A nutrição é uma profissão relativamente nova na área da saúde e foi regulamentada em 1991, quando surgiram os primeiros cursos universitários. Com quase 20 anos de existência, a carreira está em alta e oferece oportunidades em vários campos de trabalho. A preocupação crescente com a saúde e com o aumento da expectativa de vida dos brasileiros - que subiu de 67 para 72,2 - valoriza esses novos profissionais. A filosofia de que ''você é o que você come'', parece mais um clichê, mas deve ser levada a sério. Cuidados com a alimentação e controle do peso podem significar mais saúde e qualidade de vida na terceira idade, garantem os especialistas.
Conforme dados divulgados recentemente, no Brasil, dos 46 mil nutricionistas inseridos no mercado de trabalho, 42% atuam na área médica e 32% estão voltados para projetos de alimentação coletiva - contratados por restaurantes de empresas ou pelo governo, principalmente para prestar serviços nas escolas, na composição da merenda. Esse ramo é o que mais cresce na profissão.
Na área clínica, a nutrição cumpre a função de promover a saúde. Além da obesidade, os nutricionistas podem prevenir e contribuir no tratamento de outras doenças relacionadas a distúrbios alimentares, como diabetes, pressão alta e colesterol. Para aqueles que desejarem trabalhar em clínicas ou consultórios próprios, a nutricionista Flávia Augusta Pagano dá uma dica: é preciso estar sempre atualizado, já que todos os dias novas pesquisas são divulgadas sobre a alimentação. Além do estudo continuado, a profissão requer habilidades para lidar com as pessoas, pois o nutricionista atende um público variado: crianças, adolescentes, adultos e idosos. ''Para ser bem sucedido, é necessária uma dose de psicologia para entender os pacientes e prescrever a dieta mais adequada. Além disso, é necessário passar confiança para os clientes, pois eles precisam aceitar e acreditar no tratamento que estamos propondo'', diz.
Quem quiser atuar na área clínica e não pretende investir em um consultório pode trabalhar como ''personal diet''. Esse nutricionista presta atendimento domiciliar. Para os clientes, é um estímulo a mais para perder peso. ''Na primeira visita conhecemos os hábitos alimentares, a rotina, o peso e as medidas do paciente e suas expectativas em relação à dieta. Em seguida, elaboramos um cardápio de acordo com as necessidades de cada um. Nas visitas, anotamos as medidas e o peso e seguimos com as orientações, como numa clínica, com a diferença de que o cliente não precisa sair de casa'', explica Ligia de Andrade Faria, que atua como ''personal diet'' há poucos meses.
A coordenadora do curso de nutrição da Universidade do Norte do Paraná (Unopar), Cristina Tomasetti, explica que o mercado de home care é mais uma alternativa para os nutricionistas que não estão interessados em montar um consultório físico. Nesses casos, os profissionais atendem pacientes que estão em internamento domiciliar e que precisam de cuidados específicos com a alimentação. ''É diferente do personal diet, pois o papel do home care está relacionado geralmente ao tratamento de um paciente com uma patologia. Não é contratado com a finalidade de perder peso ou de melhorar a qualidade de vida de portadores de doenças relacionadas a distúrbios alimentares'', esclarece.
Nos hospitais, o nutricionista atua em conjunto com uma equipe multidisciplinar, formada por médicos, enfermeiros e farmacêuticos, como relata Maria Emília Suplicy. Ela faz parte do corpo clínico do Pequeno Príncipe, em Curitiba, que presta atendimento infantil. A nutricionista salienta que a atuação no hospital exige dos profissionais uma responsabilidade ainda maior, pois nesse ambiente é comum encontrar casos de desnutrição hospitalar, causada pela falta de apetite dos pacientes que estão internados para tratar de outras patologias.
Em casos mais simples, os nutricionistas montam o cardápio e investem na boa aparência da dieta, para que os doentes se alimentem bem e sem perder peso. Em situações mais graves em que a alimentação oral não é possível, os pacientes recebem dietas por meio de sondas - nutrição via enteral - ou através da corrente sanguínea - nutrição via parenteral. Para Maria Emília Suplicy, além de muito estudo e dedicação, os profissionais que seguem essa carreira encontram pela frente um desafio maior. ''O mais difícil na profissão é lidar com a fragilidade da vida humana. Isso requer uma aptidão especial, de aprender a conviver com o sofrimento alheio. Precisamos nos familiarizar com esse cotidiano para exercer melhor nossa tarefa, que é a de ajudar na recuperação dos doentes'', afirma.
A dieta hospitalar aumenta a cadeia de empregos para os nutricionistas. Gabriela Bergamini Vanucchi é formada em nutrição e acumula experiência na área clínica e hospitalar. Recém contratada como consultora de vendas do Laboratório Support, que manipula dietas para clínicas e hospitais, explica que o trabalho dela é angariar e fidelizar clientes, no caso médicos. ''Os laboratórios precisam de profissionais especializados, com conhecimento técnico elevado, pois além de apresentar os produtos, temos que esclarecer os questionamentos de pessoas com grande conhecimento na área da saúde'', revela. Nessa carreira, o nutricionista precisa desenvolver habilidade na comunicação, uma disciplina que não está na grade do curso de nutrição. ''As relações interpessoais são fundamentais para alcançar o sucesso'', enfatiza a nutricionista.



Administração de restaurantes empresariais
  O pa­pel de ges­tor de co­zi­nhas in­dus­triais exi­ge dos nu­tri­cio­nis­tas co­nhe­ci­men­tos ad­mi­nis­tra­ti­vos. De acor­do com a ­Exal – res­pon­sá­vel por res­tau­ran­tes de gran­des em­pre­sas em ­seis Es­ta­dos, o ges­tor tem au­to­no­mia na sua atua­ção. ­Além de com­prar as mer­ca­do­rias, ele tam­bém res­pon­de pe­los cál­cu­los. A ­Exal de­sen­vol­veu um pro­gra­ma de for­ma­ção em ges­tão de ne­gó­cios pa­ra ca­pa­ci­tar os nu­tri­cio­nis­tas, já que pa­ra tra­ba­lhar em res­tau­ran­tes de em­pre­sas não bas­ta acu­mu­lar co­nhe­ci­men­tos so­bre a saú­de e a na­tu­re­za dos ali­men­tos, é ne­ces­sá­rio tam­bém ad­qui­rir uma vi­são em­pre­sa­rial.
  ‘‘Os pro­fis­sio­nais que se­gui­rem pa­ra es­se se­tor pre­ci­sam gos­tar da ro­ti­na de uma co­zi­nha, ­pois tra­ba­lham co­mo se fos­sem do­nos de res­tau­ran­tes, que re­ce­bem os mes­mos clien­tes to­dos os ­dias. É pre­ci­so tam­bém ter bas­tan­te cria­ti­vi­da­de pa­ra mon­tar os car­dá­pios, que de­vem aten­der as ne­ces­si­da­des ali­men­ta­res dos ­funcionários’’, con­ta Vi­via­ne Es­pí­ri­to San­to, nu­tri­cio­nis­ta da ­Exal no Pa­ra­ná.
  A em­pre­sa tam­bém de­sen­vol­veu um pro­gra­ma de saú­de, o ­Mais Saú­de, ­Mais Vi­da – Co­ma Bem, Vi­va Me­lhor. Nes­te pro­gra­ma, uma nu­tri­cio­nis­ta ava­lia os fun­cio­ná­rios com ba­se em exa­mes clí­ni­cos e cui­da do acom­pa­nha­men­to nu­tri­cio­nal de ca­da co­la­bo­ra­dor, com­ba­ten­do pro­ble­mas co­muns, co­mo obe­si­da­de e so­bre­pe­so.
Outros mercados
  De ­olhos nas no­vas opor­tu­ni­da­des que sur­gem pa­ra os nu­tri­cio­nis­tas, a Uno­par in­cluiu na gra­de do cur­so dis­ci­pli­nas co­mo Mar­ke­ting e Ho­te­la­ria. Se­gun­do Cris­ti­na To­ma­set­ti, da Uno­par, as no­vas ­leis so­bre ro­tu­la­gens de pro­du­tos am­pliam as opor­tu­ni­da­des pa­ra os nu­tri­cio­nis­tas no mer­ca­do de tra­ba­lho.
  A nu­tri­ção es­por­ti­va le­va os nu­tri­cio­nis­tas pa­ra as aca­de­mias. Nes­se cam­po, ­eles pres­tam con­sul­to­ria pa­ra atle­tas com­pe­ti­do­res ou pa­ra pra­ti­can­tes de ati­vi­da­des fí­si­cas. No pri­mei­ro ca­so, a fun­ção dos nu­tri­cio­nis­tas é ela­bo­rar die­tas que me­lho­rem o ren­di­men­to do atle­ta, ­mais es­pe­ci­fi­ca­men­te. Em re­la­ção aos es­por­tis­tas, o car­dá­pio tam­bém e de­sen­vol­vi­do de acor­do com as ne­ces­si­da­des de ca­da in­di­ví­duo. ‘‘Exis­tem die­tas que aju­dam a per­der o pe­so e ou­tras que con­tri­buem com o for­ta­le­ci­men­to da mas­sa ­muscular’’, sa­lien­ta a coor­de­na­do­ra do cur­so de nu­tri­ção da Uno­par. (G.C.)

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