Curitiba - No trabalho Paula Marcondes tenta tornar os pacientes mais independentes. Pode ser na cozinha, no banheiro ou na sala de aula, o objetivo é fazer com que eles tenham condições para exercer funções básicas, como levar um talher até a boca, por exemplo. Paula é terapeuta ocupacional e escolheu trabalhar com a reabilitação de deficientes mentais. Mas este é apenas um dos ramos da profissão. Ainda é possível atuar ao lado de idosos (geriatria), deficientes físicos, pacientes psiquiátricos e sociais (carentes ou drogados) e com postura corporal dentro de empresas (ergonomia).
''O trabalho do terapeuta ocupacional está muito ligado à adaptação. Mas deve ser multidisciplinar. Se o profissional for lidar com a alimentação do paciente, o serviço deve ser feito em parceria com uma fonoaudióloga. Se for na cadeira de rodas, o fisioterapeuta também deve estar envolvido. Tudo para um melhor resultado'', explica.
Uma das funções de Paula na escola onde trabalha, especializada em deficientes mentais, é melhorar as condições de vivência de cada aluno dentro da instituição. Um exemplo é adaptar a carteira para a necessidade do aluno. Enquanto um precisa de assento mais alto, outro carece de um encosto mais próximo. Na mesma instituição Paula utiliza ''engrossadores de talheres'', para facilitar o contato do aluno com a comida e tentar fazer com que ele se alimente sozinho. Essa independência pode ser estendida para a casa onde o jovem mora.
Mas trabalhos como este necessitam muito da ajuda do próprio paciente e dos familiares dele. As evoluções ocorrem devagar, no decorrer das consultas e dos movimentos realizados. Por isso, um dos desafios da profissão é lidar com a frustração. ''Às vezes você imagina que irá atingir um resultado, mas não ocorre a evolução'', revela Paula. Em compensação, a gratificação vem quando o trabalho gera benefícios ao paciente. ''Nessa hora, imagino o quanto foi fundamental na vida daquela pessoa a evolução que ela teve''.
O princípio básico da terapia ocupacional é desenvolver no paciente a autoconfiança. Para isso, o profissional estuda diversas áreas da saúde. Entre as disciplinas estudadas na universidade estão a psicologia, anatomia, ortopedia, psiquiatria e sobre diferentes disfunções sensoriais.
O mercado de trabalho é amplo para o profissional atuar em clínicas, asilos, instituições penais e psiquiátricas, hospitais, centros de saúde e de reabilitação, empresas e creches, além de possibilitar também o atendimento em domicílio.
A área da saúde mental é uma das que mais abriga a mão de obra do terapeuta ocupacional. Uma lei exige que os hospitais psiquiátricos tenham pelo menos um profissional contratado para cada 60 pacientes.

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