Curitiba - Em um cenário em que termos como ''sustentabilidade'' e ''manejo'', antes restritos a especialistas, se tornam cada vez mais comuns, cresce no mercado de trabalho o entendimento sobre a importância do profissional de Engenharia Florestal. A atividade é tão variada quanto as outras engenharias e vem atraindo a atenção de jovens dispostos a seguir carreira a partir dos conhecimentos relacionados às florestas.
André Germano Vasques, presidente da Associação Paranaense de Engenheiros Florestais (Apef), cita que existem dois grandes eixos que despertam interesse: a conservação de unidades naturais e a geração de renda a partir da exploração sustentável das florestas.
''Uma das funções do engenheiro florestal é fazer a gestão do recurso natural floresta, considerando toda sua capacidade. Existem as florestas nativas, que têm a função principal de conservação da biodiversidade e também a de produção, aí tratando em termos de manejo sustentado: tirar dela exatamente aquilo que ela tem capacidade de repor, para se perpetuar como unidade natural. A floresta natural também tem funções complementares, como unidade de turismo, lazer e estabilização de paisagem, ou seja, permite usufruir do elemento natural para condicionar uma estrada, um caminho, por exemplo'', explica Vasques.
''O segundo aspecto é o trabalho intensivo na produção de florestas para atendimento de demandas de madeira, fibras, energia, sementes, resinas. Os regimes de silvicultura intensiva visam atender a sociedade nas suas necessidades de produtos como papel, papelão, madeira para construção, móveis, toda uma cadeia de produtos e subprodutos da floresta'', diz o presidente da Apef.
Vasques aponta que, para os engenheiros florestais que optam por trabalhar na atividade econômica de base florestal, as atribuições vão desde escolha de sementes, produção de mudas, definição da forma de plantio, estipular quando e como cortar a madeira, até logística e apoio ao desenvolvimento tecnológico de produtos.
''No Sul e no Sudeste do Brasil, a grande demanda por profissionais de Engenharia Florestal está nas indústrias de papel e celulose e nas empresas de serviços e consultorias. No Centro-Oeste e em várias regiões do Norte e do Nordeste, a principal perspectiva está na silvicultura intensiva, ou seja, expansão de plantios, tendo como principais segmentos as indústrias de papel e celulose e a produção de madeira para a siderurgia'', relata Vasques.
Márcio Pereira da Rocha, vice-coordenador do curso de Engenharia Florestal da Universidade Federal do Paraná (UFPR), aponta que a área, apesar de desconhecida por muitos leigos, está longe de ser uma novidade.
''A Engenharia Florestal, em maio de 2010, completa 50 anos no Brasil. É claro que não é um mercado como a engenharia civil, em que a absorção de profissionais é muito maior. Mas a profissão sempre foi muito procurada'', afirma. ''Concorrência existe em todas as atividades, é preciso ser bom em qualquer área. Os ganhos (dos engenheiros florestais) estão dentro da média, no nível salarial das outras engenharias'', complementa o professor, que destaca a importância do segmento para a economia nacional. ''A área florestal hoje representa 4% do PIB brasileiro'', diz ele.
Para os interessados em trabalhar na área de consultoria, o engenheiro florestal Jefferson Bueno Mendes, proprietário da Silviconsult, explica que a atividade exige grande capacitação.
''A maior demanda de profissionais, hoje, ainda está nas empresas de base florestal. Para quem quer trabalhar com consultoria, são exigidos muito conhecimento e experiência. É uma carreira para um segundo momento. O profissional pode até ingressar como trainee, mas só vai ter uma grande competitividade se tiver dois instrumentos: uma pós-graduação, que pode ser tanto um mestrado como um MBA, e experiência na iniciativa privada'', aconselha Mendes.
A engenheira florestal Liz Buck Silva, desde a faculdade, em estágios e projetos, seguiu a linha da preservação e da educação ambiental. ''É uma área muito interessante, mas só agora se começa a falar mais nisso'', diz a engenheira, que hoje atua na ONG Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS).
Liz aponta que os engenheiros florestais interessados nesse caminho encontram oportunidades principalmente em organizações não governamentais e órgãos públicos, mas também existem opções na vida acadêmica e em empresas. ''Estão começando a surgir mais cargos de gerente de sustentabilidade'', relata.


Paraná tem cinco cursos autorizados pelo MEC

  Cu­ri­ti­ba - Atual­men­te, 48 cur­sos de En­ge­nha­ria Flo­res­tal em to­do o Bra­sil es­tão ca­das­tra­dos no Mi­nis­té­rio da Edu­ca­ção (MEC). Des­tes, cin­co são ofer­ta­dos por ins­ti­tui­ções de en­si­no su­pe­rior se­dia­das no Pa­ra­ná: a Fa­cul­da­de Ja­gua­riaí­va (Fa­jar), a Pon­ti­fí­cia Uni­ver­si­da­de Ca­tó­li­ca (PUC-PR), no cam­pus de São Jo­sé dos Pi­nhais, a Uni­ver­si­da­de Es­ta­dual do Cen­tro-Oes­te (Uni­cen­tro), em Ira­ti, a Uni­ver­si­da­de Fe­de­ral do Pa­ra­ná (­UFPR), em Cu­ri­ti­ba, e a Uni­ver­si­da­de Tec­no­ló­gi­ca Fe­de­ral (­UTFPR), no cam­pus de ­Dois Vi­zi­nhos.
  ‘‘Ho­je, por uma ques­tão ­mais de mo­dis­mo, o per­fil de ­quem pro­cu­ra o cur­so es­tá bem vol­ta­do pa­ra a pre­ser­va­ção da na­tu­re­za. A sil­vi­cul­tu­ra tam­bém é mui­to ­procurada’’, des­cre­ve Már­cio Pe­rei­ra da Ro­cha, vi­ce-coor­de­na­dor do cur­so da ­UFPR. ‘‘A mí­dia re­la­cio­na mui­to a En­ge­nha­ria Flo­res­tal com a con­ser­va­ção da na­tu­re­za, mas na ver­da­de es­ta é uma ­área um pou­co ­mais di­fí­cil de con­se­guir em­pre­go, até por­que mui­tas em­pre­sas con­si­de­ram um in­ves­ti­men­to a fun­do ­perdido’’, aler­ta o pro­fes­sor.
  ‘‘Em pri­mei­ro lu­gar, pa­ra ser en­ge­nhei­ro flo­res­tal, não po­de se preo­cu­par com a ques­tão de pa­ra on­de vo­cê vai. Eu, por exem­plo, mo­ro em Cu­ri­ti­ba, mas dou mi­nhas ‘­saídas’ pa­ra a Ama­zô­nia, pa­ra ­áreas ru­rais... Em se­gun­do lu­gar, é pre­ci­so ter afi­ni­da­de com a na­tu­re­za. Por fim, o in­te­res­sa­do não po­de es­que­cer que se tra­ta de uma en­ge­nha­ria, en­tão, tem que ter in­ti­mi­da­de com as ciên­cias ­exatas’’, acon­se­lha Ro­cha. (F.G.)

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