Crescimento econômico do País, Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), exploração de petróleo na camada pré-sal, somados à Copa do Mundo em 2014 e às Olimpíadas em 2016. Todos esses fatores têm construído um cenário positivo para uma profissão que está há tempos no mercado: a Engenharia. Tanto que a crescente demanda por esses profissionais levou a Federação Nacional de Engenharia (FNE) a lançar uma campanha para estimular os jovens que ainda cursam o Ensino Médio a optar pela carreira.
Projeções otimistas indicam que o Brasil será transformado em um verdadeiro ''canteiro de obras''. Nos próximos anos deverão ser executadas obras de infraestrutura que incluem melhorias nas áreas de mobilidade urbana, expansão das redes aeroportuárias, hotelaria, saúde, saneamento, telecomunicações, dentre outras. ''Haverá ainda a necessidade de reformar ou construir estádios para a realização das competições, bem como a adaptação do entorno dessas edificações'', afirma Carlos Maurício Lima de Paula Barros, presidente da Associação Brasileira de Engenharia Industrial (Abemi). Os recursos destinados às obras estão previstos no PAC e deverão atingir os R$ 21,8 bilhões.
Para a FNE não é de hoje que o cenário aponta para a escassez de engenheiros. ''Precisamos fazer com que os jovens enxerguem a engenharia como a profissão do momento e do futuro. O desenvolvimento contínuo do País tem que servir de estímulo para o ingresso na carreira de engenharia'', salienta o presidente da entidade Murilo Pinheiro. Na sua avaliação, inclusive, a falta de profissionais não depende apenas da falta de interesse dos estudantes, mas também da quantidade de vagas disponíveis nas universidades que, na sua opinião, ainda são poucas.
''Não há como estimularmos a demanda se não tivermos como atender'', diz Pinheiro. Para suprir essa carência por vagas o Ministério da Educação (MEC) pretende aumentar em até 50% o número de cadeiras nos próximos seis anos. O presidente da FNE destaca que dos cerca de 140 mil alunos que entram para as faculdades de engenharias todos os anos, apenas 40 mil concluem o curso anualmente. Os motivos são variados e vão desde currículos defasados até a dedicação exigida ao estudante.
''Nas últimas décadas, a forte razão para tantos jovens desencorajados foi o desaparecimento das perspectivas profissionais, pela falta de investimentos'', destaca Carlos Barros, da Abemi. No entanto, com a modificação desse cenário ele afirma que haverá falta de mão de obra, principalmente especializada. ''Os engenheiros serão necessários em todo o processo produtivo, do projeto à manutenção, mas a profissão já está desfalcada antes mesmo desse aumento da demanda'', lamenta.

Falta qualificação

O Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Paraná (Crea-PR), conta com pouco mais de 40 mil engenheiros registrados com endereço no Estado porém, desse total, pouco mais de 11 mil estão em exercício, segundo dados do Departamento Intersindical de Estatistica e Estudos Socioeconômicos (Dieese). No entanto, a escassez de profissionais não é o único problema da profissão como aponta o engenheiro civil Luiz Gastão. Para ele a desqualificação é outro fator a ser levado em consideração.
''Muitos dos profissionais que saem hoje das faculdades não sabem sequer fazer uma regra de três'', afirma Gastão, que atua na profissão há 30 anos com escritório en Curitiba. Ainda em relação ao despreparo da categoria, o presidente do Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (Senge-Pr), Valter Fanini, afirma que ''muitas instituições não estão preparadas para formar bons engenheiros''. Na sua opinião, o que falta não são vagas em faculdades ou mesmo novos engenheiros no mercado, mas engenheiros no exercício da profissão.
Ele argumenta que a mudança de carreira ocorre pelo baixo salário dos profissionais em início de carreira. ''Aumentar o salário aumenta também a procura pela profissão'', dispara. Atualmente, o salário inicial definido em Convenção Coletiva é de R$ 4.590 (correspondentes a 9 salários mínimos), porém muitas vezes esse valor não é pago pelos empregadores.




Para universitários curso é difícil


Para os estudantes de Engenharia ouvidos pela reportagem, uma das principais dificuldades encontradas é a grade curricular do curso. Segundo eles, as disciplinas ministradas nos primeiros anos não são ligadas diretamente à profissão. ''Os primeiros anos de faculdade são difíceis, além do fato de as faculdades não terem disciplinas iniciais que estimulem os alunos a permanecerem no curso. O que me ajudou foi fazer um estágio logo no início do curso'', comenta Gisele Ruth Ribeiro, estudante de Engenharia de Produção das Universidades Associadas de Ensino (Unifae).

Calouro de Engenharia Civil, Giancarlo Sarot Merlin de Camargo, acredita que o curso será difícil. ''Tenho consciência de que não vou terminar em cinco anos'', prevê. A sua opção por seguir essa carreira é por se tratar de um curso muito amplo. Filho de engenheiro civil, ele acredita que se estagiar desde o início da faculdade suas chances tendem a melhorar no mercado de trabalho.

Para o estudante Adriano Sequinel, cursar Engenharia é uma forma de complementar seu currículo e, com isso, melhorar suas chances no mercado de trabalho. Ele já é formado em Tecnologia em Mecânica e trabalha na área a dois anos. (C.E.K.)






Engenharia tem ampla área de atuação



A Engenharia é dividida em cinco áreas. A Civil projeta e gerencia obras e também se preocupa com a gestão ambiental. A Elétrica tem foco em telecomunicações, computação, circuitos elétricos e fontes alternativas de energia. Para os interessados em recursos naturais, como a exploração de petróleo, devem procurar a Química. A Mecânica engloba a mecatrônica, a construção de robôs, o desenvolvimento tecnológico e a indústria naval. Ainda existe oportunidade para os que prefer em a Agrônomica, que é a que cuida de todas as etapas de produção do alimento.

Para os interessados em ingressar em cursos de ciências exatas, vale lembrar que é preciso ter afinidade com as disciplinas de Física, Matemática e Química. Além da formação básica e habilidade numérica, é necessário interesse em pesquisa, concentração e criatividade para se destacar na profissão.

O Conselho Reginal de Engenharia, Arquitura e Agronomia do Estado do Paraná (Crea-PR), em parceria com o Instituto de Engenharia do Paraná (Iep), criou há dois anos um curso pré-vestibular gratuito voltado aos estudantes que pretendem cursar Engenharia, Arquitetura ou Agronomia. Segundo Cassilda Redino, gestora do Crea-Jr, o curso é ministrado por professores voluntários e as aulas ocorrem na sede do Iep. As inscrições podem ser feitas no site do Crea-PR e custam R$ 15. O prazo é de 1º a 28 de fevereiro. (C.E.K.)

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