SUA CARREIRA
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 08 de outubro de 2009
Marcela Rocha Mendes<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Quando questionados no primeiro dia de aula, 80% dos calouros do curso de Medicina Veterinária respondem que desejam atuar junto a animais de companhia. Segundo a coordenadora do curso da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), Claudia Turra Pimpão, isso acontece pela desinformação geral a respeito da profissão.
O médico veterinário cuida muito mais do homem do que do animal, diz. São três as grandes áreas de atuação desse profissional. No primeiro campo estão a clínica e a cirurgia de animais domésticos e selvagens o favorito dos alunos. No segundo, a produção animal e o agronegócio que abrange desde a nutrição animal, reprodução, melhoramento e a parte de venda dos produtos. Os profissionais também atuam com vigilância, inspeção e tecnologia de produtos de origem animal.
Os quatro ou cinco anos do curso universitário formam um profissional generalista, capaz de atuar em qualquer um dos três grandes campos. Mas, como em quase todas as profissiões atuais, é primordial investir em especialização, que já pode começar durante a faculdade. É fundamental que o aluno conheça bem a profissão. Assim, ele já pode voltar seus estudos, estágios e pesquisas para a área que deseja atuar depois de formado, explica Claudia.
Michele Lopes Izar se encaixa nesses dois perfis. Formada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) em 2005, ela sempre soube que queria atuar com clínica médica de pequenos animais. Eu já conhecia a rotina da profissão antes mesmo de entrar na faculdade. Muitos colegas foram mudando de área ao longo de curso, mas depois alguns até retornaram porque esse setor é o que tem mais demanda e acaba puxando mais profissionais, conta.
Mas ela não quis ficar apenas no atendimento generalista. Atualmente Michele está se especializando em um curso de aperfeiçoamento em anestesiologia. É um investimento alto, mas que vale a pena. Hoje, o proprietário do animal está cada vez mais interessado em saber se o profissional é especialista, pergunta até que tipo de anestesia será usado na cirurgia, afirma.
Segundo a veterinária, especializar-se não significa necessariamente ser mais requisitado, já que algumas áreas já começam a ter profissionais em excesso, como a dermatologia. Já anestesiologia, fisioterapia, acupuntura, neurologia, entre outras, teriam ainda uma carência grande no mercado.
De acordo com a professora Claudia, hoje as especialidades na Medicina Veterinária voltada para pequenos animais são quase iguais a da medicina humana. Há dez, 15 anos, o profissional tinha que fazer de tudo. Ainda é um pouco assim nas pequenas cidades. Mas, nas grandes cidades, hoje o especialista circula por várias clínicas, explica. Dados de 2008 mostram que o Brasil já tinha 32 milhões de cachorros, colocando o país em segundo lugar no consumo de ração. Em Curitiba, a proporção é de um cão para cada quatro habitantes.
Os cursos de pós-graduação com duração média de um a dois anos ou de aperfeiçoamento com duração média de seis meses já estão grande parte disponíveis no Paraná, principalmente em Curitiba. Hoje, com os cursos à distância, ficou ainda mais fácil, afirma Claudia. O investimento para o curso de graduação em Medicina Veterinária vai de R$ 700 a R$ 1.800 (veja quadro). Já a mensalidade da especialização fica entre R$ 400 e R$ 800.


