Curitiba - A afinidade com instrumentos musicais não fica somente no palco, muitas vezes essa atribuição é destinada ao músico ou sua equipe de apoio, mas por trás de cada instrumento há um luthier (lutiê ou luteiro): profissional especializado em construir ou reformar instrumentos musicais. Em Curitiba o curso de Luteria é oferecido pela Universidade Federal do Paraná (UFPR).
O curso técnico superior tem a duração de três anos, e prepara o aluno para a construção e manutenção de instrumentos de corda. Durante o período de aprendizado os alunos devem optar entre violão, violino, guitarra ou baixo elétrico. ''Por causa do pouco tempo não conseguimos ensinar tudo'', comenta Leandro Mombach, professor do curso.
A universidade não fornece os materiais ou ferramentas necessários para as aulas, fica a cargo dos alunos comprarem. O custo de montagem de um kit para a construção de instrumentos fica na faixa de R$ 300.
As aulas são práticas. Diferentemente de outros cursos, os alunos têm o contato com uma oficina desde os primeiros dias de aula.
Ao entrar na sala, os desavisados têm a impressão de estarem em uma marcenaria. O cheiro forte de madeira e a poeria dominam o ambiente. Ao fundo é possivel ouvir máquinas de corte trabalhando e ao longo da sala ver esqueletos que futuramente se tornarão violões.
O curso surgiu como uma ideia de suprir um campo de trabalho ainda em baixa. Mombach comenta que essa necessidade se dá pelo crescimento na importação de violões, principalmente da China. ''Os pais começaram a ter uma experimentação musical maior, despertando nos filhos o interesse por instrumentos e, com isso, aumentando a venda destes produtos'', lembra.
O luthier, além de habilidoso com a madeira, precisa conhecer as particularidades do instrumento com o qual trabalha. Esse conhecimento é necessário para uma mellhor performance do produto final. No entanto, saber tocar não é preciso. ''São ministrados cursos, oficinas para que o aluno tenha noção no manuseio do instrumento'', salienta Mombach.
Os ganhos para um profissional da área podem variar entre R$ 1,5 mil e R$ 10 mil, isso é claro vai depender da experiência profissional e o tipo de instrumento com o qual se está trabalhando. Os alunos do curso, no entanto, não são incentivados a já iniciarem trabalhos fora das salas de aula. ''É preciso ter precisão no trabalho, só expor o nome depois de ter experiência'', enfatiza o professor.
Aridelcio Osti, aluno do primeiro ano do curso, comenta que procurou a graduação não pelos ganhos que ela venha a proporcionar no futuro, mas sim pela possibilidade de se tornar também um hobby. ''Sempre gostei de lidar com instrumentos'', comenta. A identificação com o curso foi instantânea. Para Osti o curso superou suas expectativas iniciais. Além de aluno, Osti foi responsável pela instalação de alguns equipamentos usados nas aulas.
Osti é um dos alunos de destaque do professor Mombach. Tímido, ele acredita que a facilidade que tem para lidar com os instrumentos musicais deve-se ao fato de ter trabalhado com ferramentas antes de iniciar o curso. ''Sempre que posso ajudo os colegas mais atrasados, assim ninguém fica para trás'', comenta.
A cada semestre a turma do professor Mombach tem como objetivo a construção de um instrumento de corda. Inicialmente é o violão e, segundo o docente, o instrumento foi eleito por ter apenas duas faces curvas e usar todas as ferramentas na construção do instrumento.

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