá com sa­la de au­la, car­tei­ras e ja­le­cos pa­ra aco­mo­dar os alu­nos. (M.F.C.)

Profissão exige curso técnico

Tra­ba­lhar co­mo pro­té­ti­co exi­ge o cer­ti­fi­ca­do de um cur­so téc­ni­co em pró­te­se den­tá­ria, que po­de ter du­ra­ção de um ano e ­meio a ­dois ­anos. Em Lon­dri­na, de acor­do com o Con­se­lho Re­gio­nal de Odon­to­lo­gia (CRO), ­duas ins­ti­tui­ções ofe­re­cem o cur­so. No Cen­tro de Edu­ca­ção Pro­fis­sio­nal C&S, os alu­nos apren­dem so­bre ana­to­mia den­tá­ria e as eta­pas de con­fec­ção de to­dos os ti­pos de pró­te­ses.
Atraí­do por ana­to­mia den­tá­ria, May­con Lean­dri­ni re­sol­veu fa­zer o cur­so de pró­te­se o ano pas­sa­do. ‘‘Tra­ba­lhei qua­se ­três ­anos em uma den­tal (lo­ja que ven­de pro­du­tos odon­to­ló­gi­cos) no in­te­rior de São Pau­lo. Lá aten­dia pro­té­ti­cos, e sem­pre fui cu­rio­so nes­sa ­parte’’, con­ta. Co­mo na ci­da­de on­de mo­ra­va não ha­via cur­so téc­ni­co na ­área, ­veio a Lon­dri­na, on­de mo­ra o ir­mão. ‘‘Vo­cê mer­gu­lha no as­sun­to, co­me­ça a co­nhe­cer ­mais coi­sas. Ago­ra vai co­me­çar a par­te que eu ­mais gos­to, que é a apli­ca­ção de ce­râ­mi­ca.’’ ­Mais tar­de, ele pre­ten­de até fa­zer um cur­so no ex­te­rior.
Du­ran­te as au­las, con­for­me con­ta a di­re­to­ra do C&S, mui­tos alu­nos aca­bam se iden­ti­fi­can­do com um ou ­dois ti­pos de pró­te­ses ape­nas, mas is­so já é su­fi­cien­te pa­ra for­mar um bom pro­té­ti­co. ‘‘Um bom pro­té­ti­co aca­ba pe­gan­do uma fun­ção só.’’
Ao fi­nal do cur­so, o alu­no pre­ci­sa apre­sen­tar uma pas­ta com 180 ho­ras de es­tá­gio, que po­de ser con­cluí­da du­ran­te o cur­so ou no pra­zo de até cin­co ­anos a par­tir da da­ta da ma­trí­cu­la. Mas an­tes de co­me­çar a ­atuar co­mo pro­té­ti­co, é pre­ci­so se re­gis­trar no Con­se­lho Re­gio­nal de Odon­to­lo­gia com o di­plo­ma do cur­so téc­ni­co em ­mãos. (M.F.C.)

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