O profissional formado em Ciências Contábeis pode exercer várias funções. Mas uma que vem chamando atenção pela rentabilidade é a de perito credenciado no Poder Judiciário. Na Justiça do Trabalho de Londrina, um perito contador ganha em torno de R$ 700 por laudo requisitado pelo juiz no processo de execução de uma ação trabalhista. Mas a concorrência é grande e, para conquistar um lugar ao sol, é preciso garantir a confiança dos magistrados.
Somente na 6 Vara do Trabalho da cidade, há uma pilha de currículos de pretendentes à função, mas apenas cinco contadores conseguiram se provar aptos ao trabalho. Cada um faz cerca de 15 laudos por mês, o que proporciona uma renda média de R$ 10,5 mil.
O juiz substituto daquela Vara, José Márcio Mantovani, explica que, no Paraná, não há o cargo de contador na carreira dos servidores da Justiça. E, por isso, é preciso buscar o profissional no mercado de trabalho. ''Os cálculos mais simples são feitos pela própria secretaria da Vara, mas a maioria requer a contratação externa'', diz.
Ele afirma que os interessados em atuar nesta área precisam estar inscritos no Conselho Regional de Contabilidade e devem deixar seus currículos nas varas da Justiça. ''O juiz analisa este currículo e possivelmente chama para uma entrevista. A partir daí, ele pode ser credenciado'', ressalta. Mas Mantovani lembra que é preciso construir uma relação de confiança com o juiz. ''O perito vai ganhando confiança conforme demonstra seus conhecimentos e que seus cálculos estão corretos''.
O juiz ressalta que, no caso da 6 Vara, há uma fila de espera de profissionais que se candidataram à função, mas que os cinco que atuam hoje em sistema de rodízio são suficientes. ''Só iremos chamar outros se houver aumento na demanda'', avisa.
José Carlos Custódio exerce a função de perito contador na Justiça do Trabalho há 21 anos. ''É uma atividade rentável porque pegamos muitas ações para calcular. Mas o profissional não pode depender só disso porque a receita é incerta e o risco de não receber é grande. Calculo em 30%'', diz ele, se referindo às situações em que as partes dão o calote. Ele explica que não basta ser bom de cálculo para se candidatar à função. ''Também tem de entender de legislação trabalhista e saber argumentar sobre o que foi calculado''.
Não é só na Justiça Trabalhista que o perito contador atua. Sérgio Henrique Miranda de Souza trabalha há 15 anos nas cíveis. ''Somos chamados pelo juiz para emitir laudos, por exemplo, sobre a situação de uma empresa que está envolvida no processo'', explica. Neste caso, ele afirma que a remuneração é bastante variável, dependendo muito do processo. ''O contador apresenta o valor do trabalho e o juiz decide'', conta.
Souza alega que, na maior parte das vezes, o trabalho é pago pelo autor da ação quando o laudo é entregue. ''Mas tem situações em que só recebemos no final do processo. Tem laudo de ação que eu fiz há dois anos pelo qual ainda não recebi''. Ele classifica a atividade como ''desafiadora''. ''Não tem monotonia. Cada processo é um processo, a gente sempre se depara com casos diferentes que aguçam nosso intelecto'', diz. O excesso de trabalho, segundo o contador, é a parte difícil. ''A gente trabalha bastante, exige um certo sacrifício''.

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