Embora a semelhança de nomes confunda muita gente, a Biomedicina é completamente diferente da Medicina. A única coisa que ambas têm em comum é o fato de seus estudos estarem relacionados à biologia e à saúde. ''O biomédico não pode clinicar, não trabalha diretamente com o paciente. Ele auxilia enquanto diagnóstico, mas não para tratamento'', compara a coordenadora do curso de Biomedicina da Unifil, Karina de Almeida Gualtieri.
O grande diferencial dessa profissão é a vasta gama de possibilidades de trabalho: são 33 áreas de atuação autorizadas pelo Conselho Federal de Biomedicina (CFBM). Mas é na docência/pesquisa e nas análises clínicas que se concentra a grande maioria dos cerca de 30 mil biomédicos formados no Brasil - e também os graduados pelas faculdades londrinenses.
Na Unifil, por exemplo, o curso é voltado para análises clínicas. ''O profissional pode trabalhar com exames laboratoriais em geral, estando habilitado a desempenhar funções que vão desde coleta de material à análise e emissão de resultado do exame. Pode atuar também com imaginologia, em áreas como ressonância, ultrassom, tomografia e outros'', explica Karina, lembrando que biomédicos têm sido cada vez mais solicitados também para acompanhar procedimentos cirúrgicos para coleta e análise de material.
Segundo a professora, o mercado de trabalho para biomédicos está em expansão em Londrina, especialmente na área de imagem. ''Praticamente todos os formados da primeira turma (em 2008) já estão empregados'', garante. A profissão não tem piso salarial definido mas, segundo Karina, um recém-formado pode ganhar entre R$ 1,3 mil e R$ 1,8 mil, dependendo da área de atuação e carga horária. Os profissionais também podem optar por atuar em pesquisa e docência.
Já na Universidade Estadual de Londrina (UEL), o primeiro curso de Biomedicina da cidade (criado em 2000) é voltado exclusivamente para pesquisa e docência. Neurociências, genética, imunologia, fisiopatologia e toxicofarmacologia estão entre as mais de dez grandes áreas estudadas - e, dentro delas, o aluno tem à sua escolha diversas sub-áreas.
Embora a possibilidade de se atuar apenas em docência e pesquisa pareça pouco, a professora Cássia Tha‹s Zaia lembra que o mercado não se restringe às universidades públicas e particulares. ''O campo de trabalho é amplo. É possível trabalhar em institutos de pesquisa, indústrias química e farmacêutica e laboratórios'', exemplifica.
Para conseguir bons empregos nessas áreas, porém, apenas a graduação não basta. ''Assim que se forma, o profissional tem dificuldade de encontrar um emprego; consegue no máximo dar aulas em faculdades particulares. Para ter um campo maior, ele deve ir para a pós-graduação, fazer um mestrado e um doutorado'', recomenda Cássia.
Assim, é importante que ainda durante a graduação o aluno procure publicar artigos científicos, participar de projetos, estágios, congressos e tudo o mais que possa incrementar o currículo. ''Se a pessoa se dedica, consegue ingressar no mestrado e no doutorado entre os primeiros colocados, com bolsa'', aponta a docente. O valor da bolsa para mestrado é aproximadamente R$ 1,3 mil, subindo para R$ 1,7 mil no doutorado e podendo chegar, em alguns casos, a mais de R$ 3 mil em um pós-doutorado. ''E, como docente em uma universidade pública, o salário pode variar de R$ 900 a mais de R$ 4 mil, dependendo do tempo de carreira e adicionais como de dedicação exclusiva'', acrescenta.


Aulas práticas são destaque no curso
  Ka­ren Bra­jão de Oli­vei­ra faz dou­to­ra­do na UEL (on­de le­cio­nou du­ran­te ­dois ­anos e con­cluiu o mes­tra­do) e é do­cen­te e coor­de­na­do­ra de ex­ten­são do cur­so de En­fer­ma­gem na Fa­cul­da­de Pi­tá­go­ras. E es­te é ape­nas o co­me­ço de sua car­rei­ra pro­fis­sio­nal: Ka­ren for­mou-se na pri­mei­ra tur­ma de Bio­me­di­ci­na da UEL, no co­me­ço de 2004, e tem 26 ­anos. ‘‘Pre­ten­do ter­mi­nar meu dou­to­ra­do em 2010 e con­ti­nuar na ­área de ­docência’’, pla­ne­ja a jo­vem. Em sua ­área, pa­ra po­der pres­tar con­cur­so pú­bli­co pa­ra do­cen­te é pre­ci­so ter dou­to­ra­do – tí­tu­lo que boa par­te de ­seus co­le­gas de tur­ma tam­bém es­tá pro­vi­den­cian­do.
  Já Ju­lia­na San­chez de ­Abreu, 24 ­anos, es­tá no úl­ti­mo ano da fa­cul­da­de e já con­se­guiu um em­pre­go em um gran­de la­bo­ra­tó­rio da ci­da­de. ‘‘Ti­nha dei­xa­do meu cur­rí­cu­lo lá vá­rias ve­zes e, em fe­ve­rei­ro, ­eles me cha­ma­ram pa­ra fa­zer ­estágio’’, con­ta. Em se­tem­bro, an­tes mes­mo de o es­tá­gio ter­mi­nar, ela foi efe­ti­va­da. ‘‘Por en­quan­to ­atuo co­mo téc­ni­ca de la­bo­ra­tó­rio, já que ain­da não te­nho o di­plo­ma. Mas é gran­de a pro­ba­bi­li­da­de de ser efe­ti­va­da co­mo bio­mé­di­ca as­sim que me ­formar’’, fri­sa.
  Am­bas as his­tó­rias são exem­plos de co­mo a Bio­me­di­ci­na po­de ser uma car­rei­ra pro­mis­so­ra ao pro­fis­sio­nal que se de­di­ca, in­de­pen­den­te­men­te da ­área. Gos­tar de es­tu­dar, de ler e ter cu­rio­si­da­de cien­tí­fi­ca, com­pro­me­ti­men­to, res­pon­sa­bi­li­da­de, co­nhe­ci­men­to prá­ti­co e per­fil éti­co e mo­ral são al­gu­mas das qua­li­da­des lis­ta­das pe­las pro­fes­so­ras en­tre­vis­ta­das que po­dem au­xi­liar os no­vos (e fu­tu­ros) pro­fis­sio­nais a in­gres­sa­rem no mer­ca­do. E, pa­ra ­quem es­tá pen­san­do em se tor­nar bio­mé­di­co, ou­tra di­ca: ha­bi­tue-se a pas­sar mui­to tem­po den­tro do la­bo­ra­tó­rio – ­mais da me­ta­de da car­ga ho­rá­ria dos cur­sos é com­pos­ta por au­las prá­ti­cas. (A.I.)

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