SUA CARREIRA - Para que tudo acabe em pizza
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 01 de abril de 2010
Daiana Geremias<br> Especial para a FOLHA 
Curitiba - Um jogador de futebol taxista ou um taxista pizzaiolo? Não se sabe ao certo qual a definição para Ricardo Santos Oliveira que, aos 19 anos, saiu da grande São Paulo rumo ao Paraná para ser jogador de futebol. Passou por Ponta Grossa, mas veio para a Capital, integrar a equipe do Coritiba. De paixão em paixão, Oliveira resolveu ser taxista, profissão na qual permaneceu até os 35 anos e largou há três semanas. ''O táxi garante uma boa renda, mas a profissão é estressante e decidi fazer o que me dá prazer''. O ex-motorista de táxi descobriu sua vocação para a culinária há pouco tempo, quando o padrasto o presenteou com um curso após perceber seu interesse pela culinária. ''Ele chegou para mim e disse que havia me matriculado no curso de formação para pizzaiolos e a primeira aula já era no domingo pela manhã'', conta.
O curso que Oliveira fez é oferecido pelo Instituto de Educação para a Vida (IEPV), uma organização filantrópica localizada no bairro Prado Velho, em Curitiba. As aulas, ministradas por Isaías Soares Pereira, formado em gastronomia e engenharia de alimentos, preparam os alunos para o mercado de trabalho. ''Cinco, de 20 alunos, são encaminhados por nós e saem daqui com emprego garantido'', explica o professor, que viu em Oliveira o melhor aluno da turma e decidiu ajudá-lo.
Oliveira terminou o curso há pouco mais de um ano e, desde então, fez outras especializações. ''Meu foco não é trabalhar em pizzarias, porque o salário é baixo (recentemente recusou um emprego, cujo salário era de R$ 800), quero aprender cada vez mais e poder montar um curso, dar aulas''. Quando questionado sobre a procura das aulas, ele garante que a demanda é grande: ''Só fazendo propaganda boca-a-boca, já conheço pessoas que estão interessadas. O custo das aulas não é muito caro (em torno de R$ 150) e a procura hoje em dia é muito maior por cursos profissionalizantes.''
O novo pizzaiolo já ministra algumas aulas juntamente com o seu professor. Eles prestam consultoria em diversas pizzarias da capital, ensinando massas diferentes (como a integral), receitas de recheios e, inclusive, de economia. ''Cerca de 30 pizzarias aqui de Curitiba foram montadas por pessoas que já foram meus alunos'', orgulha-se o mestre Isaías Pereira.
Por enquanto Oliveira faz pizzas em casa, com a ajuda da esposa, para vender em seu condomínio no bairro Pinheirinho. O custo da pizza com a entrega é de R$ 20,00 e ele produz uma média de 10 unidades por dia. Ele pretende cursar uma faculdade de gastronomia, porque acredita que uma formação acadêmica na área garantirá mais experiência, bons empregos e reconhecimento.
Serviço
Instituto de Educação para a Vida (IEPV) - Rua Prof Regina Casagrande Marinoni, 350. Prado Velho, Curitiba. Telefone: (41) 3332-7667/e-mail: [email protected] ou [email protected]
Senac - Rua André de Barros, Centro, Curitiba. Telefone: (41) 3219-4700/e-mail: [email protected]


