SUA carreira
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Giovana Chiquim<br> Especial para a FOLHA 
O curso de medicina ainda está entre os mais concorridos em vestibulares de universidades públicas e privadas em todo o País. E, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil possui o dobro de médicos do que realmente que precisa. Mesmo assim, todos os recém-formados conseguem uma colocação no mercado. E o futuro é promissor para os estudantes que decidirem seguir essa carreira, já que a expectativa de vida dos brasileiros subiu de 67 para 72 anos nos últimos vinte anos. Com uma população idosa crescente, aumentam os cuidados com a saúde e o número de pacientes.
Apesar do status e do glamour que envolve essa profissão, o estudante precisa ter em mente que a carreira exige muitas horas de trabalho, estudo permanente e dedicação. A começar pela formação universitária, que demora seis anos. Nos últimos dois - o período de internato -, os alunos têm um contato intensivo com a profissão e é nesse momento que eles passam pelas práticas médicas, atuando como estagiários no atendimento a pacientes. Depois da graduação, a aprovação para entrar na residência é outro desafio, já que os concursos para ingressar nos cursos de especialização dentro dos hospitais também são muito concorridos - só há vagas para 40% dos que concluem a graduação, de acordo com dados divulgados recentemente. Por último, é hora de enfrentar o mercado de trabalho e decidir entre prestar um concurso público, trabalhar nos hospitais, seguir a carreira acadêmica ou abrir seu próprio consultório. O percurso para chegar nesse estágio leva em média dez anos, dependendo da área de residência escolhida pelos profissionais.
Fuad Salle Neto, cardiologista e docente do curso de medicina da Universidade Estadual de Londrina (UEL), afirma que o longo período de preparação exigido para formar um médico atrasa o início da carreira - a maioria só começa a trabalhar efetivamente quando já está chegando perto dos trinta anos, em média - e o retorno financeiro é mais demorado, se comparado com as outras profissões. Apesar disso, o cardiologista, diplomado há dez anos, se sente realizado na profissão e acredita que é preciso ter vocação para exercer o ofício de médico. ''Aqueles que não têm aptidão natural não conseguem enfrentar as dificuldades da medicina, entre elas a privação pessoal.
A residência médica, segundo Salle Neto, é o período mais sacrificado. Somos submetidos a horas de trabalho a fio e passamos noites sem dormir. A vida pessoal é bastante prejudicada, já que temos que conciliar a rotina familiar e o hospital. E a família acaba sempre perdendo. Mas, para quem tem vocação, todos os obstáculos são superados, pois receber o reconhecimento e o carinho dos pacientes é algo que não tem preço'', diz.
Flávio Henrique Sant'Ana, residente em medicina preventiva no Hospital Universitário (HU), ligado à UEL, também acredita que melhorar a qualidade de vida das pessoas é uma tarefa que oferece recompensas pessoais. ''Ajudamos os pacientes, mas a sensação de conforto e realização que esse ofício devolve para os médicos é imensurável'', salienta.
Números da medicina no Brasil
159.428 - total de candidatos nos vestibulares das universidades federais e da universidade de São Paulo que concorrem às vagas de medicina;
178 é o número de faculdades de medicina no Brasil;
344.000 é o número de médicos que estão em atividade no Brasil, de acordo com dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS);
R$ 26,00 é o valor médio recebido pelos médicos por uma consulta feita a um cliente de um plano de saúde, segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS);
R$ 160 bilhões é o valor movimentado pelo setor de saúde no Brasil;
70% corresponde ao índice dos médicos que atuam em hospitais públicos. Desde a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), em 1988. O governo é o maior empregador da área da saúde no Brasil;
R$ 7 mil é o valor dos salários mensais médios, que colocam a medicina na terceira posição no ranking das profissões mais bem pagas no Brasil (segundo reportagem de uma revista de circulação nacional).
O papel do médico no século XXI
Flávio Henrique SantAna, residente em medicina preventiva no HU, foi premiado em um concurso nacional do Conselho Regional de Medicina (CRM), em razão de um trabalho monográfico que lista os papéis do médico no século XXI. A premiação aconteceu no mês de outubro, em solenidade que comemorou o Dia do Médico, em Curitiba.
De acordo com o residente, é necessário resgatar a função social e a ética na medicina. O conhecimento técnico é fundamental na nossa profissão. Trabalhamos com vidas e um procedimento mal sucedido pode causar um dano irreparável, destaca. Mas além dessa consciência, SantAna destaca que o profissional precisa equilibrar as práticas médicas com o lado humanístico do médico, que está ligado ao caráter e a moral. Afinal, os pacientes depositam um alto grau de confiança no médico. O Estado, com o dinheiro dos impostos, financia nossos estudados nas escolas públicas e precisamos devolver esse investimento para a sociedade, ressalta.
SantAna enfatiza em seu trabalho que a ética deve ser reforçada na academia. A postura das universidades já está melhorando em relação a isso, assim como as entidades e Conselhos relacionados à medicina. Uma prova é a revisão do código de ética do médico, concluído em agosto de 2009, comenta. (G.C.)
Especialização pode determinar salários
O salário do médico pode variar de acordo com a especialização escolhida e com o ambiente de trabalho se atende em consultório próprio, se é conveniado às operadoras de saúde ou se trabalha em hospitais ou clínicas. Em alguns casos é preciso atender muitos pacientes para conseguir uma boa renda. Geralmente, depois de uma carreira consolidada, o médico aceita apenas consultas particulares e trabalha menos. Além disso, a oferta não é igual em todas as especialidades.
Entre as áreas mais concorridas nas residências estão aquelas relacionadas à estética, dermatologia e cirurgia plástica, além daquelas vinculadas ao avanço tecnológico, como a medicina diagnóstica. Em baixa, estão as especializações tradicionais, como a pediatria e a clínica médica. Mas este quadro já está mudando, conforme a opinião da coordenadora do Colegiado de Medicina da UEL, Evelin Ogatta Maraguchi. Ela compreende que a carreira do clínico geral é promissora, já que é uma área carente de profissionais. A maioria dos graduados parte para uma especialidade para garantir uma boa remuneração. No entanto, o relacionamento médico-paciente está ganhando mais importância, como era antigamente, explica.
Isso porque, muitas doenças podem ser tratadas pelos clínicos gerais e exigem que o profissional conheça todos os detalhes da vida do paciente. A hipertensão, por exemplo, deve ser controlada e o médico precisa de informações sobre a rotina familiar e as condições de trabalho de cada um para prescrever um tratamento adequado, que requer cuidados na alimentação e exercícios físicos, aliados a um medicamento. As pessoas e os próprios médicos estão percebendo essa realidade e acreditamos que em um futuro próximo os clínicos gerais serão mais valorizados, inclusive no aspecto financeiro, afirma Evelin.
O cardiologista Fuad Salle Neto explica que, nas cidades pequenas, os salários oferecidos pelas Prefeituras costumam ser atraentes. Isso porque há carência de mão de obra nessas localidades. A maioria dos médicos prefere viver em grandes centros urbanos, que dispõe de maiores ferramentas para os estudos e atualização profissional. Além disso, as metrópoles também possuem maior infraestrutura e lazer.
Apenas no segundo semestre de 2009, vários editais de concursos foram abertos no Paraná para a contratação de profissionais para preencher vagas nas Prefeituras Municipais. Os salários variam muito e são melhores nas cidades menores. Em Ponta Grossa o salário chega a R$ 7.361,00, enquanto em Londrina a remuneração é de R$ 2.803,53 (fonte: www.pciconcursos.com.br). (G.C.)
Cursos de Medicina no Paraná
Londrina
Universidade Estadual de Londrina (UEL) Ensino gratuito
Curitiba
Universidade Federal do Paraná (UFPR) Ensino gratuito
Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) Valor da mensalidade: R$ 3.031
Faculdade Evangélica de Medicina Valor da mensalidade: R$ 2.150
Maringá
Universidade Estadual de Maringá (UEM) Ensino gratuito
Ponta Grossa
Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) Ensino gratuito
Cascavel
Universidade do Oeste do Paraná (Unioeste) Ensino gratuito
Residência Médica
Cursos de oferecidos no Hospital Universitário da Universidade Estadual de Londrina:
Anestesiologia, Angiorradiologia e Cirurgia endovascular, Cardiologia, Cirurgia geral, Cirurgia pediátrica, Clínica médica, Dermatologia, Endocrinologia, Gastroenterologia, Infectologia, Medicina intensiva, Medicina preventiva e social, Nefrologia, Neurocirurgia, Neurologia, Obstetrícia e ginecologia, Oftalmologia, Ortopedia e Traumatologia, Patologia, Pediatria, Pneumologia, Psiquiatria, Radiologia e Diagnóstico por Imagem, Reumatologia e Urologia.


