Algumas profissões e especialidades se tornam fundamentais conforme o mercado e a exigência do consumidor. Esse é o caso do designer de mobiliário. Em Arapongas (37 km a oeste de Londrina), onde está um dos principais polos moveleiros do País, o profissional da área tem ganhado cada vez mais destaque. Tamanha importância, que foi criado há um ano o curso de técnico em design de móveis, oferecido pela unidade do Senai/Cetmam (Centro Nacional de Tecnologia da Madeira e do Mobiliário) na cidade.
''Há uma demanda em construção para esses profissionais. Hoje em dia, todo consumidor, de qualquer classe, deseja um móvel bonito e com qualidade'', enfatiza Nilson Carlos Stefani Violato, gerente da unidade, conhecida como Universidade da Mobília. Ele acrescenta que o consumidor, mesmo os das classes mais baixas, está mais exigente, o que tem provocado uma ''profissionalização'' das indústrias do setor nas duas últimas décadas no sentido de produzir itens mais interessantes esteticamente e com mais qualidade.
Violato observa que antigamente era comum que as empresas copiassem produtos existentes no mercado. ''Mas agora elas estão percebendo que copiar não leva a um processo competitivo. As empresas precisam de um diferencial'', pontua. Em busca desse diferencial, entra o profissional do design.
O gerente do Senai em Arapongas explica que o designer não é apenas o profissional que desenha o móvel. É ele quem projeta, avalia custos de produção e pesquisa sobre novos materiais, por exemplo. ''O designer de móveis acompanha todo o processo industrial, inclusive com orientações comerciais e de pós-venda'', frisa Violato. Esse profissional, conforme ele, é quem tem feito releituras estéticas e desenvolvido produtos com materiais diferentes. ''Alguns têm feito releituras estéticas da brasilidade, projetando móveis que usam fibras de bambu, por exemplo. A indústria não percebia isso antes'', analisa.
Durante o curso, com duração de um ano e meio, os alunos têm disciplinas relacionadas a negócios, como contabilidade, a desenho - no papel e pelo computador - e até marcenaria. Violato detalha que no primeiro semestre são trabalhadas questões de transformação e representação, onde o aluno retrata a realidade em desenho. No segundo semestre são estudadas formas de modelagem, onde os estudantes podem fazer um desenho tridimensional - digital e materialmente - e no terceiro período é trabalhada a prototipagem, quando são construídos móveis.
Quando terminam, os alunos recebem um diploma de técnico em design de móveis. Podem começar esse curso quem já terminou o ensimo médio ou está terminando. Não há nenhum pré-requisito ou habilidade específica para iniciar. ''Não é preciso saber desenhar, por exemplo, pois os desenhos são técnicos e não artísticos. É interessante que a pessoa seja observadora, goste de cenografia natural ou não, porque é dessas situações que vai tirar inspiração para o trabalho'', resume Violato.
Quando vão para o mercado, esses profissionais podem atuar em indústrias, lojas de móveis modulares e marcenarias. Ainda há espaço para os designers de mobiliário em escritórios de arquitetura e de design. Segundo Violato não há um piso salarial definido e como ainda não há turmas formadas, não existe referência de contratação. Mas normalmente profissionais que exercem esse tipo de função nas indústrias têm sido contratados com salário inicial entre R$ 700 e R$ 800. O mercado, acrescenta ele, já tem absorvido alguns alunos como estagiários.
Violato ainda explica que a diferença entre um técnico em design de móveis e um profissional graduado em desenho industrial - que está habilitado a trabalhar projetando móveis - é principalmente no nível operacional. Quem sai da graduação está capacitado para atuar mais estrategicamente dentro da empresa, como em áreas de gestão. O técnico vai atuar principalmente na pesquisa e desenvolvimento de produtos.


Em bus­ca de no­vas opor­tu­ni­da­des
  A au­tô­no­ma Ma­ril­za Sil­va Ron­ca, 29, de­ci­diu fa­zer o cur­so de téc­ni­co em de­sign de mó­veis por ­dois mo­ti­vos: aju­dar o ma­ri­do na mar­ce­na­ria e bus­car no­vas opor­tu­ni­da­des pro­fi­si­so­nais. ‘‘Meu ma­ri­do tem uma mar­ce­na­ria e sem­pre pre­ci­sa dos ser­vi­ços de um de­sig­ner pa­ra pro­je­tar os mó­veis. É um ser­vi­ço que sai ca­ro, en­tão de­ci­di fa­zer o cur­so pa­ra aju­dá-­lo’’, acres­cen­ta.
  No iní­cio, con­ta ela, foi mes­mo pe­la ne­ces­si­da­de, mas de­pois de al­guns me­ses es­tu­dan­do co­me­çou a se ‘‘­apaixonar’’ pe­lo cur­so e pe­la pro­fis­são. ‘‘Não ve­jo a ho­ra de ter­mi­nar e po­der co­lo­car em prá­ti­ca o que ­aprendi’’, re­for­ça. En­quan­to is­so não acon­te­ce ela já vai dan­do uma mão­zi­nha pa­ra o ma­ri­do. Ela afir­ma que real­men­te exis­te uma de­man­da por pro­fis­sio­nais ca­pa­ci­ta­dos. Na mar­ce­na­ria da fa­mí­lia, se­gun­do ela, o ser­vi­ço não pa­ra de cres­cer. ‘‘Ca­da vez ­mais as pes­soas que­rem mó­veis ­personalizados’’, diz.
  E co­mo ge­ral­men­te são pro­je­tos com gran­de va­lor agre­ga­do, no ca­so da mar­ce­na­ria, não se po­de con­tra­tar qual­quer pro­fis­sio­nal. Ca­so con­trá­rio o pre­juí­zo po­de ser gran­de. Ma­ril­za, que tem uma ex­pec­ta­ti­va mui­to po­si­ti­va em re­la­ção ao mer­ca­do, con­fes­sa que de­pois que ter­mi­nar o cur­so vai po­der pro­je­tar mó­veis e ge­ren­ciar ne­gó­cios. ‘‘No cur­so a gen­te não apren­de ape­nas de­se­nhar, apren­de­mos eco­no­mia, con­ta­bi­li­da­de, e is­so é o ­diferencial’’, con­clui.
Aces­so ao cur­so
  O Se­nai/Cet­mam ofe­re­ce tur­mas com va­gas gra­tui­tas e pa­gas. Es­tá li­vre do pa­ga­men­to das men­sa­li­da­des ­quem es­ti­ver de­sem­pre­ga­do ou ti­ver ren­da de até R$ 500 e que não te­nha vín­cu­lo em­pre­ga­tí­cio. ­Quem não se en­cai­xar nes­se per­fil pa­ga uma men­sa­li­da­de de R$ 230. A uni­da­de em Ara­pon­gas já co­me­çou ­duas tur­mas: uma em agos­to de 2008 e ou­tra no pri­mei­ro se­mes­tre des­te ano. (E.Z.)


As vá­rias fa­ces da pro­fis­são
  Vic­tor Hu­go Leo­nel Lou­va­to, 26, cur­sou a fa­cul­da­de de de­sen­nho in­dus­trial com um fo­co: tra­ba­lhar pro­je­tan­do mó­veis. ‘‘Sou da­qui de Ara­pon­gas e co­nhe­cia a de­man­da da in­dús­tria lo­cal, sem­pre de­se­jei tra­ba­lhar nes­se ­setor’’, afir­ma. Até con­quis­tar o lu­gar que gos­ta­ria, Lou­va­to tri­lhou um ca­mi­nho na­tu­ral, o do es­tá­gio, e o ­qual in­di­ca pa­ra to­do mun­do que es­tá co­me­çan­do.
  O pri­mei­ro es­tá­gio, as­sim que co­me­çou a gra­dua­ção em uma uni­ver­si­da­de em Lon­dri­na, foi lo­go na uni­da­de do Se­nai/Cet­mam em Ara­pon­gas. ‘‘Au­xi­lia­va uma de­sig­ner que tra­ba­lha­va lá, fi­ca­va com a par­te dos de­se­nhos e par­ti­ci­pa­va de al­guns ­projetos’’, re­lem­bra. De­pois de um tem­po co­me­çou a pe­gar al­guns pro­je­tos, co­mo au­tô­no­mo, das in­dús­trias lo­cais.
  Atual­men­te, Lou­va­to tra­ba­lha na in­dús­tria Mó­veis Be­lo, es­pe­cia­li­za­da em mo­bi­liá­rio pa­ra es­cri­tó­rio, em Ara­pon­gas, atuan­do na ­área de en­ge­nha­ria de pro­du­ção: tra­ba­lha com do­cu­men­ta­ção téc­ni­ca, fi­cha ma­te­riais, ava­lia cus­tos e orien­ta a pro­du­ção. ‘‘Tam­bém au­xí­lio o pes­soal que de­se­nha o ­mobiliário’’, res­sal­ta, in­for­man­do que den­tro da em­pre­sa ­atuam qua­tro pes­soas na ­área de de­sen­vol­vi­men­to de pro­je­tos e ain­da um con­sul­tor ex­ter­no.
  ‘‘Gos­to mui­to do que fa­ço, mas ain­da de­se­jo fi­car só na par­te de ­projetos’’, pla­ne­ja. Ape­sar de ter cur­sa­do uma gra­dua­ção, Lou­va­to sa­be bem da im­por­tân­cia do cur­so téc­ni­co. Atual­men­te, tam­bém pro­fes­sor da dis­ci­pli­na so­bre Au­to­CAD, no Cet­mam, ele não se can­sa de ten­tar mos­trar aos alu­nos a im­por­tân­cia da pro­fis­são. ‘‘Mer­ca­do pa­ra tra­ba­lhar tem. A gen­te sem­pre des­ta­ca no cur­so a de­man­da por pro­fis­sio­nais da ­área’’, diz.
  A di­re­to­ra ad­mi­nis­tra­ti­va da Mó­veis Be­lo, Ro­sa­na Cris­ti­na Be­lo de Frei­tas, con­fir­ma que exis­te uma ca­rên­cia des­se ti­po de pro­fis­sio­nal no mer­ca­do. ‘‘Ho­je o de­sig­ner é fun­da­men­tal den­tro de uma em­pre­sa. Co­mo a tec­no­lo­gia é al­go aces­sí­vel a to­das as em­pre­sas, o que di­fe­re uma da ou­tra é o de­sign, o for­ma­to e qua­li­da­de dos ­produtos’’, des­ta­ca. Ro­sa acres­cen­ta que ­além da ques­tão com­pe­ti­ti­va en­tre as em­pre­sas, há a exi­gên­cia do mer­ca­do. ‘‘Os con­su­mi­do­res exi­gem e re­co­nhe­cem ­bons pro­du­tos. Nin­guém ­mais tem dú­vi­da da im­por­tân­cia do de­sig­ner pa­ra de­sen­vol­ver um pro­du­tor me­lhor e ­mais ­atraente’’ ga­ran­te. (E.Z.)

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