SUA CARREIRA
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Gisele Mendonça<br>com Folhapress 
A atmosfera de glamour dos saguões bem decorados e reluzentes, dos funcionários uniformizados e de todas as mordomias que os hotéis de luxo oferecem pode atrair muita gente para a carreira de hotelaria. Mas se engana quem acha que esse mundo tão retratado em filmes e novelas inclui uma vida tranquila.
Quem escolhe estudar hotelaria terá muitos períodos de férias, feriados e finais de semana destinados ao bem-estar e lazer alheios. Segundo Márcia Miyazaki, coordenadora de desenvolvimento dos cursos de hotelaria do Senac, em São Paulo, a principal característica que um aluno de hotelaria deve ter é gostar de servir.
A hotelaria atrai muitos alunos que gostam de viajar, de conhecer culturas diferentes, de não ter rotina e, principalmente, de receber bem o outro.
É exatamente essa vertente ligada ao serviço que abriu as possibilidades dos formados em hotelaria, sejam tecnólogos ou bacharéis. Recentemente, diz Márcia, os profissionais da área estão sendo requisitados não apenas nos tradicionais hotéis, resorts e flats.
O setor abrange agora empreendimentos e setores comerciais que oferecem serviço de luxo a seus clientes, como bancos, condomínios de alto padrão, shoppings, clínicas de estética e hospitais.
E não param por aí as novas possibilidades para o setor hoteleiro. André Luiz Braun, coordenador do curso de tecnólogo em hotelaria da Uninove (Universidade Nove de Julho), em São Paulo, diz esperar uma forte expansão do mercado com a realização de grandes eventos esportivos no Brasil a Copa do Mundo e a Olimpíada nos próximos anos.
Dirce Vasconcellos Lopes, coordenadora do curso de Turismo e Hotelaria da Universidade Norte do Paraná (Unopar), também destaca o peso desses eventos para o setor. São eventos de grande porte, já captados, que consolidam o Brasil como destino turístico importante. Isso abre muitas oportunidades para os profissinais da área, valoriza.
Embora em menor quantidade no país, cursos como o da Unopar, que proporcionam formação dupla em turismo e hotelaria, também são opções bastante procuradas atualmente. O nosso curso (criado há 11 anos) foi o primeiro híbrido no Paraná. O aluno sai apto a exercer as duas profissões, destaca Dirce.
Com três anos de duração, o curso que forma turismólogos ou bacharéis em Turismo é noturno e inclui disciplinas profissionalizantes desde o início, relacionadas a hospitalidade, cargos e funções em hotelaria, lazer e recreação, legislação aplicada ao turismo e hotelaria, direito do consumidor, segmentação do mercado turístico, captação e organização de eventos, entre outras. O estágio obrigatório é de 300 horas.
Os campos de atuação são diversos. Além do setor de hotelaria, existe a área de transporte (aéreo, marítimo, ferroviário e rodoviário), as agências de turismo, o segmento de alimentos e bebidas (gastronomia), a parte de eventos e a área de consultoria, planejamento e organização do turismo. O turismo tem uma linha de crédito bem grande, cuja liberação passa pelo crivo do Ministério do Turismo. É norma do ministério que os projetos nesta área tenham o aval de um bacharel em turismo, afirma Dirce.
Na implantação de um empreendimento turístico, ela informa que o profissional também está apto a avaliar os impactos ambientais do projeto. A coordenadora do curso da Unopar informa que a profissão não é regulamentada, mas conta com o amparo do Ministério do Turismo. Para ela, a criação do ministério, no início do governo Lula, foi um ganho para a profissão. É um bom momento para o setor. Como em qualquer profissão, orientamos os estudantes a serem empreendedores, afirma Dirce.
Quanto à remuneração, o mercado é oscilante, com desvantagem para o interior. A média salarial varia de acordo com o porte e localização da cidade, a importância do projeto, a movimentação da agência ou do empreendimento, entre outros.
Trabalhar desde cedo é fundamental
O gosto pela profissão e a busca por conhecimento ajudaram a turismóloga Helen Mendonça Orsi, 28 anos, a construir uma carreira bem-sucedida. Formada em Turismo e Hotelaria em 2003, ela é proprietária de uma empresa especializada em administração hoteleira, que há quatro anos implantou em Londrina o Golden Blue Hotel. Foi uma experiência de bastante responsabilidade. Tive que buscar informações em outras cidades, conhecer empreendimentos, conversar com proprietários, conta Helen.
Ela diz que sempre quis seguir essa profissão e conta que começou a trabalhar ainda na faculdade. Começou como estagiária na recepção de um hotel e com pouco mais de um ano já estava efetivada na empresa, onde atuou também durante o curso como coordenadora de reservas e eventos e executiva de contas.
Para crescer profissionalmente, Helen destaca a importância do estágio e da aproximação com o mercado de trabalho. Para mim foi muito importante para aliar a teoria com a prática. Me ajudou a ter segurança, diz ela, que também cita o contato com outras culturas como experiência enriquecedora. Antes de prestar vestibular, fiz um intercâmbio nos Estados Unidos e pude perceber como os jovens lá começam a trabalhar cedo. Despertei para isso, além de aprimorar o inglês, lembra. Ela diz que dominar, pelo menos, um outro idioma, também abre portas para o mercado.
Anos mais tarde, Helen voltou ao Estados Unidos para trabalhar na Disney. Recentemente, concluiu MBA em gestão empresarial e agora está cursando pós-graduação em administração hoteleira. Isto tudo tem me acrescentado bastante. Gosto da profissão e recomendo, diz. (G.M.)


