Curitiba - A arte de fazer vitrines virou coisa séria. Os profissionais da área se especializam na prática de chamar a atenção do cliente e exercem papel fundamental no momento de incentivar o consumo. A criatividade fala mais alto na hora de enriquecer a identidade visual da loja. Hoje, além da vitrine, o profissional também pode estender o trabalho e realizar ações dentro da loja, como montar manequins internos, cabides separados por cor e modelo, roupas dobradas de forma diferente, tudo para atrair a atenção do cliente e, como consequência, alavancar as vendas.
A profissão de vitrinista existe há bastante tempo. O berço dos profissionais vem da França, onde as mais famosas lojas de roupa do mundo investem no setor há décadas. Agnaldo Yansen é um dos mais antigos vitrinistas do Paraná. Desde os anos 80 ele trabalha no ramo. Na época, nem imaginava que iria se profissionalizar e viver disso. Hoje, tem no currículo passagens por importantes lojas do Estado.
Yansen explica que a principal ferramenta do vitrinista é a observação. ''É necessário aliar a parte comercial com a estética. Quando isso acorre os resultados são imediatos'', explica. O espaço é uma ferramenta de venda que serve para fazer o cliente parar, entrar e comprar.
Saber quem é o público alvo também interfere diretamente no sucesso de uma vitrine. Lojas de bairro, do centro ou de um shopping classe A terão vitrines com conceitos e clientes diferentes. Yansen também explica que o profissional deve estar atento às necessidades da loja. ''Chegar e querer mudar tudo só complica a vida do vendedor. O vitrinista deve ter a consciência de que o estabelecimento não é dele''.
Os salários, assim como outras profissões, começam baixos. Um iniciante pode cobrar R$ 50,00 para uma vitrine pequena. O trabalho vai durar aproximadamente três horas, suficiente para explorar o espaço. Com o tempo, um bom vitrinista tende a ganhar mais e pode ir de R$ 1,5 mil a R$ 2,5 mil por mês. Em São Paulo existem profissionais de lojas de luxo que chegam a receber mensalmente o equivalente a R$ 8 mil.
Se o trabalho for bem feito, a chance do vitrinista ser convidado para realizar um novo serviço será maior, já que há necessidade de mudar a vitrine uma vez por semana. ''Existem estudos dizendo que o cliente leva de três a cinco dias para decidir se vai comprar. Então deixar a vitrine por muito tempo vai fazer com que o público nem repare mais nela''.
®MDNM¯Moderno
Hoje existem mais equipamentos e materiais para o vitrinista trabalhar. Os manequins não são padronizados e existem bonecos com novas formas e de diferentes materiais. Painéis coloridos, plotagem nos vidros e até flores enriquecem ainda mais o visual da entrada da loja. ''É o que chamamos de uma vitrine verbalizada, que se comunica com o público'', conta Yansen.
Em contra partida, ainda existem estabelecimentos que cometem erros básicos, como não colocar preço nas mercadorias. ''Os proprietários acham que o cliente vai ficar curioso e entrará na loja para perguntar o valor. Mas na prática ocorre o contrário''. Segundo o experiente vitrinista, também erra quem tenta insistir em colocar na vitrine peças de coleções antigas. ''O que foi rejeitado pelo cliente é melhor colocar em promoção. Não dá pra bater na mesma tecla se ela não funcionou''.

mockup