SUA CARREIRA
PUBLICAÇÃO
sábado, 16 de janeiro de 2010
Giovana Chiquim 
A nutrição é uma profissão relativamente nova na área da saúde e foi regulamentada em 1991, quando surgiram os primeiros cursos universitários. Com quase 20 anos de existência, a carreira está em alta e oferece oportunidades em vários campos de trabalho. A preocupação crescente com a saúde e com o aumento da expectativa de vida dos brasileiros - que subiu de 67 para 72,2 - valoriza esses novos profissionais. A filosofia de que ''você é o que você come'', parece mais um clichê, mas deve ser levada a sério. Cuidados com a alimentação e controle do peso podem significar mais saúde e qualidade de vida na terceira idade, garantem os especialistas.
Conforme dados divulgados recentemente, no Brasil, dos 46 mil nutricionistas inseridos no mercado de trabalho, 42% atuam na área médica e 32% estão voltados para projetos de alimentação coletiva - contratados por restaurantes de empresas ou pelo governo, principalmente para prestar serviços nas escolas, na composição da merenda. Esse ramo é o que mais cresce na profissão.
Na área clínica, a nutrição cumpre a função de promover a saúde. Além da obesidade, os nutricionistas podem prevenir e contribuir no tratamento de outras doenças relacionadas a distúrbios alimentares, como diabetes, pressão alta e colesterol. Para aqueles que desejarem trabalhar em clínicas ou consultórios próprios, a nutricionista Flávia Augusta Pagano dá uma dica: é preciso estar sempre atualizado, já que todos os dias novas pesquisas são divulgadas sobre a alimentação. Além do estudo continuado, a profissão requer habilidades para lidar com as pessoas, pois o nutricionista atende um público variado: crianças, adolescentes, adultos e idosos. ''Para ser bem sucedido, é necessária uma dose de psicologia para entender os pacientes e prescrever a dieta mais adequada. Além disso, é necessário passar confiança para os clientes, pois eles precisam aceitar e acreditar no tratamento que estamos propondo'', diz.
Quem quiser atuar na área clínica e não pretende investir em um consultório pode trabalhar como ''personal diet''. Esse nutricionista presta atendimento domiciliar. Para os clientes, é um estímulo a mais para perder peso. ''Na primeira visita conhecemos os hábitos alimentares, a rotina, o peso e as medidas do paciente e suas expectativas em relação à dieta. Em seguida, elaboramos um cardápio de acordo com as necessidades de cada um. Nas visitas, anotamos as medidas e o peso e seguimos com as orientações, como numa clínica, com a diferença de que o cliente não precisa sair de casa'', explica Ligia de Andrade Faria, que atua como ''personal diet'' há poucos meses.
A coordenadora do curso de nutrição da Universidade do Norte do Paraná (Unopar), Cristina Tomasetti, explica que o mercado de home care é mais uma alternativa para os nutricionistas que não estão interessados em montar um consultório físico. Nesses casos, os profissionais atendem pacientes que estão em internamento domiciliar e que precisam de cuidados específicos com a alimentação. ''É diferente do personal diet, pois o papel do home care está relacionado geralmente ao tratamento de um paciente com uma patologia. Não é contratado com a finalidade de perder peso ou de melhorar a qualidade de vida de portadores de doenças relacionadas a distúrbios alimentares'', esclarece.
Nos hospitais, o nutricionista atua em conjunto com uma equipe multidisciplinar, formada por médicos, enfermeiros e farmacêuticos, como relata Maria Emília Suplicy. Ela faz parte do corpo clínico do Pequeno Príncipe, em Curitiba, que presta atendimento infantil. A nutricionista salienta que a atuação no hospital exige dos profissionais uma responsabilidade ainda maior, pois nesse ambiente é comum encontrar casos de desnutrição hospitalar, causada pela falta de apetite dos pacientes que estão internados para tratar de outras patologias.
Em casos mais simples, os nutricionistas montam o cardápio e investem na boa aparência da dieta, para que os doentes se alimentem bem e sem perder peso. Em situações mais graves em que a alimentação oral não é possível, os pacientes recebem dietas por meio de sondas - nutrição via enteral - ou através da corrente sanguínea - nutrição via parenteral. Para Maria Emília Suplicy, além de muito estudo e dedicação, os profissionais que seguem essa carreira encontram pela frente um desafio maior. ''O mais difícil na profissão é lidar com a fragilidade da vida humana. Isso requer uma aptidão especial, de aprender a conviver com o sofrimento alheio. Precisamos nos familiarizar com esse cotidiano para exercer melhor nossa tarefa, que é a de ajudar na recuperação dos doentes'', afirma.
A dieta hospitalar aumenta a cadeia de empregos para os nutricionistas. Gabriela Bergamini Vanucchi é formada em nutrição e acumula experiência na área clínica e hospitalar. Recém contratada como consultora de vendas do Laboratório Support, que manipula dietas para clínicas e hospitais, explica que o trabalho dela é angariar e fidelizar clientes, no caso médicos. ''Os laboratórios precisam de profissionais especializados, com conhecimento técnico elevado, pois além de apresentar os produtos, temos que esclarecer os questionamentos de pessoas com grande conhecimento na área da saúde'', revela. Nessa carreira, o nutricionista precisa desenvolver habilidade na comunicação, uma disciplina que não está na grade do curso de nutrição. ''As relações interpessoais são fundamentais para alcançar o sucesso'', enfatiza a nutricionista.
Administração de restaurantes empresariais
O papel de gestor de cozinhas industriais exige dos nutricionistas conhecimentos administrativos. De acordo com a Exal responsável por restaurantes de grandes empresas em seis Estados, o gestor tem autonomia na sua atuação. Além de comprar as mercadorias, ele também responde pelos cálculos. A Exal desenvolveu um programa de formação em gestão de negócios para capacitar os nutricionistas, já que para trabalhar em restaurantes de empresas não basta acumular conhecimentos sobre a saúde e a natureza dos alimentos, é necessário também adquirir uma visão empresarial.
Os profissionais que seguirem para esse setor precisam gostar da rotina de uma cozinha, pois trabalham como se fossem donos de restaurantes, que recebem os mesmos clientes todos os dias. É preciso também ter bastante criatividade para montar os cardápios, que devem atender as necessidades alimentares dos funcionários, conta Viviane Espírito Santo, nutricionista da Exal no Paraná.
A empresa também desenvolveu um programa de saúde, o Mais Saúde, Mais Vida Coma Bem, Viva Melhor. Neste programa, uma nutricionista avalia os funcionários com base em exames clínicos e cuida do acompanhamento nutricional de cada colaborador, combatendo problemas comuns, como obesidade e sobrepeso.
Outros mercados
De olhos nas novas oportunidades que surgem para os nutricionistas, a Unopar incluiu na grade do curso disciplinas como Marketing e Hotelaria. Segundo Cristina Tomasetti, da Unopar, as novas leis sobre rotulagens de produtos ampliam as oportunidades para os nutricionistas no mercado de trabalho.
A nutrição esportiva leva os nutricionistas para as academias. Nesse campo, eles prestam consultoria para atletas competidores ou para praticantes de atividades físicas. No primeiro caso, a função dos nutricionistas é elaborar dietas que melhorem o rendimento do atleta, mais especificamente. Em relação aos esportistas, o cardápio também e desenvolvido de acordo com as necessidades de cada indivíduo. Existem dietas que ajudam a perder o peso e outras que contribuem com o fortalecimento da massa muscular, salienta a coordenadora do curso de nutrição da Unopar. (G.C.)


