Curitiba - Conforme a economia de um país se desenvolve e se torna mais complexa, mais específicas se tornam as atribuições de quem trabalha na indústria. No Brasil, vários cursos de graduação surgiram nas últimas décadas com o objetivo de acompanhar esse passo. É o caso da Engenharia Industrial Madeireira.
Segundo Umberto Klock, coordenador do curso da Universidade Federal do Paraná (UFPR), as graduações na área surgiram no Brasil justamente em razão da demanda do mercado. ''Havia essa necessidade porque não havia profissionais especializados'', descreve o professor. Klock relata que o curso da UFPR, criado em 1999, foi o primeiro do Brasil. Hoje, existem opções também no Espírito Santo, em Pelotas (RS), União da Vitória (Sul do Paraná), Itapeva (SP) e Lajes (SC), e outras estão surgindo.
''A formação parte do básico da engenharia e segue por quatro linhas principais: conhecimentos técnicos sobre a madeira como material; processo e desenvolvimento de produtos; utilização da madeira e cálculo de estruturas; e gestão, nos aspectos de qualidade, projetos, partes econômica, administrativa e logística, entre outras'', diz Klock.
''A área de atuação está nas indústrias do setor madeireiro, nas suas várias divisões: transformação primária, indústria de painéis de madeira, indústrias de celulose e papel, setor de móveis. No Paraná, há aproximadamente 4 mil indústrias trabalhando diretamente com madeira'', explica o professor.
Ele cita que, no Paraná, as principais demandas estão nas regiões de Telêmaco Borba, Metropolitana de Curitiba, Jaguariaíva, União da Vitória, Ponta Grossa, Guarapuava e Arapongas. Em outros Estados, há boas alternativas no interior de São Paulo e Santa Catarina e no Norte do País. ''Em todo o Brasil, existem cerca de 25 mil empresas trabalhando diretamente com madeira'', afirma o coordenador.
Klock aponta que, em razão da falta de profissionais especializados em indústria madeireira, a absorção de recém-formados pelo mercado é grande. ''Dos profissionais formados na UFPR desde o início do curso, aproximadamente 90% estão inseridos no mercado. Muitos terminam a graduação já empregados. É uma absorção muito rápida'', aponta. ''No último semestre do curso, temos o estágio obrigatório, e muitos alunos desenvolvem o trabalho de conclusão de curso em função das necessidades da empresa onde fazem estágio. Dessa forma, a empresa já se interessa por esses profissionais.''
Verci André Marin, recém-formado na UFPR, trabalha na filial brasileira de uma empresa suíça que fabrica produtos de madeira para construção civil, em Itararé, interior de São Paulo. Conseguiu o emprego após fazer um estágio no exterior, durante a graduação. Ele dá algumas dicas para quem está interessado em seguir carreira na área.
''Como em qualquer outra carreira, você pode ser bem sucedido na Engenharia Industrial Madeireira se você se esforçar e ser apaixonado pelo seu trabalho. Acredito que facilita se você gostar realmente do material, a madeira em si, no sentido de se interessar por ela, entendê-la como um elemento a ser trabalhado, e que isso pode ser um fator de desenvolvimento. A madeira é hoje um dos principais produtos de exportação brasileiros'', explica Marin.
Umberto Klock acrescenta que indústrias de outras áreas têm empregado engenheiros industriais madeireiros: química, transportes, construção civil. ''A perspectiva é de um mercado muito aquecido ainda pelos próximos anos. O Brasil está aumentando a produção e melhorando a tecnologia do setor, o que vai exigir profissionais capacitados. Nas próximas três décadas, a expectativa é de um aumento de 200% das áreas de florestas plantadas no País'', relata Klock. ''O foco da profissão, é claro, é o respeito ao meio-ambiente. O mercado exige o uso racional e sustentável da madeira.''
O professor afirma que um profissional recém-formado pode iniciar a carreira com ganhos mensais de sete salários mínimos. A progressão, em muitos casos, é rápida. ''Num cargo de gestão, o salário pode chegar a R$ 12 mil'', descreve Klock.
''O engenheiro industrial madeireiro pode fazer tudo que um engenheiro de produção faz e ainda conhece o material madeira a fundo. Ainda há muito engenheiro químico na área e acredito que há muito espaço a ser ocupado pelos engenheiros industriais madeireiros'', complementa Verci André Marin.


Onde estudar no Paraná *

■ Fundação Municipal Centro Universitário da Cidade de União da Vitória (Uniuv)
Cidade: União da Vitória
Número de vagas por ano: 50 (turno noturno)
Carga horária: 3.852 horas
Duração do curso: 10 semestres
■ Universidade Federal do Paraná (UFPR)
Cidade: Curitiba
Número de vagas por ano: 72 (36 em turno integral e 36 em turno noturno)
Carga horária: 4.065 horas
Duração do curso: 10 semestres
* Cursos cadastrados no Ministério da Educação
Fonte: Instituições

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