O curso de medicina ainda está entre os mais concorridos em vestibulares de universidades públicas e privadas em todo o País. E, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil possui o dobro de médicos do que realmente que precisa. Mesmo assim, todos os recém-formados conseguem uma colocação no mercado. E o futuro é promissor para os estudantes que decidirem seguir essa carreira, já que a expectativa de vida dos brasileiros subiu de 67 para 72 anos nos últimos vinte anos. Com uma população idosa crescente, aumentam os cuidados com a saúde e o número de pacientes.
Apesar do status e do glamour que envolve essa profissão, o estudante precisa ter em mente que a carreira exige muitas horas de trabalho, estudo permanente e dedicação. A começar pela formação universitária, que demora seis anos. Nos últimos dois - o período de internato -, os alunos têm um contato intensivo com a profissão e é nesse momento que eles passam pelas práticas médicas, atuando como estagiários no atendimento a pacientes. Depois da graduação, a aprovação para entrar na residência é outro desafio, já que os concursos para ingressar nos cursos de especialização dentro dos hospitais também são muito concorridos - só há vagas para 40% dos que concluem a graduação, de acordo com dados divulgados recentemente. Por último, é hora de enfrentar o mercado de trabalho e decidir entre prestar um concurso público, trabalhar nos hospitais, seguir a carreira acadêmica ou abrir seu próprio consultório. O percurso para chegar nesse estágio leva em média dez anos, dependendo da área de residência escolhida pelos profissionais.
Fuad Salle Neto, cardiologista e docente do curso de medicina da Universidade Estadual de Londrina (UEL), afirma que o longo período de preparação exigido para formar um médico atrasa o início da carreira - a maioria só começa a trabalhar efetivamente quando já está chegando perto dos trinta anos, em média - e o retorno financeiro é mais demorado, se comparado com as outras profissões. Apesar disso, o cardiologista, diplomado há dez anos, se sente realizado na profissão e acredita que é preciso ter vocação para exercer o ofício de médico. ''Aqueles que não têm aptidão natural não conseguem enfrentar as dificuldades da medicina, entre elas a privação pessoal.
A residência médica, segundo Salle Neto, é o período mais sacrificado. Somos submetidos a horas de trabalho a fio e passamos noites sem dormir. A vida pessoal é bastante prejudicada, já que temos que conciliar a rotina familiar e o hospital. E a família acaba sempre perdendo. Mas, para quem tem vocação, todos os obstáculos são superados, pois receber o reconhecimento e o carinho dos pacientes é algo que não tem preço'', diz.
Flávio Henrique Sant'Ana, residente em medicina preventiva no Hospital Universitário (HU), ligado à UEL, também acredita que melhorar a qualidade de vida das pessoas é uma tarefa que oferece recompensas pessoais. ''Ajudamos os pacientes, mas a sensação de conforto e realização que esse ofício devolve para os médicos é imensurável'', salienta.


Números da medicina no Brasil

159.428 - total de candidatos nos vestibulares das universidades federais e da universidade de São Paulo que concorrem às vagas de medicina;

178 é o número de faculdades de medicina no Brasil;

344.000 é o número de médicos que estão em atividade no Brasil, de acordo com dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS);

R$ 26,00 é o valor médio recebido pelos médicos por uma consulta feita a um cliente de um plano de saúde, segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS);

R$ 160 bilhões é o valor movimentado pelo setor de saúde no Brasil;

70% corresponde ao índice dos médicos que atuam em hospitais públicos. Desde a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), em 1988. O governo é o maior empregador da área da saúde no Brasil;

R$ 7 mil é o valor dos salários mensais médios, que colocam a medicina na terceira posição no ranking das profissões mais bem pagas no Brasil (segundo reportagem de uma revista de circulação nacional).


O pa­pel do mé­di­co no sé­cu­lo XXI

  Flá­vio Hen­ri­que ­Sant’Ana, re­si­den­te em me­di­ci­na pre­ven­ti­va no HU, foi pre­mia­do em um con­cur­so na­cio­nal do Con­se­lho Re­gio­nal de Me­di­ci­na (CRM), em ra­zão de um tra­ba­lho mo­no­grá­fi­co que lis­ta os pa­péis do mé­di­co no sé­cu­lo XXI. A pre­mia­ção acon­te­ceu no mês de ou­tu­bro, em so­le­ni­da­de que co­me­mo­rou o Dia do Mé­di­co, em Cu­ri­ti­ba.
  De acor­do com o re­si­den­te, é ne­ces­sá­rio res­ga­tar a fun­ção so­cial e a éti­ca na me­di­ci­na. ‘‘O co­nhe­ci­men­to téc­ni­co é fun­da­men­tal na nos­sa pro­fis­são. Tra­ba­lha­mos com vi­das e um pro­ce­di­men­to mal su­ce­di­do po­de cau­sar um da­no ­irreparável’’, des­ta­ca. Mas ­além des­sa cons­ciên­cia, ­Sant’Ana des­ta­ca que o pro­fis­sio­nal pre­ci­sa equi­li­brar as prá­ti­cas mé­di­cas com o la­do hu­ma­nís­ti­co do mé­di­co, que es­tá li­ga­do ao ca­rá­ter e a mo­ral. ‘‘Afi­nal, os pa­cien­tes de­po­si­tam um al­to ­grau de con­fian­ça no mé­di­co. O Es­ta­do, com o di­nhei­ro dos im­pos­tos, fi­nan­cia nos­sos es­tu­da­dos nas es­co­las pú­bli­cas e pre­ci­sa­mos de­vol­ver es­se in­ves­ti­men­to pa­ra a ­sociedade’’, res­sal­ta.
  ­Sant’Ana en­fa­ti­za em seu tra­ba­lho que a éti­ca de­ve ser re­for­ça­da na aca­de­mia. ‘‘A pos­tu­ra das uni­ver­si­da­des já es­tá me­lho­ran­do em re­la­ção a is­so, as­sim co­mo as en­ti­da­des e Con­se­lhos re­la­cio­na­dos à me­di­ci­na. Uma pro­va é a re­vi­são do có­di­go de éti­ca do mé­di­co, con­cluí­do em agos­to de 2009’’, co­men­ta. (G.C.)


Es­pe­cia­li­za­ção po­de de­ter­mi­nar sa­lá­rios

  O sa­lá­rio do mé­di­co po­de va­riar de acor­do com a es­pe­cia­li­za­ção es­co­lhi­da e com o am­bien­te de tra­ba­lho – se aten­de em con­sul­tó­rio pró­prio, se é con­ve­nia­do às ope­ra­do­ras de saú­de ou se tra­ba­lha em hos­pi­tais ou clí­ni­cas. Em al­guns ca­sos é pre­ci­so aten­der mui­tos pa­cien­tes pa­ra con­se­guir uma boa ren­da. Ge­ral­men­te, de­pois de uma car­rei­ra con­so­li­da­da, o mé­di­co acei­ta ape­nas con­sul­tas par­ti­cu­la­res e tra­ba­lha me­nos. ­Além dis­so, a ofer­ta não é ­igual em to­das as es­pe­cia­li­da­des.
  En­tre as ­áreas ­mais con­cor­ri­das nas re­si­dên­cias es­tão aque­las re­la­cio­na­das à es­té­ti­ca, der­ma­to­lo­gia e ci­rur­gia plás­ti­ca, ­além da­que­las vin­cu­la­das ao avan­ço tec­no­ló­gi­co, co­mo a me­di­ci­na diag­nós­ti­ca. Em bai­xa, es­tão as es­pe­cia­li­za­ções tra­di­cio­nais, co­mo a pe­dia­tria e a clí­ni­ca mé­di­ca. Mas es­te qua­dro já es­tá mu­dan­do, con­for­me a opi­nião da coor­de­na­do­ra do Co­le­gia­do de Me­di­ci­na da UEL, Eve­lin Ogat­ta Ma­ra­gu­chi. Ela com­preen­de que a car­rei­ra do clí­ni­co ge­ral é pro­mis­so­ra, já que é uma ­área ca­ren­te de pro­fis­sio­nais. ‘‘A maio­ria dos gra­dua­dos par­te pa­ra uma es­pe­cia­li­da­de pa­ra ga­ran­tir uma boa re­mu­ne­ra­ção. No en­tan­to, o re­la­cio­na­men­to mé­di­co-pa­cien­te es­tá ga­nhan­do ­mais im­por­tân­cia, co­mo era ­antigamente’’, ex­pli­ca.
  Is­so por­que, mui­tas doen­ças po­dem ser tra­ta­das pe­los clí­ni­cos ge­rais e exi­gem que o pro­fis­sio­nal co­nhe­ça to­dos os de­ta­lhes da vi­da do pa­cien­te. A hi­per­ten­são, por exem­plo, de­ve ser con­tro­la­da e o mé­di­co pre­ci­sa de in­for­ma­ções so­bre a ro­ti­na fa­mi­liar e as con­di­ções de tra­ba­lho de ca­da um pa­ra pres­cre­ver um tra­ta­men­to ade­qua­do, que re­quer cui­da­dos na ali­men­ta­ção e exer­cí­cios fí­si­cos, alia­dos a um me­di­ca­men­to. ‘‘As pes­soas e os pró­prios mé­di­cos es­tão per­ce­ben­do es­sa rea­li­da­de e acre­di­ta­mos que em um fu­tu­ro pró­xi­mo os clí­ni­cos ge­rais se­rão ­mais va­lo­ri­za­dos, in­clu­si­ve no as­pec­to ­financeiro’’, afir­ma Eve­lin.
  O car­dio­lo­gis­ta ­Fuad Sal­le Ne­to ex­pli­ca que, nas ci­da­des pe­que­nas, os sa­lá­rios ofe­re­ci­dos pe­las Pre­fei­tu­ras cos­tu­mam ser atraen­tes. Is­so por­que há ca­rên­cia de mão de ­obra nes­sas lo­ca­li­da­des. A maio­ria dos mé­di­cos pre­fe­re vi­ver em gran­des cen­tros ur­ba­nos, que dis­põe de maio­res fer­ra­men­tas pa­ra os es­tu­dos e atua­li­za­ção pro­fis­sio­nal. ­Além dis­so, as me­tró­po­les tam­bém pos­suem ­maior in­fraes­tru­tu­ra e la­zer.
  Ape­nas no se­gun­do se­mes­tre de 2009, vá­rios edi­tais de con­cur­sos fo­ram aber­tos no Pa­ra­ná pa­ra a con­tra­ta­ção de pro­fis­sio­nais pa­ra preen­cher va­gas nas Pre­fei­tu­ras Mu­ni­ci­pais. Os sa­lá­rios va­riam mui­to e são me­lho­res nas ci­da­des me­no­res. Em Pon­ta Gros­sa o sa­lá­rio che­ga a R$ 7.361,00, en­quan­to em Lon­dri­na a re­mu­ne­ra­ção é de R$ 2.803,53 (fon­te: www.pci­con­cur­sos.com.br). (G.C.)






Cursos de Medicina no Paraná

Londrina

Universidade Estadual de Londrina (UEL) Ensino gratuito

Curitiba
Universidade Federal do Paraná (UFPR) Ensino gratuito

Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) Valor da mensalidade: R$ 3.031
Faculdade Evangélica de Medicina Valor da mensalidade: R$ 2.150

Maringá
Universidade Estadual de Maringá (UEM) Ensino gratuito

Ponta Grossa
Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) Ensino gratuito

Cascavel
Universidade do Oeste do Paraná (Unioeste) Ensino gratuito

Residência Médica

Cursos de oferecidos no Hospital Universitário da Universidade Estadual de Londrina:
Anestesiologia, Angiorradiologia e Cirurgia endovascular, Cardiologia, Cirurgia geral, Cirurgia pediátrica, Clínica médica, Dermatologia, Endocrinologia, Gastroenterologia, Infectologia, Medicina intensiva, Medicina preventiva e social, Nefrologia, Neurocirurgia, Neurologia, Obstetrícia e ginecologia, Oftalmologia, Ortopedia e Traumatologia, Patologia, Pediatria, Pneumologia, Psiquiatria, Radiologia e Diagnóstico por Imagem, Reumatologia e Urologia.

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