SUA CARREIRA
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sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Marcela Rocha Mendes<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Se muitos universitários têm dúvidas sobre o futuro profissional, o maior questionamento do estudante de Filosofia é ''qual área escolher?''. Isso porque, de acordo com professores e alunos, o mercado de trabalho está em plena expansão. O motivo é a lei que tornou obrigatória a oferta da disciplina no Ensino Médio. Pesquisas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) indicam que 100 mil novas vagas para professores de Filosofia serão abertas nos próximos anos em todo o país. E essa não é a única opção desses profissionais.
Segundo o diretor do curso de Filosofia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), Ericson Falabretti, a faculdade prepara o aluno para atuar tanto em sala de aula quanto em pesquisa. ''O graduado estará apto a preparar um programa de aula com o conhecimento das disciplinas de licenciatura e didática. Ou um projeto de pesquisa, já que desde o primeiro ano ele aprende metodologia e prática da pesquisa em filosofia'', explica.
Por ter ficado quase três décadas fora da grade escolar obrigatória, na opinião de Falebretti, a disciplina de Filosofia não tem vícios históricos de metodologia. ''O professor terá que refazer o caminho dele no ensino''. Outra oportunidade é dar aula no ensino superior. Por ser disciplina obrigatória na maioria dos cursos, a oferta de vagas também vem crescendo em razão da expansão do número de faculdades e alunos. Segundo o diretor do curso, é para a docência que vai a maior parte dos formados, cerca de 60%, e é onde estão os maiores salários - a partir de R$ 1,2 mil para a carga horária mínima em escolas públicas.
Também está em evidência para os filósofos brasileiros, atualmente, a produção científica. Artigos, livros e teses sobre métodos de interpretação dos trabalhos dos grandes pensadores colocam o Brasil na vanguarda mundial. ''Por causa das condições históricas que excluíram a disciplina do Ensino Médio, o amadurecimento da ciência foi forçado, tornando a pesquisa um campo fértil'', afirma o professor. E essa realidade não deve mudar com a expansão da docência, uma vez que já está bem consolidada no país.
É esse caminho que a estudante Juliana Fischer de Almeida, 25 anos, decidiu seguir. No segundo ano do curso de graduação, ela já recebe uma bolsa de iniciação científica para aprofundar seus estudos sobre Immanuel Kant. Formada em Direito, ela percebeu durante a primeira faculdade que se identificava mais com a filosofia. ''Descobri que gostava de pensar a questão do Estado, da política. Antes pensava que me ajudaria a aplicar esse conhecimento na prática do Direito. Hoje decidi seguir carreira na filosofia''. Mas, apesar de estar com um pé na carreira acadêmica, ela continua de olho na licenciatura, onde acredita estar um bom mercado.
Outros campos de atuação possíveis para esses profissionais são a assessoria em empresas, organizações não governamentais, partidos políticos e a filosofia clínica. A primeira envolve uma diversidade de funções e atribuições, como a formação de lideranças ou a consultoria em relações ambientais na discussão de ética versus meio ambiente.
Já a filosofia clínica vem se estabelecendo no país há cerca de uma década. Alguns cursos de especialização já oferecem essa opção para quem deseja utilizar a filosofia que, desde a antiguidade, esteve ligada à terapia e à cura, como terapêutica.
Curso abrange grandes áreas do conhecimento
Hoje, em razão da abertura do mercado para esses profissionais, Filosofia não é mais um curso apenas teórico. Direcionando o ensino para a prática de educação e pesquisa, a graduação está dividida em dois eixos. Estudamos toda a história da filosofia, desde a antiguidade, com os textos clássicos, até contemporânea, com os autores vivos, explica o professor Ericson Falabretti. O outro eixo abrange os grandes temas, como ética, teoria do conhecimento, estética, antropologia, filosofia da linguagem, entre outros.
Segundo Falabretti, existem dois perfis de aluno. Um deles é o intelectual, ou seja, aquele que sempre se interessou por literatura. O segundo perfil é daqueles que já têm uma faculdade e buscam uma formação complementar. É quem procura um segundo curso porque já teve uma formação técnica, mas acha que não foi suficiente.
É desejável que o aluno saiba ao menos uma língua estrangeira clássica inglês, francês ou alemão para estudar textos originais dos grandes autores. (M.R.M.)


