SUA CARREIRA
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terça-feira, 01 de setembro de 2009
Fábio Galão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Em um país como o Brasil, onde há uma fixação por carros e rodovias, o transporte ferroviário é considerado por muitos coisa do passado. O que dizer então da profissão de maquinista? Pois o ofício sobrevive, se atualiza constantemente e está até exigindo cada vez mais profissionais.
''Há uma demanda crescente, devido ao aumento do volume transportado'', explica Rodrigo Paupitz, coordenador de desenvolvimento de gente da América Latina Logística (ALL), concessionária do transporte ferroviário. Ele relata que ser maquinista hoje é parte de uma carreira, que começa como operador de produção.
''Não contratamos maquinistas no mercado de trabalho. Não colocamos anúncio no jornal para contratar gente para esse cargo. Nós formamos em casa, na nossa universidade corporativa'', diz Paupitz. Segundo o coordenador, o profissional que ingressa na carreira como operador de produção precisa adquirir experiência para se qualificar para a formação teórica de maquinista.
''A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) estipula um mínimo de 100 horas de treinamento teórico para maquinistas. Nossa formação tem 163 horas'', aponta o coordenador. Após avaliações, o postulante a maquinista passa ao treinamento prático, onde são exigidas pelo menos 300 horas. Após novos testes, o profissional se torna maquinista.
Odair Antônio Brustolin, 48 anos, ingressou na carreira de ferroviário há 34 anos, ainda na Rede Ferroviária Federal. ''Entrei como mecânico e depois prestei concurso para maquinista'', conta Brustolin. Maquinista desde 1993, ele trabalha hoje na ALL, que ganhou a concessão do transporte ferroviário em grande parte do País com as privatizações do setor, na década passada. Brustolin faz há 12 anos o trecho do passeio da Serra do Mar, considerado um cargo de elite na profissão de maquinista. ''Conduzir um trem de passageiros exige mais responsabilidades'', afirma.
''A ferrovia é uma paixão de infância. O meu pai foi maquinista, e todo menino tem o pai como herói'', explica Brustolin. Ele acompanhou as mudanças na profissão de maquinista. Com a modernização da estrutura ferroviária, foi necessário aprender a lidar com novas tecnologias. Hoje, qualquer maquinista precisa ter conhecimentos de informática: a cabine do maquinista tem computador de bordo, com GPS e tudo. De acordo com Brustolin, a cada seis meses os maquinistas têm que atualizar conteúdos.
''Para ser maquinista, primeiro, tem que gostar da profissão. Segundo, tem que ter disponibilidade e vontade de viajar, pois o maquinista passa muito tempo aqui (na cabine). Terceiro, é preciso ter vontade de aprender. Sempre estão surgindo coisas novas'', ensina.
O operador de produção Luiz Fernando Cavalheiro, de 26 anos, concluiu em fevereiro a parte teórica do curso de maquinista. No treinamento prático, já passou das 200 horas. ''Quem trabalha como operador de produção entra na manobra e já fica de olho na profissão de maquinista'', garante Cavalheiro. ''Moro perto da linha do trem em Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba). Sempre simpatizei com a profissão de maquinista. Eu via o trem passando e pensava: 'Deve ser uma responsabilidade muito grande...'''.
Apesar do encantamento que a profissão desperta, a privatização do setor ferroviário trouxe alguns problemas à atividade, avaliam sindicalistas. O piso salarial do maquinista, por exemplo, é de R$ 700. O presidente do Sindicato dos Maquinistas Ferroviários do Paraná e de Santa Catarina (Sindimafer), José Carlos Rodrigues, critica também a estrutura de trabalho dos maquinistas, mas admite que a luta por melhorias esbarra na dificuldade de mobilizar os trabalhadores.
Segundo a ALL, os equipamentos atuais garantem segurança aos maquinistas. A empresa ressaltou que estes profissionais trabalham com auxiliares.


