SUA CARREIRA
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quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Erika Zanon<br> Reportagem Local 
Algumas profissões e especialidades se tornam fundamentais conforme o mercado e a exigência do consumidor. Esse é o caso do designer de mobiliário. Em Arapongas (37 km a oeste de Londrina), onde está um dos principais polos moveleiros do País, o profissional da área tem ganhado cada vez mais destaque. Tamanha importância, que foi criado há um ano o curso de técnico em design de móveis, oferecido pela unidade do Senai/Cetmam (Centro Nacional de Tecnologia da Madeira e do Mobiliário) na cidade.
''Há uma demanda em construção para esses profissionais. Hoje em dia, todo consumidor, de qualquer classe, deseja um móvel bonito e com qualidade'', enfatiza Nilson Carlos Stefani Violato, gerente da unidade, conhecida como Universidade da Mobília. Ele acrescenta que o consumidor, mesmo os das classes mais baixas, está mais exigente, o que tem provocado uma ''profissionalização'' das indústrias do setor nas duas últimas décadas no sentido de produzir itens mais interessantes esteticamente e com mais qualidade.
Violato observa que antigamente era comum que as empresas copiassem produtos existentes no mercado. ''Mas agora elas estão percebendo que copiar não leva a um processo competitivo. As empresas precisam de um diferencial'', pontua. Em busca desse diferencial, entra o profissional do design.
O gerente do Senai em Arapongas explica que o designer não é apenas o profissional que desenha o móvel. É ele quem projeta, avalia custos de produção e pesquisa sobre novos materiais, por exemplo. ''O designer de móveis acompanha todo o processo industrial, inclusive com orientações comerciais e de pós-venda'', frisa Violato. Esse profissional, conforme ele, é quem tem feito releituras estéticas e desenvolvido produtos com materiais diferentes. ''Alguns têm feito releituras estéticas da brasilidade, projetando móveis que usam fibras de bambu, por exemplo. A indústria não percebia isso antes'', analisa.
Durante o curso, com duração de um ano e meio, os alunos têm disciplinas relacionadas a negócios, como contabilidade, a desenho - no papel e pelo computador - e até marcenaria. Violato detalha que no primeiro semestre são trabalhadas questões de transformação e representação, onde o aluno retrata a realidade em desenho. No segundo semestre são estudadas formas de modelagem, onde os estudantes podem fazer um desenho tridimensional - digital e materialmente - e no terceiro período é trabalhada a prototipagem, quando são construídos móveis.
Quando terminam, os alunos recebem um diploma de técnico em design de móveis. Podem começar esse curso quem já terminou o ensimo médio ou está terminando. Não há nenhum pré-requisito ou habilidade específica para iniciar. ''Não é preciso saber desenhar, por exemplo, pois os desenhos são técnicos e não artísticos. É interessante que a pessoa seja observadora, goste de cenografia natural ou não, porque é dessas situações que vai tirar inspiração para o trabalho'', resume Violato.
Quando vão para o mercado, esses profissionais podem atuar em indústrias, lojas de móveis modulares e marcenarias. Ainda há espaço para os designers de mobiliário em escritórios de arquitetura e de design. Segundo Violato não há um piso salarial definido e como ainda não há turmas formadas, não existe referência de contratação. Mas normalmente profissionais que exercem esse tipo de função nas indústrias têm sido contratados com salário inicial entre R$ 700 e R$ 800. O mercado, acrescenta ele, já tem absorvido alguns alunos como estagiários.
Violato ainda explica que a diferença entre um técnico em design de móveis e um profissional graduado em desenho industrial - que está habilitado a trabalhar projetando móveis - é principalmente no nível operacional. Quem sai da graduação está capacitado para atuar mais estrategicamente dentro da empresa, como em áreas de gestão. O técnico vai atuar principalmente na pesquisa e desenvolvimento de produtos.
Em busca de novas oportunidades
A autônoma Marilza Silva Ronca, 29, decidiu fazer o curso de técnico em design de móveis por dois motivos: ajudar o marido na marcenaria e buscar novas oportunidades profisisonais. Meu marido tem uma marcenaria e sempre precisa dos serviços de um designer para projetar os móveis. É um serviço que sai caro, então decidi fazer o curso para ajudá-lo, acrescenta.
No início, conta ela, foi mesmo pela necessidade, mas depois de alguns meses estudando começou a se apaixonar pelo curso e pela profissão. Não vejo a hora de terminar e poder colocar em prática o que aprendi, reforça. Enquanto isso não acontece ela já vai dando uma mãozinha para o marido. Ela afirma que realmente existe uma demanda por profissionais capacitados. Na marcenaria da família, segundo ela, o serviço não para de crescer. Cada vez mais as pessoas querem móveis personalizados, diz.
E como geralmente são projetos com grande valor agregado, no caso da marcenaria, não se pode contratar qualquer profissional. Caso contrário o prejuízo pode ser grande. Marilza, que tem uma expectativa muito positiva em relação ao mercado, confessa que depois que terminar o curso vai poder projetar móveis e gerenciar negócios. No curso a gente não aprende apenas desenhar, aprendemos economia, contabilidade, e isso é o diferencial, conclui.
Acesso ao curso
O Senai/Cetmam oferece turmas com vagas gratuitas e pagas. Está livre do pagamento das mensalidades quem estiver desempregado ou tiver renda de até R$ 500 e que não tenha vínculo empregatício. Quem não se encaixar nesse perfil paga uma mensalidade de R$ 230. A unidade em Arapongas já começou duas turmas: uma em agosto de 2008 e outra no primeiro semestre deste ano. (E.Z.)
As várias faces da profissão
Victor Hugo Leonel Louvato, 26, cursou a faculdade de desennho industrial com um foco: trabalhar projetando móveis. Sou daqui de Arapongas e conhecia a demanda da indústria local, sempre desejei trabalhar nesse setor, afirma. Até conquistar o lugar que gostaria, Louvato trilhou um caminho natural, o do estágio, e o qual indica para todo mundo que está começando.
O primeiro estágio, assim que começou a graduação em uma universidade em Londrina, foi logo na unidade do Senai/Cetmam em Arapongas. Auxiliava uma designer que trabalhava lá, ficava com a parte dos desenhos e participava de alguns projetos, relembra. Depois de um tempo começou a pegar alguns projetos, como autônomo, das indústrias locais.
Atualmente, Louvato trabalha na indústria Móveis Belo, especializada em mobiliário para escritório, em Arapongas, atuando na área de engenharia de produção: trabalha com documentação técnica, ficha materiais, avalia custos e orienta a produção. Também auxílio o pessoal que desenha o mobiliário, ressalta, informando que dentro da empresa atuam quatro pessoas na área de desenvolvimento de projetos e ainda um consultor externo.
Gosto muito do que faço, mas ainda desejo ficar só na parte de projetos, planeja. Apesar de ter cursado uma graduação, Louvato sabe bem da importância do curso técnico. Atualmente, também professor da disciplina sobre AutoCAD, no Cetmam, ele não se cansa de tentar mostrar aos alunos a importância da profissão. Mercado para trabalhar tem. A gente sempre destaca no curso a demanda por profissionais da área, diz.
A diretora administrativa da Móveis Belo, Rosana Cristina Belo de Freitas, confirma que existe uma carência desse tipo de profissional no mercado. Hoje o designer é fundamental dentro de uma empresa. Como a tecnologia é algo acessível a todas as empresas, o que difere uma da outra é o design, o formato e qualidade dos produtos, destaca. Rosa acrescenta que além da questão competitiva entre as empresas, há a exigência do mercado. Os consumidores exigem e reconhecem bons produtos. Ninguém mais tem dúvida da importância do designer para desenvolver um produtor melhor e mais atraente garante. (E.Z.)


