SUA CARREIRA
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quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Adriana Ito<br> Reportagem Local 
Embora a semelhança de nomes confunda muita gente, a Biomedicina é completamente diferente da Medicina. A única coisa que ambas têm em comum é o fato de seus estudos estarem relacionados à biologia e à saúde. ''O biomédico não pode clinicar, não trabalha diretamente com o paciente. Ele auxilia enquanto diagnóstico, mas não para tratamento'', compara a coordenadora do curso de Biomedicina da Unifil, Karina de Almeida Gualtieri.
O grande diferencial dessa profissão é a vasta gama de possibilidades de trabalho: são 33 áreas de atuação autorizadas pelo Conselho Federal de Biomedicina (CFBM). Mas é na docência/pesquisa e nas análises clínicas que se concentra a grande maioria dos cerca de 30 mil biomédicos formados no Brasil - e também os graduados pelas faculdades londrinenses.
Na Unifil, por exemplo, o curso é voltado para análises clínicas. ''O profissional pode trabalhar com exames laboratoriais em geral, estando habilitado a desempenhar funções que vão desde coleta de material à análise e emissão de resultado do exame. Pode atuar também com imaginologia, em áreas como ressonância, ultrassom, tomografia e outros'', explica Karina, lembrando que biomédicos têm sido cada vez mais solicitados também para acompanhar procedimentos cirúrgicos para coleta e análise de material.
Segundo a professora, o mercado de trabalho para biomédicos está em expansão em Londrina, especialmente na área de imagem. ''Praticamente todos os formados da primeira turma (em 2008) já estão empregados'', garante. A profissão não tem piso salarial definido mas, segundo Karina, um recém-formado pode ganhar entre R$ 1,3 mil e R$ 1,8 mil, dependendo da área de atuação e carga horária. Os profissionais também podem optar por atuar em pesquisa e docência.
Já na Universidade Estadual de Londrina (UEL), o primeiro curso de Biomedicina da cidade (criado em 2000) é voltado exclusivamente para pesquisa e docência. Neurociências, genética, imunologia, fisiopatologia e toxicofarmacologia estão entre as mais de dez grandes áreas estudadas - e, dentro delas, o aluno tem à sua escolha diversas sub-áreas.
Embora a possibilidade de se atuar apenas em docência e pesquisa pareça pouco, a professora Cássia Thas Zaia lembra que o mercado não se restringe às universidades públicas e particulares. ''O campo de trabalho é amplo. É possível trabalhar em institutos de pesquisa, indústrias química e farmacêutica e laboratórios'', exemplifica.
Para conseguir bons empregos nessas áreas, porém, apenas a graduação não basta. ''Assim que se forma, o profissional tem dificuldade de encontrar um emprego; consegue no máximo dar aulas em faculdades particulares. Para ter um campo maior, ele deve ir para a pós-graduação, fazer um mestrado e um doutorado'', recomenda Cássia.
Assim, é importante que ainda durante a graduação o aluno procure publicar artigos científicos, participar de projetos, estágios, congressos e tudo o mais que possa incrementar o currículo. ''Se a pessoa se dedica, consegue ingressar no mestrado e no doutorado entre os primeiros colocados, com bolsa'', aponta a docente. O valor da bolsa para mestrado é aproximadamente R$ 1,3 mil, subindo para R$ 1,7 mil no doutorado e podendo chegar, em alguns casos, a mais de R$ 3 mil em um pós-doutorado. ''E, como docente em uma universidade pública, o salário pode variar de R$ 900 a mais de R$ 4 mil, dependendo do tempo de carreira e adicionais como de dedicação exclusiva'', acrescenta.
Aulas práticas são destaque no curso
Karen Brajão de Oliveira faz doutorado na UEL (onde lecionou durante dois anos e concluiu o mestrado) e é docente e coordenadora de extensão do curso de Enfermagem na Faculdade Pitágoras. E este é apenas o começo de sua carreira profissional: Karen formou-se na primeira turma de Biomedicina da UEL, no começo de 2004, e tem 26 anos. Pretendo terminar meu doutorado em 2010 e continuar na área de docência, planeja a jovem. Em sua área, para poder prestar concurso público para docente é preciso ter doutorado título que boa parte de seus colegas de turma também está providenciando.
Já Juliana Sanchez de Abreu, 24 anos, está no último ano da faculdade e já conseguiu um emprego em um grande laboratório da cidade. Tinha deixado meu currículo lá várias vezes e, em fevereiro, eles me chamaram para fazer estágio, conta. Em setembro, antes mesmo de o estágio terminar, ela foi efetivada. Por enquanto atuo como técnica de laboratório, já que ainda não tenho o diploma. Mas é grande a probabilidade de ser efetivada como biomédica assim que me formar, frisa.
Ambas as histórias são exemplos de como a Biomedicina pode ser uma carreira promissora ao profissional que se dedica, independentemente da área. Gostar de estudar, de ler e ter curiosidade científica, comprometimento, responsabilidade, conhecimento prático e perfil ético e moral são algumas das qualidades listadas pelas professoras entrevistadas que podem auxiliar os novos (e futuros) profissionais a ingressarem no mercado. E, para quem está pensando em se tornar biomédico, outra dica: habitue-se a passar muito tempo dentro do laboratório mais da metade da carga horária dos cursos é composta por aulas práticas. (A.I.)


