Curitiba - A profissão de mecânico de automóveis, como todos os ofícios que lidam com tecnologias cada vez mais apuradas e demandas mais exigentes, se transforma dia a dia. Profissionais da área enfatizam que ter afinidade com o tema e algum conhecimento não é mais suficiente para conseguir uma vaga no mercado de trabalho.
''Está difícil conseguir mão de obra realmente qualificada. Por isso, 90% dos alunos que saem dos nossos cursos estão empregados'', relata Adilson Aparecido Torquetto, coordenador do curso técnico em automobilística do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) em Curitiba.
''O mercado automotivo deu um salto no Brasil nos últimos cinco anos. Com a facilidade para adquirir um carro, aumentou a frota de veículos do País, e, como consequência, se exige cada vez mais mão de obra'', explica Torquetto, que cita que o incremento tecnológico cria mais exigências para o profissional.
''O mecânico tem que dominar computação. A eletrônica embarcada no veículo ficou mais afinada. É mais difícil trabalhar na área'', argumenta o coordenador.
Everson Garcia Barreto, de 34 anos, trabalha há 17 como mecânico. Hoje, coordena a oficina de uma concessionária Ford Center, em Curitiba. ''Aprendi a profissão na prática. Trabalhava com meu pai, que também é mecânico. Ele foi meu professor'', diz Barreto, que faz cursos de atualização com frequência.
''O profissional da área não é mais aquele mecânico 'chucro'. A profissão exige instrução. Hoje, é tudo eletrônico. Os mecânicos atualmente têm no mínimo o segundo grau completo. Alguns fazem até curso superior. O mecânico que não estudou nada não tem mais espaço. A qualificação é importante também para atender o cliente. Você precisa saber falar, saber explicar. O cliente está muito exigente, muito detalhista'', afirma Barreto.
Adílson Torquetto aponta que há oportunidades de bons rendimentos no trabalho de mecânico de automóveis. ''Hoje, ganha-se mais pelas comissões. Um mecânico de concessionária pode ter uma renda entre R$ 1,5 mil e R$ 2,5 mil, dependendo das comissões que recebe'', explica.
A profissão vem atraindo até mulheres, que, na visão preconceituosa de muitos homens, não teriam afinidade com a área. Vanessa de Lara, 18 anos, termina ainda neste ano o curso técnico de automobilística no Senai. ''Sempre fui apaixonada por carro'', justifica. ''Por mais que haja preconceito, pretendo me destacar na profissão. Tem coisas que a mulher faz melhor. Somos mais detalhistas'', garante Vanessa.

Curso técnico exige Ensino Médio
  Cu­ri­ti­ba - O Se­nai ofe­re­ce o cur­so téc­ni­co em au­to­mo­bi­lís­ti­ca nas uni­da­des de Cas­ca­vel e Cu­ri­ti­ba, es­te úl­ti­mo no Cen­tro In­te­gra­do de Em­pre­sá­rios e Tra­ba­lha­do­res do Es­ta­do do Pa­ra­ná (Cie­tep). As tur­mas são aber­tas se­mes­tral­men­te.
  Pa­ra fa­zer o cur­so, é ne­ces­sá­rio pas­sar por tes­te se­le­ti­vo. A car­ga ho­rá­ria to­tal é de 1.440 ho­ras. O Se­nai exi­ge que os can­di­da­tos te­nham con­cluí­do o En­si­no Mé­dio ou es­te­jam ao me­nos cur­san­do o úl­ti­mo ano.
  Os alu­nos do cur­so têm con­ta­to com as dis­ci­pli­nas de ele­troe­le­trô­ni­ca, de­se­nho téc­ni­co, in­for­má­ti­ca, me­câ­ni­ca au­to­mo­bi­lís­ti­ca, tec­no­lo­gia me­câ­ni­ca, me­tro­lo­gia e usi­na­gem, re­da­ção téc­ni­ca, ges­tão e pro­je­tos, me­câ­ni­ca dos flui­dos e car­ro­ce­ria e pin­tu­ra.
  O cur­so ofe­re­ce qua­li­fi­ca­ção pa­ra pla­ne­ja­men­to, su­per­vi­são e de­sen­vol­vi­men­to de pro­ces­sos de re­pa­ra­ção, re­con­di­cio­na­men­to, ins­pe­ção e tes­tes de di­fe­ren­tes sis­te­mas, pa­ra os in­te­res­sa­dos em ­atuar em ofi­ci­nas de ma­nu­ten­ção, em mon­ta­do­ras de veí­cu­los so­bre ­pneus, em em­pre­sas de ma­nu­fa­tu­ra e re­ma­nu­fa­tu­ra e de re­con­di­cio­na­men­to de sis­te­mas e com­po­nen­tes vei­cu­la­res e no se­tor au­to­mo­bi­lís­ti­co com ên­fa­se no pós-ven­das. (F.G.)

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