Foi-se o tempo que o historiador tinha a sala de aula como único e exclusivo campo de atuação profissional. Embora seja uma carreira ainda não regulamentada, a contemporaneidade trouxe consigo novos nichos que ampliaram as possibilidades para quem pretende se graduar em História.
No Paraná, segundo o Ministério da Educação, existem em funcionamento pelo menos 28 cursos de graduação em História em instituições públicas e privadas. O curso de História (licenciatura) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) existe desde 1958, ainda que tenha tido um hiato durante o regime militar quando, junto com o curso de Geografia, recebeu a denominação de Estudos Sociais.
Com a redemocratização do país, nos anos 1980, a História passou por um processo de revalorização e viu ampliar seu campo de atuação quando se aproximou de outras áreas do conhecimento e diversificou suas fontes de pesquisa. ''Hoje o historiador é um profissional das ciências humanas que se preocupa com a preservação da memória. Ele vai até o passado para discutí-lo em função do presente, na tentativa de estabelecer um diálogo atualizado'', define o chefe do Departamento História da UEL, Cristiano Biazzo Simon. ''Ser historiador não é saber datas, fatos, etc... Ser historiador está muito distante disso e pressupõe uma preocupação com o seu tempo e com a origem de como esse tempo foi construído em determinado passado'', complementa.
O principal campo de atuação do historiador em início de carreira continua sendo a sala de aula, principalmente no Ensino Fundamental e Médio, que pagam salários de pouco mais de R$ 1 mil mensais. Para lecionar em nível superior, a maioria das instituições exige que o profissional tenha concluído, no mínimo, doutorado. O salário inicial é de cerca de R$ 3 mil.
Mas Simon frisa que a graduação se preocupa hoje não só em desenvolver habilidades específicas importantes ao futuro professor como também ao futuro pesquisador, haja visto que o entendimento atual não dissocia mais uma coisa da outra. Ele aponta ainda que a formação acadêmica também procura dialogar com outras áreas do conhecimento - como as artes, a antropologia, a arqueologia, entre outras -, na tentativa de dar sua contribuição para questões contemporâneas. Isso acaba diversificando o campo de atuação do historiador. Hoje, o profissional pode atuar em arquivos de instituições públicas, em museus, na preservação da memória de empresas, entidades e outros órgãos, dar consultoria para empresas, assessorar na área de turismo, entre outras possibilidades.


Do­cu­men­tos são a ma­té­ria-pri­ma da His­tó­ria


Quando se graduou em História na UEL, há 24 anos, Edson José Holtz logo se encantou pelas possibilidades de preservação e organização de fontes de pesquisa histórica. Em 1987, fez um curso de especialização em organização de arquivos na Universidade de São Paulo (USP), o que abriu caminho para que ele retornasse à Londrina para auxiliar na montagem do Centro de Documentação e Pesquisa Histórica (CDPH), onde atua até hoje.
Holtz é um exemplo de que como a carreira de historiador pode ser bem mais abrangente do que se imagina. Ele aponta que chegou a dar aulas mas, paralelamente, continuava sua atuação com a preservação e organização de documentos. ''Acabei me especializando na área técnica com a matéria-prima do historiador, que são os documentos em seus mais variados suportes: fotos, imagens, ilustrações, documentos oficiais'', cita feliz da vida.
Com convicção, ele avisa que atualmente o mercado sente falta de historiadores que dominem o trabalho com arquivos. No CDPH, por exemplo, ele trabalha na gestão de documentos, organização do acervo, orientação de estagiários e pesquisadores, contribui com a realização de exposições temáticas e ainda presta assessoria técnica para outras instituições e órgãos. Ele cita que atualmente está assessorando a implantação do Centro de Pesquisa e Documentação Social - Arquivo Manoel Jacinto Correia, vinculado à Secretaria de Estado do Trabalho, Emprego e Promoção Social.
''É uma área muito rica para se trabalhar. Ainda que a licenciatura seja o carro-chefe, existe um campo novo que é a preservação da memória, material ou não'', valoriza Holtz, reforçando que o historiador precisa se manter em constante aprimoramento profissional. Ele mesmo atualmente se desdobra entre o trabalho no CDPH e o curso de Doutorado na Unesp, em Assis (SP), pesquisando o Museu Histórico de Londrina. (L.A.)

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